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Para Romero Jucá, oposição não pode ser 'tábua de salvação' do governo Dilma

Senador diz que Planalto não tem nada a ganhar com eventual diálogo com PSDB e que informações segundo as quais o PMDB estaria discutindo nomes para substituir Eduardo Cunha são "especulações"
por Eduardo Maretti, da RBA publicado 24/07/2015 19h40, última modificação 24/07/2015 19h42
Senador diz que Planalto não tem nada a ganhar com eventual diálogo com PSDB e que informações segundo as quais o PMDB estaria discutindo nomes para substituir Eduardo Cunha são "especulações"
Waldemir Barreto/Agência Senado
Romero Jucá

"O PSDB vai ajudar a melhorar o governo da Dilma? Acho que não", diz senador peemedebista

São Paulo – Um eventual diálogo entre os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Fernando Henrique Cardoso, que teria aprovação do Planalto, com o objetivo de se buscar superação da instabilidade política, não vai resolver os problema do governo. Para o senador Romero Jucá (PMDB-RR), um dos parlamentares mais influentes do Congresso Nacional, segundo sucessivas pesquisas do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), o governo Dilma Rousseff precisa encontrar soluções em sua própria base, da qual o partido de Jucá faz parte, embora ele próprio tenha votado no tucano Aécio Neves.

“Em política sempre é bom se conversar. Mas o PSDB vai ajudar a melhorar o governo da Dilma? Acho que não. São adversários. O governo da Dilma não pode esperar que venha da oposição a tábua de salvação dela. Vai ter que se reinventar dentro do próprio governo”, disse à RBA. Ele afirma ter dúvidas sobre se haverá ”clima para isso” (conversas diplomáticas entre governo e PSDB). “O governo tem que trabalhar muito, remar muito para resolver os problemas que tem.”

Em entrevista ao Programa Público, da TV Brasil, na terça-feira (21), Jucá defendeu negociações mais amplas do que eventuais conversas entre dois partidos e afirmou ser a favor de um grande pacto entre Executivo, Legislativo e Judiciário "para que possamos reordenar e reestruturar o país".

Jucá coloca na conta das “especulações” a informação veiculada pelo colunista Fernando Rodrigues, no jornal Folha S. Paulo desta sexta-feira (24), segundo a qual o PMDB já começou a debater quem poderia substituir Eduardo Cunha caso ele seja obrigado a deixar a presidência da Câmara em decorrência da Operação Lava Jato. “Isso é especulação. Ninguém está conversando isso. Não tem como antecipar nada. Não está aberta essa discussão dentro do PMDB”, garante. “Eduardo Cunha não está denunciado, não respondeu processo, não se defendeu. Não se sabe qual é a acusação contra ele a não ser o depoimento de um empresário. Não dá para se discutir a substituição dele por conta disso. Isso não está na pauta do PMDB.”

Segundo o jornalista, os deputados federais Lelo Coimbra (ES), Osmar Terra (RS) e Edinho Araújo (SP), licenciado para ir ao Ministério dos Portos, aparecem nas discussões como possíveis alternativas para substituir Cunha, mas o deputado Miro Teixeira (Pros-RJ), ex-ministro de Lula, poderia ser a solução.

A aposta em Brasília é de que Eduardo Cunha estará entre os denunciados pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, em agosto.

Independentemente de um eventual diálogo entre Lula e FHC e das “especulações” sobre Cunha, Jucá diz que o governo terá de “trabalhar muito” para superar a crise econômica. O senador foi líder dos governos Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva e na primeira gestão de Dilma Rousseff.

“Crise fabricada”

Sobre crise da economia e recessão, em nota à imprensa, os líderes do governo e do PT na Câmara, respectivamente os deputados José Guimarães (CE) e Sibá Machado (AC), atacaram o tom “catastrofista” com que a mídia tem tratado a crise. “Essa crise é fabricada para se criar um clima de instabilidade econômica e política, estimulada por segmentos que apostam no quanto pior melhor”, disse Guimarães.

Para Sibá Machado, o Brasil continua como destino dos investidores estrangeiros. "É o país da América Latina que mais atrai esses investimentos. Enquanto países como China e EUA apostam suas fichas no Brasil, a oposição não desce do palanque e tenta, sem sucesso, desqualificar nosso país’’, afirmou.

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