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Liberados

Governo afirma que petistas têm ‘autonomia’ para votar contra Cunha

Reunião esclareceu dúvidas e cobranças que vinham sendo feitas pelas lideranças sobre o comportamento do PT em relação ao deputado e a situação cada vez mais insustentável de sua permanência no cargo
por Hylda Cavalcanti, da RBA publicado 23/11/2015 13h33
Reunião esclareceu dúvidas e cobranças que vinham sendo feitas pelas lideranças sobre o comportamento do PT em relação ao deputado e a situação cada vez mais insustentável de sua permanência no cargo
José Cruz/Agência Brasil
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Edinho: "Diálogo do governo com o Legislativo é no sentido de criar uma agenda de interesse para o país"

Brasília – Mesmo em meio a discussões sobre as matérias previstas para serem votadas esta semana pelo Congresso Nacional e a continuidade da apreciação das propostas do ajuste fiscal, o ponto de destaque da reunião da coordenação política do governo hoje (23), no Palácio do Planalto, terminou sendo o questionamento que têm sido feito por vários partidos sobre a posição dos parlamentares petistas quanto à situação do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Por conta disso, o ministro da Secretaria de Comunicação Social do governo, Edinho Silva, esclareceu, ao final do encontro, que os petistas estão liberados para definir a questão da forma como desejarem a situação de Cunha.

Nos bastidores, há semanas, todos davam como certo que o PT vinha demonstrando certa omissão na participação dos integrantes do partido no Conselho de Ética, que investiga o processo sobre quebra de decoro parlamentar por parte de Eduardo Cunha. Essa postura vinha sendo interpretada como uma forma de, ao “poupar” Cunha, evitar que o presidente da Casa acolha os requerimentos que ainda existem na Câmara pedindo o impeachment da presidenta Dilma Rousseff.

Na última reunião do órgão, quinta-feira (19), o líder do Psol, Chico Alencar (RJ), chegou a fazer uma ironia, diante da ausência de petistas na reunião do conselho e disse: “Eu gostaria muito que o PT voltasse a ser o velho PT de antigamente”. Mas o presidente da Câmara já não conta com o poder de antes e começa a sentir o peso do isolamento não apenas dos partidos oposicionistas que o apoiavam como também de integrantes da sua legenda, o PMDB. Embora já se aguardasse esse tipo de postura por parte do PT nos últimos dias, a confirmação só saiu agora.

“O governo da presidenta Dilma é formado por uma coalizão de vários partidos e o PT tem total autonomia para construir suas posições dentro do Legislativo. O diálogo do governo da presidenta Dilma com o Legislativo é no sentido de criar uma agenda de interesse para o país, que passa, no momento, pela aprovação das medidas de ajuste para que o Brasil entre na agenda da retomada do crescimento econômico”, afirmou o ministro Edinho Silva.

Pesaram a favor dessas declarações também as palavras do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na última sexta-feira (20). Ao falar para jovens da chamada Juventude do PT, que realizou congresso em Brasília, Lula disse que “não se pode permitir que ladrão fique chamando petista de ladrão”, embora sem citar diretamente ninguém.

LDO e superávit

O encontro da equipe de coordenação política do governo nesta segunda-feira tratou, também, da votação da proposta da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), programada para a sessão conjunta do Congresso amanhã (24), às 19h e, ainda, a votação da proposta que altera a meta de superávit do governo no exercício de 2015. Embora tenham sido feitas mudanças no projeto original da alteração da meta, durante a votação da Comissão Mista de Orçamento, base aliada e Planalto esperam negociar algumas alterações ao texto durante a votação em plenário.

Para isso, os líderes ainda terão uma nova reunião com o ministro da Secretaria de Governo, Ricardo Berzoini, esta tarde, e estão programando encontros com as demais lideranças partidárias da Câmara e do Senado com o intuito de discutir o tema até amanhã.

A intenção do Executivo é acelerar a votação dessas duas matérias para apressar a apreciação do texto do Orçamento Geral da União ainda este ano (até 22 de dezembro). E, ainda, a votação final, pelo Senado, do projeto de repatriação de recursos – dando abertura para o restante das matérias do pacote de ajuste fiscal.