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664 e 665

Câmara cumpre agenda apertada para definir votação de MPs do ajuste

PMDB diz que só vota favoravelmente com o apoio formal do PT; bancada petista está reunida para definir posicionamento
por Hylda Cavalcanti, da RBA publicado 06/05/2015 14h58, última modificação 06/05/2015 15h13
PMDB diz que só vota favoravelmente com o apoio formal do PT; bancada petista está reunida para definir posicionamento
Jefferson Rudy / Agência Senado
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Estratégia de tantos encontros é uma forma de aparar arestas para garantir a votação das medidas provisórias 664 e 665

Brasília – Reuniões de líderes com ministros, de peemedebistas com o vice-presidente e, agora, da bancada do PT. Esta está sendo a agenda dos parlamentares na Câmara desde o início da manhã de hoje (6), pelos deputados da base aliada do governo. A estratégia de tantos encontros é uma forma de aparar arestas para garantir, logo mais, a votação das medidas provisórias 664 e 665, referentes ao pacote de ajuste fiscal do governo. Diante de toda a confusão observada no dia de ontem, os deputados resolveram se programar melhor e definir pontos que ainda não são tidos como “muito claros”.

O vice-presidente, Michel Temer, recebeu em seu gabinete, para uma nova conversa sobre o apoio dos peemedebistas à matéria, deputados da legenda, líderes da base aliada e o líder governista, José Guimarães (PT-CE). Ele também esteve no Palácio do Planalto para falar com ministros da área de articulação política do governo.

Desde o meio-dia toda a bancada do PT voltou a se reunir (é a terceira reunião desde ontem) para confirmar a posição fechada do partido favorável às MPs. Segundo Guimarães e o líder do PT, Sibá Machado (AC), esse apoio já foi definido ontem. Mas muitos deputados de outras legendas afirmam que, em conversa com integrantes da legenda do governo, a dúvida continua e o apoio não é unificado.

Convencimento

O líder do PMDB, Leonardo Picciani, confirmou no final da manhã que o partido aguarda um posicionamento em favor do ajuste pelo PT. “Só votaremos com esse posicionamento”, destacou. “Se o partido da presidente da República não tiver esse convencimento, o PMDB também não terá. Não seremos nós, os peemedebistas, que vamos aprovar a retirada de direitos dos trabalhadores se assim os petistas considerarem”, afirmou.

Em meio a toda a confusão, partiu da deputada Jandira Feghali, líder do PCdoB, um dos papéis mais intensos. A deputada tem sido uma das aliadas mais fortes do PT nesta briga, não pelo apoio ao governo propriamente, mas por fazer a crítica de uso do que chama de tática de “demagogia e oportunismo” por parte da oposição.

Em plenário, a deputada disse que não acha simpáticas as MPs e preferiria que não fossem apreciadas, mas seu partido considera um mal menor votar favorável aos dois textos e, dessa forma, garantir um equilíbrio na economia do país.

‘Discurso bonito’

“Estou vendo, nos últimos dias, posicionamentos contra as matérias do ajuste e um discurso bonito por pessoas que conheço há anos nesta Casa e nunca defenderam direitos dos trabalhadores. Pelo contrário, são aqueles que sempre estiveram à frente da aprovação de matérias que suprimem direitos e, agora, estão subindo ao plenário com essa manobra oportunista”, acentuou Jandira.

Há pouco, o líder do governo disse acreditar que estão criadas as condições para que as duas medidas provisórias sejam votadas. “Por incrível que pareça, essas matérias não têm divergências sobre o conteúdo delas (664 e 665)”, destacou.

Guimarães ressaltou que considera a questão envolvendo o PMDB superada. “Quando eles se conscientizarem da definição do PT, esse problema acaba e a base se unificará”, ressaltou. A votação começa assim que acabar a reunião da bancada do PT.

No momento, o plenário está sendo ocupado por deputados em pronunciamentos, com manifestações contrárias e favoráveis aos textos das MPs.