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Prefeitos da Grande SP cobram de Alckmin informação e plano sobre crise hídrica

Secretário estadual de Recursos Hídricos se reuniu com prefeitos da região metropolitana e buscou minimizar risco de racionamento de água, dizendo que população não deve se desesperar
Publicado por Rodrigo Gomes, da RBA
13:28
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Luiz Carlos Murauskas/Folhapress
haddad braga

Haddad (esq.) quer que Braga (dir.) instale comitê com participação de prefeitos para gerir a crise em São Paulo

São Paulo – Prefeitos de municípios da região metropolitana de São Paulo cobraram hoje (28) do governo de Geraldo Alckmin (PSDB) planos de contingência e de comunicação para o enfrentamento da crise hídrica. O grupo defende a criação de um comitê de crise para atuação em conjunto. Porta-voz do grupo, o prefeito da capital, Fernando Haddad (PT), criticou a postura do governador e de seus auxiliares de não esclarecer a população sobre a dimensão do problema: “O cenário de dois três meses atrás, divulgado pelas autoridades competentes, era de que não faltaria água. Não se confirmou e muita gente está desavisada sobre a severidade da crise”.

Durante a campanha eleitoral, Alckmin repetiu em debates e programas de rádio e TV que não faltava e não faltaria água. Ontem (27), o diretor metropolitano da Companhia de Saneamento Básico de São Paulo (Sabesp), Paulo Massato, disse que se a chuva não cair como esperado, o rodízio aplicado teria de ser de dois dias com água e cinco dias sem. Além disso, a Sabesp ampliou o tempo de redução de pressão na rede de água, fazendo com que a população de regiões altas e periféricas passe mais horas sem abastecimento.

Sobre a informação do possível rodízio, recebida por meio da imprensa, Haddad afirmou que a falta de transparência da Sabesp não é só com a população. “Foi uma surpresa tão grande para nós quanto foi para vocês”, disse aos jornalistas, após reunião com o secretário estadual de Recursos Hídricos, Benedito Braga. O encontro ocorre nove meses depois do primeiro pedido feito pelos prefeitos para discutir a crise. Em abril do ano passado, eles não foram atendidos pelo governo.

Braga, no entanto, tentou minimizar a situação, disse que não há motivo para desespero. e que o racionamento está sendo estudado, mas sem previsão para ser implementado. “É uma coisa complexa, não se faz da noite para o dia”, afirmou – ignorando as críticas e alertas de especialistas de que a crise hídrica não foi prevista da noite para o dia.

O secretário ressaltou que o plano de rodízio deve levar em conta que alguns locais, como hospitais e presídios, não podem ficar se água, o que vai exigir adequações do sistema de distribuição.

Os prefeitos pediram que o governo adote três medidas em caráter emergencial. A primeira é a instalação de um comitê de crise, para fazer o acompanhamento da situação e das medidas necessárias e aplicadas. Contaria com a participação de todos os prefeitos da região metropolitana, do próprio secretário estadual e do presidente da Sabesp, Jerson Kelman.

Outra é estabelecer um plano de contingência, estabelecendo cenários de agravamento ou de melhoria na crise e as providências para cada um deles, além do sistema de funcionamento do rodízio e a garantia de abastecimento de equipamentos públicos essenciais. Esta ação deve ser aliada a um plano de comunicação, que deixe a população ciente de todas as medidas e da situação real do sistema de abastecimento.

O plano de contingência já é um problema para a Sabesp, que elaborou dois documentos, mas teve ambos rejeitados pela Agência Nacional de Águas (ANA), por pretender continuar retirando sempre o mesmo volume de água do Sistema Cantareira e não apresentar cenários condizentes com a realidade.

Para os prefeitos, mais que uma questão de abastecimento de água, o problema envolve serviços públicos como segurança e saúde. “São temas onde haverá repercussão se o rodízio for implementado, sobretudo com essa severidade. Ninguém aqui quer criar mais problemas. São medidas para enfrentar a crise com responsabilidade”, completou Haddad. O secretário se comprometeu a levar as propostas ao governador e responder ao pedido em dez dias.

Braga apresentou ainda uma proposta de punição para as pessoas que utilizarem água potável para lavar calçadas ou veículos. “Queremos estabelecer as competências das cidades para orientar a população a economizar e fiscalizar o desperdício”, explicou o secretário. A ideia será analisada pelos prefeitos, mas se resume a enviar projetos de lei para as câmaras de vereadores dos municípios com a proposta e garantir seu cumprimento.