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vazamentos seletivos

Depoimento de Cardozo é inconsistente frente a abusos da Lava Jato

Falta de medidas contra abusos de delegados na operação investigada pela Polícia Federal cria expectativa sobre continuidade de José Eduardo Cardozo no Ministério da Justiça, defende Paulo Vannuchi
por Redação RBA publicado 16/07/2015 12h33, última modificação 16/07/2015 12h47
Falta de medidas contra abusos de delegados na operação investigada pela Polícia Federal cria expectativa sobre continuidade de José Eduardo Cardozo no Ministério da Justiça, defende Paulo Vannuchi
Valter Campanato/ Agência Brasil
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No depoimento de ontem (15), Cardozo defendeu isenção do Ministério da Justiça nas investigações da Lava Jato

São Paulo – O depoimento do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, ontem (15), na CPI da Petrobras, trouxe à tona mais uma vez sua inconsistência como ministro, diz o cientista político Paulo Vannuchi, em comentário de hoje (16) na Rádio Brasil Atual, ao destacar que até agora Cardozo não tomou medidas contra os abusos cometidos por delegados na operação Lava Jato, que investiga propinas em contratos da Petrobras.

Vannuchi lembra que entre episódios de delgados que defenderam o candidato Aécio nas eleições de 2014, um deles chamou Lula de “anta”. “E como o ministro da Justiça não fez nada, fica um pouco inconsistente ele dizer que não, que ele é um ministro 'mão pesada', que ele já afastou 65 pessoas, que ele não pode ir além do que faz”.

A tônica do depoimento do ministro ontem foi defender a presidenta Dilma e também disse que o governo não interfere em inquéritos da Polícia Federal. “Enquanto eu estiver, o ministro de Estado da Justiça jamais atuará no sentido de controlar as investigações”, afirmou sobre a operação Lava Jato. De fato, um ministro não pode intervir em investigação. Como também não pode admitir abusos, ilegalidades e parcialidade dos agentes.

O depoimento à primeira vista foi positivo para o ministro, porque hoje ele está em uma posição fragilizada, disse Paulo Vannuchi. “É um ministro que fica entre sai e não sai (do governo), já confessou que gostaria de sair, repetiu ontem que existe fadiga de material em cada ministro e que ele fica se a Dilma quiser que ele fique”.

“A pergunta da política é se ele vai prosseguir, se ele deveria prosseguir, o que é ruim para um país que mais do que nunca precisa pensar em médio e longo prazo”, criticou Vannuchi, concordando com fala do ex-presidente Lula, de que a agenda do Brasil não pode ser a operação Lava Jato. “O país tem de pensar no emprego, na produção, na inflação e de como seguir adiante nos programas de combate à corrupção e também nos programas de inclusão social”.

Sobre a posição de Cardozo de que ao Ministério da Justiça não cabe direcionar a ação da Polícia Federal, Vannuchi disse: “Isso é correto, é bom, é um avanço para a democracia, um avanço do período Lula e Dilma, porque a PF era controlada sim pelo Ministério da Justiça nos governos anteriores, inclusive os casos de escutas ilegais, que se tornaram escândalos e levaram até à troca de diretores gerais da polícia”.

O ministro disse também que cabe a ele controlar ilegalidades, como abuso de poder, “que é um delito frequente da polícia”, disse Vannuchi, e que nesses casos o ministro intervém. “Existem críticas a ele (Cardozo), até de seus apoiadores, do próprio governo e do PT, de que ele diz uma coisa que deveria ter levado ao afastamento de delegados da Lava Jato, que lá nas eleições (de 2014) faziam campanha aberta na internet pelo Aécio Neves (PSDB-MG) e ao mesmo tempo seguiam trabalhando uma quantidade enorme de sigilos, de denúncias que envolviam até o próprio Aécio”.

Os vazamentos seletivos que foram se repetindo na mídia, como na revista Veja, recomendaria a um ministro com pulso firme, defende Vannuchi, promover pelo menos o afastamento desses delegados. “Ele chama a Polícia Federal e diz 'vocês levem adiante a investigação, o ministro da Justiça não vai se meter, é preciso sim botar os corruptos na cadeia doa a quem doer, mas não se pode admitir, com a sensibilidade de um processo eleitoral, que um delegado, que controla informações, que se relaciona com delatores, que pode exercer um tipo de pressão que a gente nem consegue imaginar sobre esse delator, faça uma declaração direcionada se está participando ativamente em uma disputa política”.

E quando ele diz que vai apurar as irregularidades, como por exemplo, o caso de um grampo para escutar a fala dos prisioneiros dentro de uma cela lá de Curitiba, foi denunciado na mesma CPI por um policial federal, ele responde que não, que está sendo investigado, mais ou menos algum dia haverá algum resultado.

Ouça o comentário de Paulo Vannuchi para a Rádio Brasil Atual: