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Além FIFA

Restrições de patrocinadores e PM reduzem telões da Copa em São Paulo de 18 para 3

Além da festa oficial da Fifa, no Vale do Anhangabaú, prefeitura esperava pulverizar exibições em telões públicos, mas empresas não toparam e polícia vetou palcos por questões de segurança
por Diego Sartorato, da RBA publicado 09/06/2014 14h10, última modificação 09/06/2014 14h56
Além da festa oficial da Fifa, no Vale do Anhangabaú, prefeitura esperava pulverizar exibições em telões públicos, mas empresas não toparam e polícia vetou palcos por questões de segurança
Juliana Knobel/Frame/Folhapress
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Haddad e Nádia consideram que imprevistos não serão problemas para a abertura do Mundial

São Paulo – O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), e sua vice, Nádia Campeão (PCdoB), apresentaram na manhã de hoje (9) a preparação da cidade para a Copa do Mundo do Brasil. A capital, que sediará a abertura do torneio na Arena Corinthians, em Itaquera, na quinta-feira (12), hospedará 15 das 35 seleções que virão ao país, e, ao longo da realização do Mundial, todas elas terão passagem pelo estado. O volume esperado de turistas é de 1,3 milhão de pessoas, dos quais 258 mil devem ser estrangeiros, 61 mil pessoas devem assistir à abertura do evento e outras 40 mil devem passar pelos momentos de pico da Fifa Fan Fest, festa oficial da entidade internacional de futebol que ocorrerá em todos os dias de jogos no Vale do Anhangabaú, no centro.

Os palcos públicos extraoficiais, no entanto, planejados pela prefeitura desde o ano passado como forma de permitir exibições de jogos fora da região central da cidade e sem todas as restrições comerciais do evento oficial da Fifa, sofreram um golpe dos patrocinadores privados, que se afastaram do projeto e não garantiram a instalação das estruturas, e da Polícia Militar, que, em suas inspeções de segurança, barrou a realização de jogos em pelo menos três das praças sugeridas pelo poder público. Assim, apenas três palcos serão montados: na Praça do Samba, em Perus (zona norte), na Praça João Tadeu Prioli, em Campo Limpo (zona sul) e na Praça do Morumbizinho, na Vila Jacuí (zona leste).

No ano passado, a SP Copa, órgão criado pela prefeitura para organizar a realização do campeonato na cidade, previa até 18 palcos espalhados pela cidade; esse número foi reduzido para cinco em edital publicado em janeiro deste ano, e, agora, para três. Quando a previsão ainda era de cinco palcos, o público máximo estimado pela prefeitura para os palcos descentralizados seria de 90 mil pessoas, mais que o dobro da capacidade na Fan Fest, mas, agora, cada um dos palcos deverá ter estrutura para receber cerca de 5 mil pessoas.

"Procuramos as empresas e, até a presente data, infelizmente, não houve patrocínio suficiente para a realização de todos os palcos públicos que queríamos. Desde o princípio insistimos que não faríamos as estruturas com dinheiro público, mas com a iniciativa privada. Mas não recebemos apoio suficiente", explicou Nádia. O preço estimado de cada uma das estruturas seria de aproximadamente R$ 2 milhões, de acordo com a equipe do SP Copa. O edital de janeiro deste ano que selecionou as empresas que trabalhariam na montagem da estrutura da Fan Fest obrigava essas empresas a trabalhar também na montagem dos palcos públicos, mas mesmo assim as cotas não foram preenchidas. O edital previa ainda que melhorias urbanísticas teriam de ser feitas pela iniciativa privada nas praças públicas onde serão exibidos os jogos. A prefeitura não confirmou, na coletiva desta manhã, se o acordo pelas melhorias urbanísticas continua. "De toda forma, contamos com as comunidades para que elas também organizem suas próprias exibições públicas, de forma a garantir a participação de todos na audiência do evento", concluiu Nádia.

A redução do número de palcos prejudica, principalmente, ambulantes, autorizados na semana passada a trabalhar nessas áreas, e artistas locais, que teriam espaço para apresentar-se duas horas antes e uma hora depois das exibições de jogos do Brasil. Para os cerca de 1,8 mil ambulantes que já têm Termo de Permissão de Uso (TPU), seu público possível concentrado nesses espaços caiu 75%, de 90 mil para 15 mil. Já os artistas locais, reunidos em uma lista montada pelas subprefeituras, terão de aguardar a seleção da gestão municipal para conquistar espaço nos palcos públicos. No Fifa Fan Fest, a programação cultural é da Rede Globo, que selecionará os artistas de projeção nacional que se apresentarão entre os jogos. A Secretaria Municipal de Cultura apresentou à Globo e à Fifa uma lista de 25 artistas paulistanos que poderão também utilizar os palcos, a depender de análise das empresas.

O coronel Walter Fernandes de Oliveira Jr., chefe do esquema de segurança da realização da Copa do Mundo, afirmou que o risco de manifestações públicas nos palcos da prefeitura não foram levados em conta para a eliminação de pontos de exibição, como Parque da Juventude, em Santana (zona norte), Ermelino Matarazzo (zona leste) e Parque do Povo, em Pinheiros (zona oeste). "Levamos em conta o histórico dos locais com eventos de grande porte, o trânsito no entorno, o terreno, enfim, todas as situações de vulnerabilidade. Em nenhum deles, há histórico de protesto", resumiu. "Se houver ocorrência, estaremos preparados, mas esse ponto não foi central nas vistorias que fizemos".

Funcionários do SP Copa confirmaram que o alerta com protestos nesses palcos é menor, já que as manifestações tendem a seguir a presença da imprensa, sobretudo a internacional: assim, os alvos mais "suculentos" para os manifestantes não seriam palcos nas periferias, distantes dos holofotes, mas os entornos do estádio, a Fan Fest e "cartões-postais" da cidade, como a Avenida Paulista.

Pelos trilhos

Questionado sobre como será a mobilidade em São Paulo se continuar a greve dos metroviários, Haddad foi enfático ao defender que a cidade está preparada para lidar com imprevistos. "Enfrentamos hoje uma situação inusitada com a greve do Metrô, muito parecida com a que eu enfrentei semanas atrás, com os rodoviários, e agora, como antes, a questão está sendo tratada não para garantir o transporte de 50 mil torcedores, e sim dos 5 milhões de trabalhadores que dependem do transporte público", ponderou o prefeito.

"Em diversos momentos, passamos por imprevistos. Duvidava-se do prazo para as obras de mobilidade, que foram entregues ontem. Houve o acidente que causou duas fatalidades no estádio, que já está pronto. Questionou-se a instalação das estruturas provisórias, que já estão instaladas. Ninguém acreditava que o terminal 3 do aeroporto de Guarulhos estaria pronto, e está... Tudo isso a imprensa acompanhou. Então estamos chegando ao momento em que os compromissos estão sendo cumpridos, e a cidade fez o que deveria ter feito."

Apesar de as autoridades terem insistido que a greve do Metrô dificilmente ainda estará em andamento durante a Copa do Mundo, essa possibilidade está contemplada no plano de deslocamento para o dia de abertura do Mundial: o transporte de preferência nas orientações aos torcedores será o Expresso Copa, operado pela Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), que promete cumprir o trajeto entre estações Luz e Itaquera em 19 minutos. O SP Copa insiste ainda que os torcedores evitem usar seus carros, já que haverá uma zona de bloqueio no entorno do estádio para permitir a passagem apenas dos 2,8 mil veículos autorizados a estacionar no local, além dos 116 veículos de moradores que estão liberados para circular em volta da Arena Corinthians.