Fogo cerrado

PMDB tem dia de reuniões e propostas de ‘acordo’ para definir líder da Câmara

Sugestões passam tanto por cargo do governo à bancada para manter Picciani como por apoio da oposição da sigla ao líder e, em troca, indicação por ele de metade deste grupo na comissão do impeachment

Marcelo Camargo/Agência Brasil

Líder do PMDB na Câmara (RJ), Leonardo Picciani (esq), e Leonardo Quintão (PMDB-MG), que ocupou posto por 10 dias

Brasília – Embora tentem manter a discrição, os peemedebistas não param de dar sinais de que a terça-feira (12) está sendo de reuniões intensas entre os integrantes do partido no Congresso, no Palácio do Planalto e na vice-presidência da República – e sem horário para término. Tudo por causa dos acordos sugeridos no último final de semana e que estão sendo discutidos ao longo do dia pela bancada da Câmara dos Deputados para um consenso sobre como ficará a liderança da sigla na Casa.

O governo e uma ala do partido querem a recondução do atual líder, Leonardo Picciani (RJ). Outra ala quer alguém da bancada de Minas Gerais para substituí-lo a partir de fevereiro – e contam, para isso, com o apoio do presidente da Câmara, Eduardo Cunha. E nesse jogo, estão sendo negociadas também, as posições a serem adotadas durante a reunião da executiva da legenda que vai decidir sobre o novo presidente nacional (posto hoje ocupado pelo vice Michel Temer) em março.

A princípio, as especulações junto aos peemedebistas são de formação de quatro tipos de acordo. No primeiro, em troca do apoio a Picciani, os parlamentares de Minas Gerais receberiam como compensação a indicação do deputado Mauro Lopes para a Secretaria Nacional de Aviação Civil – cargo que está vago e tem status de ministério.

Na segunda negociação, todos fechariam consenso em relação a Picciani. Mas, em troca, ele indicaria para a comissão que vai avaliar o impeachment da presidenta Dilma Rousseff metade de integrantes da sigla que são apoiadores do governo. E se comprometeria a indicar, para a outra metade, parlamentares do PMDB que fazem oposição ao Palácio ao Planalto.

Também está sendo negociada uma posição neutra de Michel Temer nessa disputa em prol de Picciani para que, em troca, ele seja reconduzido à presidência nacional do PMDB. E, numa quarta opção – que é o inverso desta negociação – seria prometido apoio por parte dos senadores aos deputados das suas bancadas nos estados para que votem em Picciani. Enquanto o atual líder do partido na Câmara, em vez de Temer, trabalharia pela condução de Renan Calheiros (AL) ao cargo de presidente nacional do partido, na reunião da executiva.

‘Muita confusão’

“É muita confusão e muita conversa. Tudo faz sentido e, ao mesmo tempo, é preciso decidir que caminho o PMDB vai tomar”, afirmou um dos deputados que está em Brasília e participou de várias das reuniões.

Caso Picciani acate a proposta de indicar um grupo da oposição para integrar a comissão que vai avaliar o impeachment da presidenta Dilma, ficará claro que não continuará apoiando o governo durante as votações tidas como importantes para o Executivo, conforme fez ao longo de 2015.

Por outro lado, ao mesmo tempo em que conta com o apoio do Planalto para negociar a ida de um deputado mineiro para a Secretaria de Aviação Civil, o grupo ligado a Picciani precisa administrar as articulações que levem ou à recondução de Temer ou à sua substituição por Calheiros na presidência nacional do partido.

Nesse clima em que todos parecem perdidos, o vice-presidente cumpre o prometido e pouco aparece. E os senadores evitam falar, com a desculpa de que não querem se meter na seara de outra casa legislativa, enquanto Picciani desconversa.

O deputado afirmou que a reunião que convocou para hoje teve o objetivo de avaliar o sistema de votação em si, nada conclusivo. Chamou o encontro de “conversa informal” e disse que a dúvida principal é se o novo líder será escolhido pela maioria simples (a metade dos deputados da bancada, mais um, o que daria 34) ou por dois terços do total da bancada – que exigiria os votos de 67 deputados do PMDB.

Ele também evitou falar em apoio por parte do Planalto. Disse que é nítido o bom relacionamento que possui com o governo, mas não há esse apoio explícito que vem sendo repercutido na mídia. “Simpatia sim, mas apoio nenhum foi desenhado da forma tão contundente como vem sendo especulado”, ressaltou.

‘Expressão da maioria’

Dizendo-se disposto a conversar e negociar uma saída para sua recondução à liderança, o deputado disse que “o líder é expressão da maioria e não de dois terços”. E destacou que quando foi afastado da liderança, em dezembro, por um abaixo-assinado formado por 34 deputados, ficou valendo a maioria simples, pregada por ele agora.

O argumento do parlamentar é que com essa regra, o acordo feito no ano passado ficou nulo. Picciani, semanas depois de ter sido destituído, retornou ao cargo por apresentar lista de peemedebistas maior que a anterior, pedindo pela sua volta como líder da sigla. Mas o que tinha sido negociado em fevereiro do ano passado era que a reeleição da liderança do partido fosse por dois terços da bancada.

“Pra mim, o que está claro é que tem que valer o acordo firmado em fevereiro do ano passado”, rebateu o deputado Darcísio Perondi (RS), peemedebista da oposição.

Como a batida de martelo só acontecerá em 3 de fevereiro, o que se espera é muito mais conversas, negociações e propostas de acordos a serem feitas entre os peemedebistas até lá – com a participação indireta do governo e das outras legendas da oposição. Todos estão interessados nas alianças com a sigla, tanto nas votações do Congresso como nas coligações para as eleições municipais.

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