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Mais confusão

Protesto contra tragédia de Mariana termina em briga e prisões na Câmara

Grupo de teatro do MST também criticava a atual proposta do Código de Mineração, que tramita na Casa. Parlamentares prometem apresentar reclamação formal contra truculência da polícia legislativa
por Hylda Cavalcanti, da RBA publicado 25/11/2015 17h44, última modificação 25/11/2015 17h50
Grupo de teatro do MST também criticava a atual proposta do Código de Mineração, que tramita na Casa. Parlamentares prometem apresentar reclamação formal contra truculência da polícia legislativa
Zeca Ribeiro/ Câmara dos Deputados
manifestantes

Manifestantes espalharam lama pelo piso e pelas paredes da área próxima ao setor de taquigrafia da Casa

Brasília – Enquanto no Senado os parlamentares vivem na tarde de hoje (25) a expectativa da sessão que vai decidir sobre a prisão do senador Delcídio do Amaral (PT-MS), do outro lado do Congresso, na Câmara, também chamou a atenção a atuação da polícia legislativa ao conter uma manifestação feita no local, por integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), considerada por muitos como truculenta. O objetivo do ato era protestar contra o desastre ambiental de Mariana (MG) e contra a proposta do Código de Mineração, que tramita na Casa. Mas a ação resultou na prisão de quatro pessoas e na agressão de pelo menos quatro deputados que passavam no momento – e se posicionaram em defesa dos manifestantes.

A manifestação foi organizada pelo grupo de teatro do MST que encenou um ato em referência ao rompimento da barragem da mineradora Samarco, em Mariana, no último dia 12. Para isso, eles espalharam lama pelo piso e pelas paredes da área próxima ao setor de taquigrafia da Casa, quando foram abordados por policiais legislativos. Os deputados Padre João (PT-MG), Marcon (PT-RS), Chico Alencar (Psol-RJ) e Jandira Feghali (PCdoB-RJ) ainda tentaram explicar que a lama tinha uma conotação de um ato cênico, mas acabaram sendo envolvidos na discussão – com alguns, inclusive, também agredidos.

'Tratamento diferenciado'

No início da tarde, um grupo de parlamentares e líderes partidários de diversas legendas foi até o Departamento de Polícia Legislativa (Depol) para buscar informações sobre o caso e reclamar formalmente do uso excessivo da força que vem sendo feito nos últimos meses pelos servidores desse setor. De acordo com muitos deputados, o tratamento dado aos manifestantes pela polícia legislativa tem sido diferenciado dependendo do tipo de manifestação e de protesto realizado na Casa.

“Neste caso específico, o protesto é contra um acidente sério, que envolve pessoas que estão no desespero, perderam casa, perderam família. Eles vieram aqui para chamar a atenção das autoridades e a segurança da Câmara mostrou, claramente, que tem lado”, afirmou o deputado Marcon. Segundo o deputado, um dos agredidos, ao lado do deputado Padre João, "quando as manifestações são realizadas com pessoas que pedem o impeachment da presidenta Dilma Rousseff, o tratamento é completamente diferente.”

Informações divulgadas há pouco pelo Depol são de que o setor está adotando os procedimentos normais em relação ao caso, como a verificação da identidade dos presos, o motivo de terem entrado na Câmara e possíveis precedentes criminais de cada um dos envolvidos. Conforme, ainda, explicações do Depol, como se trata de crime de menor potencial de danos, os invasores serão arrolados em um termo circunstanciado – procedimento equivalente a um Boletim de Ocorrência da Polícia Civil.

Os manifestantes, conforme informaram ainda representantes do Depol, depois de liberados devem ser convocados para dar depoimentos à Justiça, mas os parlamentares pretendem não deixar o acontecido se resolver apenas com esses procedimentos. Eles estudam a apresentação de uma representação junto à mesa diretora nos próximos dias pedindo providências contra a truculência da atuação destes servidores.

Com informações de agências


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