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Mídia parte para a 'chantagem descarada', afirma Rui Falcão

Presidente do PT e Renato Rabelo, ex-presidente do PCdoB, alertam para nova ofensiva conservadora, que usa rebaixamento do Brasil pela Standard & Poors como novo pretexto para depor Dilma
por Redação RBA publicado 14/09/2015 19h47, última modificação 14/09/2015 20h00
Presidente do PT e Renato Rabelo, ex-presidente do PCdoB, alertam para nova ofensiva conservadora, que usa rebaixamento do Brasil pela Standard & Poors como novo pretexto para depor Dilma
Lula Marques/agência PT
Rui Falcão

"À falta de fundamento legal para o impeachment, partem para a chantagem", diz dirigente

São Paulo – O presidente nacional do PT, Rui Falcão, disse em artigo publicado hoje (14), na página do partido na internet, que os “jornalões da grande mídia” estão usando chantagem e apostando no retrocesso na tentativa de “depor” a presidenta Dilma Rousseff. “À falta de fundamento legal para o impeachment, e certos de que renúncia não consta do dicionário da presidenta, partem para a chantagem descarada”, afirma o dirigente. “Ou Dilma faz o que a oposição político-midiática deseja, ou o esquema de poder, que a direita organiza, fará mais ainda do que já vem fazendo para depor a presidenta.”

Segundo ele, a redução da nota do Brasil pela agência de rating Standard & Poors passou a servir de “senha” para a nova ofensiva midiática. Falcão denuncia que o setor conservador da oposição defende o retrocesso ao exigir cortes nos programas sociais, revogação de direitos, revisão da lei do salário mínimo, sanção do projeto de reforma política que autoriza o financiamento empresarial. “Enfim, uma pauta inaceitável, que só agravaria os problemas que o país vem enfrentando.”

Em tom de ameaça, a Folha de S. Paulo publicou ontem (13) um editorial de capa intitulado “A última chance”. Nele, o jornal defende uma série de medidas neoliberais na economia, que chama de “medidas extremas”, incluindo os gastos em saúde e educação.

O diário da família Frias conclui o editorial afirmando que Dilma não tem "escolha": "não lhe restará, caso se dobre sob o peso da crise, senão abandonar suas responsabilidades presidenciais e, eventualmente, o cargo que ocupa".

Em seu texto, Falcão não deixou de criticar o ajuste fiscal, defendendo “mais receitas e menos cortes”. Mesmo quando os cortes forem necessários, eles “não devem sacrificar os que mais precisam das políticas públicas, nem recaírem sobre conquistas dos trabalhadores e do povo”.

Para a União aumentar sua arrecadação, o presidente do partido sugere a elevação da Cide, acabar com a dedutibilidade dos juros sobre capital próprio, tributar lucros e dividendos, recriar a CPMF, que deveria ser compartilhada, em sua opinião, com os estados, taxar grandes fortunas e grandes heranças.

Em artigo também publicado hoje, o ex-presidente do PCdoB Renato Rabelo diz que a oposição não aceitou a quarta derrota eleitoral seguida, em 2014, e que “o consórcio oposicionista coloca todas as suas garras de fora, se aproveitando do entroncamento de uma crise mundial estrutural do capitalismo”.

Também para Rabelo, o rebaixamento da nota do Brasil pela S&P serviu de senha para a nova ofensiva, tendo usado para isso, como “estopim”, o orçamento com déficit enviado ao Congresso. “Estamos diante do ápice de um ataque contra o Estado democrático de direito e o mandato constitucional da presidenta da República”, escreveu Rabelo.