disputa municipal

Cidadão deve desconfiar de político que prometa aumentar limites de velocidade

Segundo consultor, redução é tendência mundial, que tem se mostrado eficaz para preservar vidas e promover maior fluidez no trânsito

CC / Bruno Takahashi C. de Oliveira / Wikimedia
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Avenida da região central de São Paulo: velocidade reduzida baixou números de colisões e de atropelamentos na capital

São Paulo – O pré-candidato tucano à prefeitura de São Paulo nas eleições municipais deste ano, João Doria Júnior, cujo slogan de sua página no Facebook é “acelera SP”, já admitiu em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo e ao El País que se for eleito vai reverter o quadro de redução da velocidade nas vias da cidade.

“São Paulo é uma cidade que tem de andar rápido, você não pode imaginar uma cidade devagar, quase parando. Andar rápido, respeitando limites, com fiscalização, mas não apenas para multar e sangrar o bolso do consumidor”, afirmou o tucano. Ao El País, ele disse que a volta da velocidade “normal” nas marginais será sua primeira medida de governo, caso seja eleito.

Outro pré-candidato, o apresentador de TV José Luiz Datena, classificou a medida de redução de velocidade nas marginais, em entrevista ao mesmo jornal, como “idiotice”, apesar de destacar que falava como cidadão.

Para o sociólogo e consultor em segurança de trânsito Eduardo Biavati, a redução é tendência mundial e deve ganhar cada vez mais adesão da população, já que tanto do ponto de vista da fluidez como da segurança a redução tem se mostrado eficaz. Segundo a prefeitura de São Paulo, o número de acidentes com vítimas nas marginais caiu 30% depois da adoção da medida, enquanto a lentidão caiu 10% (na comparação de outubro de 2015 com o mesmo mês no ano anterior).

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Biavati: redução faz parte de política global de administrar cidades para melhorar a qualidade de vida

Biavati diz também que o eleitor deve desconfiar do candidato que promete reverter as velocidades: “É difícil que alguém dê apoio a um candidato que realmente se comprometa com uma política que pode resultar em mais gente morta e mais gente ferida”, afirma.

Segundo o consultor, “o que está em jogo nessa questão toda – pode parecer que foi uma política do PT ou de esquerda – mas, na verdade, é uma política global de administrar uma cidade em que a vida seja melhor”. Ele também diz que não tem nenhuma cidade no mundo que esteja caminhando no sentido de ter mais carros, ou mais velocidade.

“Não tem lugar nenhum, pode procurar. Qualquer política que busque isso, do tipo ‘vamos desmontar as ciclovias’, ‘tirar ônibus e botar mais carros’, esse cara, pelo amor de Deus, é um louco”, afirma. Biavati acredita que o eleitor pode não ter clareza agora, mas que mais adiante vai reconhecer que muito embora todos preferissem que tudo fosse bem mais amplo do que foi até o momento, houve muito avanço na questão do trânsito”.