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Reforma política

'Conversas reservadas' mudaram voto de 66 deputados a favor do financiamento privado

Maior contingente de deputados que aceitaram manter vínculos da política com empresas depois de intervenção direta de Eduardo Cunha é do PRB
por Hylda Cavalcanti, da RBA publicado 28/05/2015 16h36, última modificação 28/05/2015 16h48
Maior contingente de deputados que aceitaram manter vínculos da política com empresas depois de intervenção direta de Eduardo Cunha é do PRB
brasil 247 / reprodução
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Eduardo Cunha manobrou para plenário apreciar medida redigida por Celso Russomanno que liberou patrocínio empresarial de partidos

Brasília – Dos 330 que disseram sim e aprovaram a emenda aglutinativa assinada por Celso Russomanno (PRB-SP) para incluir na Constituição o financiamento privado de campanhas para partidos políticos, na noite de ontem (27), 66 mudaram o voto dado na sessão da noite anterior, quando haviam rejeitado o mesmo financiamento privado. Nos bastidores da Casa, as críticas dos que se opuseram à aprovação recaem sobre o peso que tiveram as conversas reservadas mantidas pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), o líder do PMDB, Leonardo Picciani (RJ), e integrantes do PRB junto a colegas parlamentares na tentativa de convencê-los a mudar seus votos. Uma estratégia que teve o devido respaldo do vice-presidente da República, Michel Temer.

Conforme o resultado divulgado pela Secretaria-Geral da Mesa da Câmara, os partidos cujos deputados mudaram em maior quantidade seus votos foram o PMDB (que teve sete dos que votaram não ao financiamento na terça-feira e votaram sim ontem), o DEM (com sete parlamentares que mudaram de posição), e o PP (que teve quatro deputados com mudança de posicionamento).

Mas o grande diferencial foi dado pelo PRB. Dos 20 deputados que integram a bancada da legenda, 18 tinham votado pelo não à emenda. Já ontem, foram favoráveis à emenda aglutinativa do correligionário Russomanno.

“Sabíamos que quem votou contrário na terça-feira, não necessariamente votaria contra nesta última sessão. Muitos deputados do PMDB, pelo menos, já tinham dito que se se tratasse do financiamento para partidos, mudariam o voto. Por isso que lutamos pela continuidade da votação sobre o tema, porque entendemos ser legítimo apreciar cada um dos modelos de financiamento”, acentuou Picciani.

São apontados entre os fatores que levaram à diferença de posicionamentos entre a votação da terça e da quarta-feira a insatisfação registrada pelos parlamentares com as medidas tomadas por Cunha que antecederam a primeira votação, sobretudo quando trocou de última hora o relator da proposta, Marcelo Castro (PMDB-PI), e o submeteu ao que foi considerado por muitos como uma “humilhação pública”.

“A votação de terça-feira foi realizada em cima do choque dos deputados com o que aconteceu em relação a Marcelo Castro e em meio a vários atos de solidariedade a ele”, afirmou Glauber Braga (PSB-RJ), que horas antes do resultado da sessão de ontem já imaginava o desfecho e criticou a postura de Cunha de voltar a submeter a matéria a nova votação.

No total, a emenda recebeu 330 votos favoráveis e 141 contrários. Teve ainda uma abstenção e a obstrução dos quatro parlamentares – os que integram a bancada do Psol. Na sessão de quarta-feira, o financiamento privado teve 264 votos favoráveis e 207 contrários, mas a emenda foi rejeitada pelo fato de, por se tratar de uma proposta de emenda à Constituição (PEC), serem necessários um mínimo de 308 votos favoráveis.

Acompanhe, abaixo, por partido, o nome de todos os deputados que mudaram seus votos entre uma e outra sessão e terminaram concordando, ontem, com o financiamento privado de campanhas:

DEM:

Jorge Tadeu Mudalen (SP)

Mandetta (MS)

Misael Varella (MG)

Moroni Torgan (CE)

Professora Dorinha Seabra Rezende (TO)

(5)

PDT:

Roberto Góes (AP)

(1)

PHS:

Diego Garcia (PR)

(1)

PMDB:

Baleia Rossi (SP)

Lelo Coimbra (ES)

Marinha Raupp (RO)

Rodrigo Pacheco (MG)

Ronaldo Benedet (SC)

Roney Nemer (DF)

Vitor Valim (CE)

(7)

PMN:

Antônio Jacome (RN)

Hiran Gonçalves (RR)

(2)

PP:

Conceição Sampaio (AM)

Missionário José Olímpio (SP)

Odelmo Leão (MG)

Sandes Júnior (GO)

(4)

PR:

Cabo Sabino (CE)

Lincoln Portela (MG)

Paulo Freire (SP)

(3)

PRB:

Alan Rick (AC)

André Abdon (AP)

Antonio Bulhões (SP)

Carlos Gomes (RS)

Celso Russomano (SP)

Cleber Verde (MA)

Fausto Pinato (SP)

Jhonatan de Jesus (RR)

Jony Marcos (SE)

Marcelo Squassoni (SP)

Márcio Marinho (BA)

Roberto Alves (SP)

Roberto Sales (RJ)

Ronaldo Martins (CE)

Rosangela Gomes (RJ)

Sérgio Reis (SP)

Tia Eron (BA)

Vinícius Carvalho (SP)

(18)

PROS:

Domingos Neto (CE)

Leônidas Cristino (CE)

Rafael Motta (RJ)

(3)

PRB:

Marcelo Álvaro Antônio (MG)

(1)

PRTB:

Cícero Almeida (AL)

(1)

PSB:

João Fernando Coutinho (PE)

Valadares Filho (SE)

(2)

PSC:

Edmar Arruda (PR)

Marcos Reategui (AP)

Marco Feliciano (SP)

Professor Victorio Galli (MT)

Raquel Muniz (MG)

(5)

PSD:

Paulo Magalhães (BA)

Sérgio Brito (BA)

(2)

PSDC:

Aluísio Mendes (MA)

(1)

PSL:

Macedo (CE)

(1)

PT do B:

Luiz Tibé (MG)

Pastor Franklin (MG)

(2)

PTN:

Bacelar (BA)

(1)

PV:

Dr. Sinval Malheiros (SP)

Penna (SP)

Sarney Filho (MA)

Victor Mendes (MA)

(4)

SDD:

Augusto Carvalho (DF)

Eliseu Dionísio (MS)

(2)