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35 anos

Em ato político de aniversário, PT enfatiza reforma política e combate à corrupção

Em discurso, ex-presidente Lula lembrou necessidade de pôr fim ao financiamento de campanhas por empresas. Dilma reafirmou compromisso de investigar denúncias na Petrobras
por Bruno Vieira, para a RBA publicado 06/02/2015 20h21, última modificação 09/02/2015 18h26
Em discurso, ex-presidente Lula lembrou necessidade de pôr fim ao financiamento de campanhas por empresas. Dilma reafirmou compromisso de investigar denúncias na Petrobras
Ricardo Stuckert/Instituto Lula/Fotos Públicas
Mujica

O governador de Minas, Fernando Pimentel, com Mujica, Dilma e Lula

Belo Horizonte – Na noite de hoje (6), Belo Horizonte abrigou a comemoração dos 35 anos do PT. O evento, realizado no Minascentro (região central da capital mineira), contou com a participação de mais de mil militantes de diversas partes de Minas Gerais e do país. Os discursos enfatizaram a necessidade de uma reforma do sistema política e as ações de combate à corrupção.

Do lado de fora, antes do início do ato político, a fila de militantes do PT que desejava entrar para a cerimônia virava a esquina da rua Santa Catarina. Na paralela rua Curitiba, em tom de provocação, militantes pró-Aécio Neves estampavam cartazes com dizeres como "Fora PT" e "Tá chovendo lama", em referência às denúncias de escândalos da Petrobras. Do lado de dentro, o teatro, que tem capacidade para 1.200 pessoas, já se encontrava lotado antes do início.

Na mesa, estavam a presidenta Dilma Rousseff, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente do Uruguai, José Mujica. Também estavam presentes os governadores de Minas, Fernando Pimentel, do Piauí, Wellington Dias, do Ceará, Camilo Santana, da Bahia, Rui Costa, e do Acre, Tião Viana. Além deles, o presidente da Fundação Perseu Abramo, Marcio Pochmann, o presidente da CUT, Vagner Freitas, e o dirigente do MST Alexandre Conceição.

Aos brados de “Lula, guerreiro do povo brasileiro”, o ex-presidente Lula fez um discurso atípico: em vez de improvisar, preferiu ler um texto pronto, relatando a história do partido, nascido em fevereiro de 1980. Recordando as palavras do manifesto escrito na criação do PT, afirmou que a ideia de reforma política já estava presente no documento original de fundação da legenda. "Nós precisamos acabar com o financiamento privado de campanhas. É nesse ambiente que algumas pessoas cometem desvios e enfraquecem a nossa história e nosso partido. Não é inédito, aconteceu no mundo, mas esse processo está chegando ao limite no nosso partido. Não esqueçamos que o PT nasceu para ser diferente."

Lula ainda ressaltou que a política do partido no governo foi de dinamização do mercado interno e do combate à pobreza. "O PT introduziu uma nova forma de governar, com a participação direta da população nas decisões, por meio do Orçamento Participativo e dos Conselhos para discussão de políticas públicas. Participou também de movimentos sociais de rua, pela redemocratização do país, apresentamos na Constituinte as propostas mais avançadas", lembrou.

Petrobras

De maneira enfática, o ex-presidente acusou a mídia tradicional de tratar as denúncias de corrupção na Petrobras com o objetivo de criminalização do partido. Ressaltou que todos os casos estão sendo investigados e que não haverá leniência com os corruptores. "Se alguém traiu nossa confiança, que seja punido na forma da lei. Diferentemente dos nossos adversários, o PT não compactua com impunidade", afirmou.

Lula também fez uma inferência direta à presidenta Dilma, mostrando apoio às suas medidas implementadas para o segundo governo. "Dilma, tenho certeza de que você vai entregar no futuro algo muito melhor do que já foi feito. Faça o que tem que ser feito, quem vai agradecer será o povo do país. Sua obrigação é de governar não para mim ou para o Rui Falcão (presidente nacional do PT), mas para o povo brasileiro."

Comunicação

Dilma abriu sua fala dirigindo um cumprimento especial ao presidente uruguaio. Em seguida, a presidenta enfatizou a erradicação da miséria extrema e as mudanças sociais ocorridas nos 12 anos de PT no governo federal. "O objetivo principal dos nossos mandatos foi preparar o Brasil para uma nova etapa de desenvolvimento, com prioridade absoluta em educação. Aqueles que se elevam da pobreza têm na educação uma força fundamental de avançar. Transformar o Brasil numa pátria educadora é transformar o país numa nação desenvolvida neste canto do mundo. O voto popular deu legitimidade para continuarmos as mudanças."

Sobre a questão econômica, Dilma afirmou que os ajustes que estão sendo feitos "são necessários para ampliar oportunidades e que preservemos todas a prioridades econômicas e sociais no plano social dos governos do PT, meu e do Lula. As mudanças dependem da credibilidade da nossa economia, precisamos garantir a sua solidez. Nós fazemos equilíbrio porque queremos garantir emprego e renda. Não fizemos o que se faz na Europa: desempregar e reduzir renda. Mas chegamos ao limite e é preciso fazer ajustes".

A presidenta conclamou a militância a divulgar mais e melhor os avanços conquistados pelos governos petistas. "Nós devemos enfrentar o desconhecimento e a desinformação sempre e permanentemente. Não podemos permitir a falsa versão."

Dilma também conclamou a militância e a sociedade à mobilização por uma reforma política que amplie a representação popular no Legislativo. "Reforma política é tarefa do Congresso mas cabe a nós impulsionar o processo, exigindo, por exemplo, o fim de financiamento empresarial de campanhas eleitorais."

Depois de passar por temas como o respeito às populações minoritárias, a necessidade de enfrentar o genocídio da juventude negra, a igualdade de direitos entre homens e mulheres e o luta pelo fim da violência contra a mulher, Dilma tocou no assunto do momento: as denúncias de corrupção na Petrobras. "Fomos nós que criamos as condições para que hoje se apurem as todas as denúncias de corrupção", iniciou.

Ela reafirmou que seu governo continuará patrocinando as investigações na estatal e que os implicados em crimes serão punidos após passarem pela Justiça, mas defendeu a necessidade de preservar a instituição. "A Petrobras é a empresa mais estratégica para o país, a que mais contrata e a que mais investe no Brasil."

Lembrou ainda que o sucesso da estatal contraria interesses de corporações internacionais e insistiu que seu governo manterá a política de nacionalização da cadeia produtiva de petróleo e derivados. "Vamos acreditar na mais brasileira das empresas do país. Ela só será realmente grande se for cada vez mais brasileira."

Finalizando, a presidenta reforçou a necessidade de se preservar a história construída nos 12 anos do governo do PT e dos 35 anos de fundação do partido. "Diante da crise, sempre tivemos força para reagir. Os que estão inconformados com o resultado das urnas só têm medo da participação popular, ele têm medo da democracia. Mas temos força para resistir ao golpismo e ao retrocesso. Estamos juntos e misturados."


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