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Parte do PT repele PMDB e fala em Freixo 2016; outra parte quer reatar

Candidatura de Lindberg no RJ e apoio de peemedebistas a Aécio abriram feridas. Necessidade de boa relação do estado com Dilma, e do Planalto com o PMDB, pesam de um lado; manutenção da aliança de esquerda, de outro
por Maurício Thuswohl publicado 02/11/2014 14h09, última modificação 02/11/2014 17h17
Candidatura de Lindberg no RJ e apoio de peemedebistas a Aécio abriram feridas. Necessidade de boa relação do estado com Dilma, e do Planalto com o PMDB, pesam de um lado; manutenção da aliança de esquerda, de outro
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O objetivo manifestado por parte do PT do Rio é ampliar a aliança à esquerda e apoiar Marcelo Freixo (foto)

Rio de Janeiro – A relação entre o PT e o PMDB nunca mais será a mesma no Rio de Janeiro depois das eleições de 2014. No que depender da vontade de gente importante de ambos os partidos, dificilmente serão fechadas as feridas resultantes do rompimento dos petistas com o governo de Sérgio Cabral e Luiz Fernando Pezão, com o lançamento da candidatura própria do PT ao governo estadual, e do apoio de parte do PMDB fluminense a Aécio Neves. As consequências desse distanciamento podem ter reflexos imediatos na aliança nacional e, certamente, desaguarão na disputa pela sucessão do prefeito do Rio, o peemedebista Eduardo Paes, em 2016.

Do lado petista, parte do partido, capitaneada pelos deputados estaduais reeleitos Carlos Minc e Zaqueu Teixeira, ambos ex-secretários do governo Cabral, e pelo prefeito de Niterói, Rodrigo Neves, defende uma reaproximação com Pezão, embora o próprio governador considere essa reunião “pouco provável” nos próximos meses: “Foi o PT que quis romper e sair do governo. Lançou candidato próprio e metade do partido apoiou meu adversário no segundo turno. Tenho muito boa relação com a presidenta Dilma e com vários petistas, mas o natural nesse primeiro momento é compor com quem me apoiou”, diz.

O recado de Pezão tem como endereço o presidente regional do PT, Washington Quaquá, e o candidato derrotado do partido ao Palácio Guanabara, senador Lindberg Farias. Ambos articularam o apoio a Marcelo Crivella (PRB) no segundo turno contra Pezão. E, nas palavras do governador reeleito, “dinamitaram algumas pontes” da aliança regional com o PMDB.

Para azedar ainda mais a relação, as tendências mais à esquerda do PT avaliam que, apesar da ter conquistado somente 10% dos votos, a candidatura de Lindberg foi vitoriosa por aglutinar, pela primeira vez, no estado, um campo de esquerda com PCdoB, PV e PSB.

O objetivo manifestado agora por esse setor do PT é ampliar ainda mais a aliança à esquerda e isso poderá ocorrer com a costura do apoio dessas legendas ao deputado estadual Marcelo Freixo, do Psol, candidato natural à disputa pela prefeitura daqui a dois anos: “A candidatura própria do PT finalmente tirou nosso partido da órbita do PMDB. Agora, queremos reconstruir o campo de esquerda e o apoio a Freixo é uma ideia que empolga a militância petista”, comenta Quaquá.

Essa aproximação já teve resultados práticos nestas eleições. Embora o Psol, oficialmente, tenha “liberado” o voto da militância no segundo turno das eleições, importantes lideranças, como os deputados federais Jean Wyllys e Chico Alencar, além do próprio Freixo, manifestaram apoio à Dilma na disputa contra Aécio: "O grande gesto político do Freixo em apoiar a Dilma abriu as portas para o apoio do PT a sua candidatura em 2016. Além disso, o Psol será muito bem-vindo a esse campo de esquerda que formamos", completa Quaquá.

A volta de Picciani

Se as desavenças nas eleições de 2014 deixaram o PT dividido sobre o futuro da relação política com o antigo aliado no Rio de Janeiro, o mesmo ocorre com o PMDB. Magoado com Dilma e o PT desde que a candidatura ao Senado em 2010 naufragou diante de Lindberg e Crivella, ambos apoiados pela presidenta e também pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Jorge Picciani, presidente regional do PMDB e principal artífice do apoio a Aécio, voltará a Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), casa que presidiu por oito anos, com sede de vingança. Com discurso antipetista, Picciani, que tem o apoio interno de Sérgio Cabral, já articula nos bastidores a recondução ao posto no início da próxima legislatura: "A maioria do partido está comigo", diz.

No entanto, o desejo de boa relação com o governo federal faz com que outra parte do PMDB fluminense repudie a posição de Picciani, acentuando a divisão na direção do partido. O atual presidente da assembleia, deputado Paulo Melo, que, ao lado de Pezão e de Paes, fez campanha para Dilma no segundo turno, já afirmou que não pretende ceder espaço: “Tanto um (Cabral) quanto outro (Picciani) ficaram oito anos na presidência da Alerj, e eu só estou há quatro anos. Querer que eu saia agora é me dar um voto de desconfiança com o qual o partido não irá concordar”, destaca.

Além da relação imediata com o Palácio do Planalto, a preocupação do grupo pró-Dilma no PMDB fluminense se volta também às próximas eleições municipais no Rio. O objetivo é atrair o PT para conter a articulação em torno de Freixo, que tem votação cada vez maior na capital e pode se tornar uma séria ameaça ao objetivo de Paes, que é aproveitar a realização das Olimpíadas para eleger o sucessor e se cacifar à disputa do governo estadual em 2018. O candidato apoiado pelo prefeito é o deputado federal reeleito Pedro Paulo, seu homem de confiança e ex-secretário da Casa Civil na prefeitura.