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Coalizão

Governo pede apoio aos partidos e diz que cargos dos ministérios serão liberados

Segundo ministro Jaques Wagner, obstrução do Congresso ontem, na sessão dos vetos, fez parte do período de "adequação da reforma", que ainda não foi completada com os cargos menores nos estados
por Hylda Cavalcanti, da RBA publicado 08/10/2015 20h10, última modificação 08/10/2015 20h20
Segundo ministro Jaques Wagner, obstrução do Congresso ontem, na sessão dos vetos, fez parte do período de "adequação da reforma", que ainda não foi completada com os cargos menores nos estados
Roberto Stuckert Filho/PR
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Presidenta reuniu-se na tarde de hoje (8) pela primeira vez com a equipe de ministros após a reforma

Brasília – Durante a primeira reunião da presidenta Dilma Rousseff com o novo ministério, hoje (8), o governo tratou de aparar as últimas arestas que restaram das articulações em torno da reforma, pedindo empenho dos ministros junto às suas bancadas e agilidade para serem definidos logo os titulares de cargos do segundo escalão e as diretorias existentes nos estados e municípios. A ideia é, conforme explicou o ministro chefe da Casa Civil, Jaques Wagner, “desobstruir de vez” as dificuldades que têm sido observadas com os partidos da base nesses locais para atender aos pedidos feitos pelos parlamentares da base aliada.

“A presidenta Dilma fez um esforço imenso para ampliar a coalizão com os partidos durante a reforma ministerial, mas resolvemos as questões de forma macro, que são as indicações para os titulares das pastas. O que precisamos agora é decidir os outros cargos, e isso precisa ser definido entre os próprios ministros, as bancadas dos partidos e as bases. Fui governador e parlamentar e sei que essas indicações são complicadas de se resolver e extremamente importantes para os estados e municípios que apoiam os deputados e senadores”, disse.

Segundo Wagner, ficou acertado nesse encontro que os partidos farão reuniões semanais com os parlamentares – principalmente o PMDB – e com o secretário-geral de Governo, ministro Ricardo Berzoini, para resolver qualquer dificuldade a ser observada em relação às nomeações.

‘Processo de acomodação’

Embora reconhecendo que um dos objetivos dessa “continuidade” da reforma ministerial seja evitar casos como o observado ontem, no Congresso Nacional, quando deputados da base aliada não compareceram à sessão para votar os vetos presidenciais, Jaques Wagner considerou o episódio dos últimos dias como “um processo de acomodação da reforma”. Ele disse que considerou positiva a reunião, na qual ficou nítida a unidade do Executivo.

Sobre a rejeição das contas da presidenta Dilma, Wagner reiterou a afirmação que a questão será tratada, daqui por diante, com o Congresso Nacional, descartando a apresentação de recurso no Supremo Tribunal Federal (STF), como se especulava até a noite de ontem. De acordo com o ministro, os próprios partidos que integram a base do governo no Congresso vão tratar de se articular com suas bancadas junto à Comissão de Orçamento, daqui por diante, conforme ficou acertado hoje.

“É claro que não ficamos satisfeitos com o resultado do TCU, mas a presidenta Dilma é uma guerreira e opera muito bem nas dificuldades. Ela encarou a decisão do tribunal com respeito. Lembro, outra vez, que o parecer é prévio e a batalha que vamos enfrentar será travada, daqui por diante, no Congresso Nacional”, afirmou.

Wagner contou que também foram dadas várias explicações aos ministros no campo técnico sobre o entendimento adotado pelo TCU no parecer aprovado ontem e ficou de ser elaborado, inclusive, um relatório de perguntas e respostas a ser entregue aos ministros para que apresentem aos deputados e senadores dos seus partidos.

Continuidade dos programas

Wagner enfatizou o recado deixado pela presidenta para os ministros de que a base precisa “estar atenta aos movimentos da oposição”. E destacou que o diálogo do Executivo com o Congresso, no momento, “é o ponto mais importante a ser tratado”.

Sobre o PMDB, Wagner disse que o Executivo nunca esperou 100% de adesão dos peemedebistas, mesmo com os cargos cedidos ao partido na última reforma ministerial, porque sabe que se trata de uma bancada com muitas divisões. “Mas estamos satisfeitos de ver que há, por parte da equipe de ministros, um reconhecimento do esforço feito pela presidenta Dilma com a reforma.”

Ele lembrou que foi feito um alerta aos novos ministros para que, durante as trocas de cargos, fiquem atentos para manter a continuidade dos programas em curso. “Todo ministro que assume tem o direito de nomear sua própria equipe, mas a preocupação da presidenta é que não haja descontinuidade dos programas de governo. É importante todos nós lembrarmos, sempre, que não estamos começando o governo, estamos num processo de continuidade de governo”, enfatizou.