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depois da trapalhada

Santander afirma que vai punir responsáveis por comunicado contra Dilma

Presidente do banco diz que já foram prestados esclarecimentos a autoridades e à própria presidenta Dilma. Sindicato vai denunciar 'gestão temerária'
por Redação RBA publicado 27/07/2014 21h09, última modificação 28/07/2014 00h15
Presidente do banco diz que já foram prestados esclarecimentos a autoridades e à própria presidenta Dilma. Sindicato vai denunciar 'gestão temerária'
Marcelo Sayão/efe
emilio botín

Diferentemente do comunicado, Botín elogia economia brasileira e garante que continuará a investir no país

São Paulo – O presidente do Santander, Emilio Botín, afirmou neste domingo (27) que a instituição já se desculpou por um comunicado enviado na semana passada pelo banco a clientes no Brasil com renda superior a R$ 10 mil e que dizia que uma eventual reeleição da presidente Dilma Rousseff poderia ter efeitos negativos para a economia. Botín esclareceu que o texto "não é do banco", mas de um analista que o elaborou e enviou "sem consultar" seus superiores. Ele declarou que a divisão brasileira do banco tomou "as medidas cabíveis", sem especificá-las. Segundo Botín, o presidente do banco no Brasil, Jésus Zabalza, já prestou esclarecimentos a autoridades e à presidenta Dilma.

Em contraponto ao comunicado de cunho político-partidário, Botín reafirmou hoje sua aposta no Brasil e garantiu que continuará a investir no país. A afirmação foi feita no Rio de Janeiro, em entrevista coletiva por ocasião da apresentação da plataforma educativa MiríadaX, patrocinada pelo banco e pela também espanhola Telefônica.

O banco também enviou comunicado informando aos seus clientes que a mensagem anterior não reflete a postura da instituição. Depois da trapalhada, o Santander enfrenta uma crise de imagem, especialmente nas redes sociais, com mensagens críticas à sua postura no país, por seu alto lucro, pela postura com funcionários e até por mau atendimento. A prefeitura de Osasco, por exemplo, rescindiu contrato que tinha para pagamento de tributos municipais e indicará nova instituição aos munícipes em 30 dias.

Acompanhando a posição de Botín, o presidente da Telefônica, César Alierta, também colocou panos quentes na situação: "O Brasil vai ter um crescimento espetacular. Os governantes deste país fizeram um trabalho espetacular. O Brasil passou a ser uma referência mundial. Os brasileiros têm que estar orgulhosos". Os executivos disseram que estão "convencidos de que o futuro do Brasil é espetacular".

Alierta lembrou que as duas companhias decidiram investir no Brasil quando o clima econômico não era propício. "Se há duas companhias que investiram no Brasil somos o Santander e a Telefônica. Investimos quando ninguém queria investir. Quando Lula (o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva) ganhou as eleições (em 2002) e todos queriam vender, e nós investimos", ressaltou Alierta.

Botín ressaltou que o Banco Santander investiu US$ 27 bilhões no país e o classificou como "um objetivo prioritário" para sua empresa, que obtém no Brasil 20% de seu lucro total. "Continuamos investindo e incentivando todo mundo para que invista no Brasil", afirmou.

Gestão temerária

O Sindicato dos Bancários de São Paulo informou na sexta-feira (25) que fará reclamação formal a Botín, contra a gestão do presidente da instituição espanhola no Brasil, Jésus Zabalza. De acordo com a diretora-executiva da entidade Rita Berlofa, a “atuação alarmista” do banco em pleno ambiente eleitoral brasileiro não é um caso isolado, mas parte de um conjunto de práticas que permite classificar a gestão do Santander no país de “temerária”.

Leia a reportagem completa sobre a denúncia

 

Com informações da Agência Efe