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Sabatina na CNI

Dilma pede a industriais que se afastem de pessimismo e prega mudança com continuidade

Falando após Aécio e Campos, presidenta compara cenário econômico dos governos do PSDB e do PT, e avalia que há quem conspire 'aberta e envergonhadamente contra o financiamento público'
por Hylda Cavalcanti, da RBA publicado 30/07/2014 18h48, última modificação 31/07/2014 14h34
Falando após Aécio e Campos, presidenta compara cenário econômico dos governos do PSDB e do PT, e avalia que há quem conspire 'aberta e envergonhadamente contra o financiamento público'
Pedro Ladeira/Folhapress
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"Eu, aqui, tenho o que dizer porque eu fiz, e se eu fiz, sou capaz de fazer mais”, afirmou a petista

Brasília – Ao participar da sabatina organizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) para os presidenciáveis, a presidenta Dilma Rousseff, como já era esperado, adotou uma postura diferente da dos seus opositores, preocupando-se mais em fazer um balanço de sua gestão. “Sabemos que nos últimos anos o Brasil mudou e tem ainda muito a percorrer para mudar. Nós podemos e devemos fazer uma política em favor da indústria brasileira. Vamos entrar em um novo ciclo para o qual criamos as bases, um ciclo de competitividade produtiva”, salientou.

Dilma Rousseff destacou que manteve diálogo constante com a CNI nestes quatro anos, embora governo e entidade nem sempre tenham concordado em todos os pontos,  e enfatizou medidas adotadas que ajudaram a economia e as indústrias como um todo, como a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) de automóveis e da chamada linha branca de eletrodomésticos, além de abordar avanços observados na indústria naval.

Última a ser sabatinada, após Eduardo Campos (PSB) e Aécio Neves (PSDB), Dilma adotou tom de que é mais seguro fazer as mudanças necessárias com a continuidade de gestão.

Ao responder sobre alterações na economia e o cenário mundial, a presidenta afirmou que as ações do seu governo ajudaram a estimular a produção e o emprego no país. Ela inverteu a pergunta recebida e indagou aos representantes do empresariado presentes ao evento o que acham que teria acontecido se tais posições não tivessem sido adotadas: “Em que situação estaria a nossa indústria se, em meio à crise, não tivéssemos feito o maior volume de desoneração tributária das últimas décadas?”, perguntou.

Segundo a presidenta, algumas propostas feitas junto ao Executivo pediam que  BNDES, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal deixassem de financiar a indústria. Ela chamou essas propostas de ações de quem “conspira aberta e envergonhadamente contra o financiamento público”. "As críticas se originam dos mesmos que criticam desonerações, compras governamentais e a existência da política industrial", acentuou.

Política industrial

Ao dar destaque ao que chamou de resgate da política industrial por parte do seu governo, ela citou ações voltadas para a indústria naval e a política de compras governamentais. Disse, também, que antes do governo Lula não existia no Brasil um planejamento de longo prazo, que ia de cinco a sete anos. “Quero ver fazer uma hidrelétrica em cinco ou sete anos”, pontuou.

A visita à CNI ocorre justamente no momento em que relatórios de consultorias econômicas vendem ao mercado financeiro e ao empresariado um cenário negativo em caso de reeleição de Dilma, apostando na vistória de Aécio. Neste sentido, a presidenta pediu que os industriais se afastem do pessimismo, uma vez que o Brasil enfrentou a crise econômica com fundamentos sólidos no que se refere ao câmbio e enfrentou as taxas de juros dos últimos anos, “com um conjunto de medidas para impedir que a crise significasse uma deterioração das relações sociais e importantes no país, para não ter desemprego".  Ressaltou, ainda, que o Brasil, neste período, chegou a contratar  11,5 milhões de pessoas com carteira assinada, comparando com demissões ocorridas no período de Fernando Henrique Cardoso, aliado de Aécio.

A presidenta destacou, também, que seu governo tem compromisso com a pauta da competitividade da indústria e disse que foram firmadas diversas parcerias com o setor, que permitiram o êxito de programas importantes para o país, como o Pronatec, voltado para o ensino técnico. Sobre a área de infraestrutura e logística, acentuou que é preciso haver “novas institucionalidades” nas parcerias com o setor privado, em setores, por exemplo, como o de saneamento.

Reforma tributária

Já em relação à reforma tributária, ela ressaltou que a intenção do seu próximo governo é perseguir esta alteração, “mesmo quando a conjuntura não for favorável”. Após ser indagada sobre como reduzirá o gasto das empresas com judicialização dos direitos trabalhistas, a presidenta disse que devem ser feitas mudanças na legislação baseadas num diálogo próximo entre empresários, trabalhadores e o Congresso Nacional.

Segundo a presidenta, seu governo defende a simplificação das reformas trabalhistas e a regulamentação da terceirização, mas de forma que tais medidas não levem à precariedade do trabalho.

Dilma chamou a atenção para a importância de uma reforma política com participação popular, e a realização de um plebiscito, conforme prega a mensagem encaminhada pelo Executivo ao Congresso no ano passado, e acrescentou que dará prioridade, num segundo mandato, à reforma do Estado, com simplificação de processos, definição de novos padrões e desburocratização. Segundo ela, caso seja reeleita, deixará o país “muito mais empreendedor”. Ao ser abordada por estar próxima de ultrapassar o seu limite de tempo durante a sabatina, a presidenta aproveitou para passar um recado aos opositores. “Eu, aqui, tenho o que dizer porque eu fiz, e se eu fiz, sou capaz de fazer mais”, frisou.

A presidenta enfatizou um ponto criticado pelo seu governo, em relação às concessões. Disse que os modelos de concessão adotados em sua gestão são diferentes dos adotados pelo PSDB e trazem mais exigências de investimento. "Antes não se fazia concessão para investir, mas para manter", deixou claro.

Sobre as reclamações feitas pelos outros candidatos em relação ao grande número de ministérios em seu governo, a presidenta afirmou que gostaria que dissessem quais os ministérios acham que devem ser cortados e por que. “Eu gostaria muito de saber a sugestão concreta [dos concorrentes]. Querem acabar com o quê? O status de ministério da Secretaria das Mulheres permitiu o empoderamento das mulheres quando se trata da violência contra elas, de Direitos Humanos, dando respaldo à necessidade de combater à tortura, assim sucessivamente. Rigorosamente, elas não são um ministério no sentido orgânico da palavra, no tamanho, por exemplo, do Ministério da Fazenda, mas elas têm um motivo político de serem ministérios”, justificou.