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Lula e senadores peemedebistas conversam sobre relação do partido com Executivo

Ajuste fiscal também foi tema da reunião na casa do líder do partido no Senado, Renan Calheiros, que disse ser preciso "construir alternativas" às MPs 664 e 665, que limitam benefícios ao trabalhador
por Karine Melo, da Agência Brasil publicado 26/02/2015 15h45
Ajuste fiscal também foi tema da reunião na casa do líder do partido no Senado, Renan Calheiros, que disse ser preciso "construir alternativas" às MPs 664 e 665, que limitam benefícios ao trabalhador
Ricardo Stuckert/Instituto Lula
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Lula e os senadores: ex-presidente pediu apoio para que sejam construídas saídas políticas e econômicas para o país

Brasília – Senadores do PMDB reuniram-se na manhã de hoje (26), na residência do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), com o ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva. Ao deixar o encontro, o líder do partido na Casa, Eunício Oliveira (CE), disse que um dos assuntos discutidos foi a relação entre a legenda e o Executivo. “A preocupação é com o relacionamento. Ninguém tem que esconder que há neste momento uma angústia do ponto de vista da coalizão política com o principal partido, o PMDB”, disse Eunício.

Ele definiu o encontro com Lula como uma conversa política amistosa entre “velhos amigos”. Para ele, o ex-presidente é um “otimista da política brasileira, um incentivador e um porto seguro do ponto de vista da conversa política” para os parlamentares. Ontem (25), Lula reuniu-se em Brasília com senadores do PT na casa do vice-presidente do Senado, o petista Jorge Viana (AC).

Outra preocupação evidenciada pelos peemedebistas no encontro foi o ajuste fiscal proposto pelo governo. “O PMDB está muito unido em torno dessa possibilidade de que nós tenhamos um ajuste com começo, meio e fim para que todos saibam que o ajuste não ficará apenas naquelas mudanças contidas nas medidas provisórias (MPs 664 e 665), que transferem uma parte do problema para a parcela mais pobre da população. É preciso construir alternativas para o ajuste”, alertou Renan Calheiros.

As MPs alteram regras do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) e da Previdência Social, aumentando o rigor para a concessão do abono salarial, do seguro-desemprego, do seguro-defeso dos pescadores artesanais, a pensão por morte e o auxílio-doença. Apesar de já estarem valendo, as MPs precisam ser votadas no Congresso Nacional até o dia 2 de abril, para que não percam a validade.

De acordo com Renan, Lula pediu que o partido apoie o governo. “O presidente (Lula) não falou especificamente (sobre o ajuste fiscal), mas demonstrou muitas convergências com todos nós. Ele pediu apoio para que sejam construídas saídas políticas e econômicas para o Brasil.”

Segundo Renan, o ex-presidente está disposto a ajudar e no encontro admitiu que o PMDB precisa ter um papel mais protagonista no governo. De acordo com relato de Renan, Lula lembrou que, quando era presidente, sempre envolvia o vice, José Alencar, nas decisões e defendeu o mesmo tratamento para Michel Temer, presidente da legenda e vice-presidente da República. "É preciso que o governo envolva o vice-presidente Michel Temer em todas as decisões, porque ninguém melhor que Michel (Temer) interpreta o sentimento do partido como um todo”, ressaltou Renan.