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Sabatina na CNI

Campos destaca reforma tributária e marco da terceirização entre as prioridades

Candidato do PSB abriu o dia de sabatinas organizado pela CNI, primeiro evento que reúne os três candidatos mais bem colocados nas pesquisas para a Presidência da República
por Hylda Cavalcanti, da RBA publicado 30/07/2014 15h48, última modificação 30/07/2014 18h22
Candidato do PSB abriu o dia de sabatinas organizado pela CNI, primeiro evento que reúne os três candidatos mais bem colocados nas pesquisas para a Presidência da República
Joel Rodrigues/Folhapress
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Ao lado de Marina, Campos afirmou que PSDB e PT não têm condições de renovar o Estado e a política

Brasília – Primeiro candidato a falar nas sabatinas com os presidenciáveis organizado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), que acontece durante esta quarta-feira (30), o ex-governador de Pernambuco, Eduardo Campos, candidato à Presidência da República pelo PSB, destacou itens prioritários da proposta de governo e disse que fará uma reforma tributária em caráter imediato caso seja eleito. Ele também afirmou que trabalhará para definir o marco regulatório para a atividade de terceirização no país, além de estimular as negociações tripartites para discussão de políticas voltadas para o trabalho e emprego.

Campos adotou uma postura didática ao apresentar o programa de governo. Alfinetou a presidenta Dilma Rousseff (PT) e o senador Aécio Neves (PSDB) ao dizer que as circunstâncias que cercam os dois opositores os levam a iniciativas observadas há 30 anos e que não funcionam mais. “Não estou negando a política. Estou dizendo que, neste momento, com a atual política que vemos no país, não é possível fazer nada de renovador do Estado”, colocou, dando a entender que os dois adversários governarão dentro desse modelo mencionado por ele.

O presidenciável criticou, ainda, o que chamou de “presidencialismo de coalizão” em que os vários acordos lotam os gabinetes de pessoas indicadas politicamente sem que seja evidenciado o caráter técnico dos ocupantes dos cargos públicos. “O atual padrão de governança política faliu e não vai levar a competitividade na economia brasileira. A mudança que temos de fazer, antes de tudo, é na política, porque esse presidencialismo de coalizão não vai levar o país a um bom lugar”, frisou, acentuando que não permitiria acordos semelhantes e reduziria o número de ministérios.

“Não são necessários 39 ministérios para governar o Brasil. Não são necessários 22 mil cargos comissionados para governar o Brasil e não é necessário que o Brasil fique de joelhos à chantagem política”, ressaltou.

Mais produtividade

Eduardo Campos apontou, dentre os demais itens que pretende dar prioridade, a produtividade. Afirmou que, para o país crescer neste novo modelo, a busca pela produtividade precisa estar na cabeça do presidente e não em políticas setoriais, como, segundo acusou, é o que tem ocorrido nos últimos anos. “A produção no setor público brasileiro, hoje, é baixíssima e precisamos reverter isso. O Brasil quer o novo”, salientou.

Outro setor destacado foi a educação baseada em qualificação para professores e implementação de um sistema de escolas públicas integrais. “Enquanto tivermos a escola do rico e a escola do pobre, não teremos um país justo”, pregou.

Campos também chamou a atenção para a necessidade de mais inovação tecnológica, de forma a levar o país a avançar em atividades de pesquisa e desenvolvimento como políticas de estado. Em seguida, o ex-governador citou a necessidade de ser implementada uma nova política externa, de forma a destravar o Mercosul e fazer com que o Brasil fique mais aberto para firmar acordos comerciais bilaterais.

Em relação à infraestrutura, o candidato do PSB salientou que é preciso passar por um programa de gestão que monitore as obras e estimule a formação de parcerias público-privadas.

Reforma tributária

Sobre a reforma tributária, Campos disse que não pretende aumentar a carga tributária brasileira e que a reforma que pretende fazer seria encaminhada na primeira semana de governo ao Congresso. “Alguns aspectos terão de entrar em vigor imediatamente, outros de forma sequenciada”, explicou. “Temos que resolver essa cumulatividade em relação ao governo federal, analisando arrecadação de PIS/Cofins e ICMS, e à desoneração de investimentos", acrescentou, em resposta a uma das perguntas feitas durante a sabatina.

De acordo com o ex-governador, o país precisa recuperar o crédito que perdeu no mundo nos últimos quatro anos. Motivo pelo qual, ele acredita ser necessário fazer uma reflexão sobre a situação econômica brasileira e discutir novas agendas para a indústria e o setor produtivo. "Desde 2002 que o investimento em infraestrutura pública e privada não passa de 2,5 % do PIB. Precisamos alavancar esse investimento para algo em torno de 3,5 a 5 %”, reforçou.

Marco para terceirização

A respeito da discussão do marco regulatório da terceirização, outro tema citado por ele, o candidato pessebista considerou que é algo que precisa ser decidido com pressa. “Precisamos ter coragem para fazer esse debate”, comentou. O presidenciável disse, também, que sua proposta de governo prevê a abertura de amplo processo de negociação tripartite no país para a discussão de novas políticas para os trabalhadores.

Por fim, Eduardo Campos enfatizou a necessidade de licenciamento e regulação por meio de agências reguladoras independentes. “A regulação neste país perdeu a qualidade. As agências não podem ficar cheias de apadrinhados de políticos”, acrescentou.

A Petrobras não foi esquecida. Foi abordada em uma das perguntas feitas a ele. O presidenciável disse que o corpo técnico da estatal é qualificado, mas observa problemas no planejamento, o que, na avaliação do candidato, é uma "gestão por conveniência." “A Petrobras é uma empresa muito maior do que as circunstâncias que ela vive hoje e será muito importante para o desenvolvimento do país. O que ela precisa é ser respeitada no planejamento”, disse.