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Bancada de Alckmin rompe acordo e frustra instalação de CPI da USP

Deputados da base governista não compareceram à primeira reunião da comissão criada para investigar violência nas universidades paulistas. Tucano que chegou atrasado promete que amanhã estará presente
por Eduardo Maretti, da RBA publicado 16/12/2014 18h03, última modificação 16/12/2014 18h43
Deputados da base governista não compareceram à primeira reunião da comissão criada para investigar violência nas universidades paulistas. Tucano que chegou atrasado promete que amanhã estará presente
Divulgação/Alesp
Alesp

Diogo critica adoção de manobras protelatórias sobre assunto que foi objeto de acordo de lideranças

São Paulo – A audiência de instalação da CPI da USP, prevista para hoje (16) na agenda da Assembleia Legislativa de São Paulo, foi frustrada por falta de quórum. Os cinco membros da bancada do governo Geraldo Alckmin (PSDB) faltaram em bloco. "Embora estivesse tudo combinado com todas as lideranças, que inclusive forneceram os nomes dos membros, os deputados não apareceram. Não recebemos nenhuma justificativa para essa ausência coletiva", protestou o deputado Adriano Diogo (PT), que propôs a comissão.

Uma hora depois do horário previsto para o início da sessão (14h), o deputado Carlos Bezerra Jr. (PSDB), cotado para ser o relator, apareceu. Mas, pelo regimento, a reunião da CPI não podia mais ser realizada (a sessão é suspensa se não houver quórum em até 15 minutos). Já com a reunião inviabilizada, chegou mensagem do deputado tucano Bruno Covas justificando a falta devido a "compromissos assumidos anteriormente".

Bezerra Jr. alegou que uma “intercorrência” o impediu de estar na sessão no horário agendado. A reunião de instalação da CPI foi remarcada para amanhã, às 14h, com a promessa de Bezerra de que comparecerá.

A sessão desta terça elegeria o presidente e o relator da CPI. "Estou profundamente envergonhado", afirmou Adriano Diogo. O deputado Carlos Giannazi (Psol), um dos representantes da oposição, dizia antes mesmo do horário previsto que achava que a bancada governista não daria quórum. Após a confirmação do "W.O.", disse: "o PSDB tem sistematicamente sabotado as CPIs. Esta é mais uma".

Mesmo com a justificativa de Bezerra de que se compromete a comparecer na reunião de amanhã, Diogo acredita que os parlamentares do governo estão conseguindo protelar a instalação, o que pode inviabilizar os trabalhos, já que esta é a última semana "útil" da Assembleia em 2014, e em janeiro haverá o recesso. A CPI deve ser encerrada em 15 de março. Deveria ter sido instalada na semana passada, mas, segundo ele, o líder do PSDB, Cauê Macris, não indicou os membros do PSDB a tempo. “Não existe nenhuma manobra de esvaziamento, tanto é que estou aqui”, justificou Bezerra.

Além dele, os representantes governistas da CPI são Bruno Covas (PSDB), Ulysses Tassinari (PV), Jorge Caruso (PMDB) e José Bittencourt (PSD). Além dos deputados Giannazi e Diogo, estiveram presentes, entre os oposicionistas, os deputados Marco Aurélio de Souza (PT) e Sarah Munhoz (PCdoB).

Diogo estranha o fato de a criação da CPI ter sido viabilizada por acordo de lideranças, incluindo o líder do governo na Assembleia, Barros Munhoz (PSDB), e a instalação ser objeto de manobras protelatórias. “Deve ter havido algum elemento que mudou a conjuntura. Eles deram as assinaturas necessárias e agora estão recuando. Estava tudo correndo a favor, de repente o que aconteceu? Caiu a lona do circo?”

Sobre as ironias do petista e suposta intenção protelatória desde a semana passada, Bezerra Jr. disse que são ilações. “Não vou falar sobre indagações, ilações. Vou falar sobre aquilo que é posto”, reagiu.

Segundo o petista, artigo do professor titular de urologia da Faculdade de Medicina da USP Miguel Srougi, na Folha de S. Paulo de domingo (14), em defesa da instituição apenas dois dias antes da instalação da CPI, é “como um cala-boca”. No texto, Srougi afirma que “a FMUSP foi difusamente demonizada pela imprensa e apontada como covil habitado por docentes que compactuam com as indecências e por alunos estupradores”. Afirmou também que esse sentimento “foi amplificado imerecidamente por alguns membros da instituição, acometidos por moralismo oportunista ou frustrações acadêmicas”.

Diogo disse que o número de denúncias sobre casos de violência nas universidades é enorme e cresce sem parar.