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Câmara Alta

Senado também vive expectativa sobre presidente a ser eleito

Apesar do favoritismo de Renan Calheiros, dia foi de tensão e articulações entre lideranças partidárias, com crescimento de apoios ao senador Luiz Henrique
por Hylda Cavalcanti, da RBA publicado 01/02/2015 08h51
Apesar do favoritismo de Renan Calheiros, dia foi de tensão e articulações entre lideranças partidárias, com crescimento de apoios ao senador Luiz Henrique
Marri Nogueira/Agência Senado
Humberto Costa

Depois de o partido ter liberado votos de sua bancada, líder do PT, Humberto Costa, confirmou apoio a Calheiros

Brasília – Embora com movimentação muito menor que a da Câmara, o Senado Federal também viveu um dia de reuniões e acertos para a eleição à presidência da Casa, a ser realizada logo após a posse dos senadores, por volta das 15h deste domingo.

Mesmo com a disputa bem menos alardeada que a travada pelos deputados e com a recondução do atual presidente, Renan Calheiros (PMDB-AL) praticamente dada como certa, a entrada em cena do senador Luiz Henrique Silveira (PMDB-SC) interferiu na certeza deste placar.

Há um senso comum de que, mesmo vencendo, Calheiros terá prestígio reduzido na nova legislatura em razão da quantidade menor de votos que receberá – resultada de campanha que estaria sendo articulada por um grupo de parlamentares que se posicionam contrários a ele. Grupo do qual fazem parte, inclusive, integrantes do PT.

O presidente do PSDB, senador Aécio Neves (MG), afirmou há pouco que todos os tucanos votarão no senador Luiz Henrique. O PSB, que pretendia lançar o senador Antonio Carlos Valadares (SE) para fazer contraponto ao nome de Calheiros, mudou de ideia por considerar mais produtivo votar no senador catarinense.

O PT não havia até ontem fechado questão em torno de nome algum, deixando livres os parlamentares da sigla para optarem por quem quiserem. Mas no final da noite, depois de longa reunião, a bancada decidiu formalizar o apoio a Calheiros. O líder do PT, senador Humberto Costa (PE), explicou que a opção foi manter o apoio ao candidato indicado oficialmente pela bancada do PMDB, observando os princípios da autonomia e da proporcionalidade.

"Todos temos enorme respeito ao Luiz Henrique, que é um dos melhores quadros de que dispomos. Mas temos de cumprir o compromisso histórico que o PT sempre teve: respeitar a proporcionalidade e as decisões das bancadas", afirmou Humberto, referindo-se ao apoio formal do PMDB ao alagoano.

O atual presidente e candidato à reeleição, que tem adotado uma postura mais discreta, disse que tudo o que pedia era coerência por parte do PMDB, já que o partido oficializou o apoio a ele – e Luiz Henrique integra a legenda.

Mas apesar de ter sido uma decisão considerada tardia por alguns analistas, a tarde foi de especulações sobre manobras para que senadores licenciados por estarem ocupando secretarias em governos estaduais (e que por terem mandatos de oito anos não precisariam ser empossados) fossem convocados a vir a Brasília para reforçar o voto em Calheiros.

O senador José Sarney (PMDB-MA), que está deixando a vida pública, tem atuado como um dos principais interlocutores em favor do correligionário alagoano.

“Minha atuação como presidente será institucional, dentro do que necessita a Casa”, afirmou o senador Luiz Henrique. “O que queremos mais é um compromisso de quem ganhar com as pautas programáticas a serem votadas na próxima legislatura pelo bem do país”, acrescentou Humberto Costa.