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Ap-470

Parecer agrada família, mas estado de saúde de Genoino ainda preocupa

Filha considera posição de Janot passo importante, mas diz que índice de coagulação sanguínea continua baixo. Familiares esperam decisão do STF sobre retorno do ex-deputado a regime domiciliar
por Hylda Cavalcanti, da RBA publicado 05/06/2014 19h38, última modificação 06/06/2014 12h44
Filha considera posição de Janot passo importante, mas diz que índice de coagulação sanguínea continua baixo. Familiares esperam decisão do STF sobre retorno do ex-deputado a regime domiciliar
Gerardo Lazzari/Arquivo RBA
Miruna Genoino

Miruna espera que parecer de Janot favoreça recurso apresentado pela defesa de José Genoino ao STF

Brasília – O parecer do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, favorável ao retorno de José Genoino ao regime de prisão domiciliar em razão do seu estado de saúde, é visto como uma vitória pelos familiares do ex-deputado, que continuam preocupados com suas condições clínicas. No momento, a família espera o julgamento, por parte do Supremo Tribunal Federal (STF), do agravo regimental impetrado pelos advogados de defesa pedindo a mudança de regime.

De acordo com a filha de Genoíno, Miruna Kayano, o parecer de Janot foi um reconhecimento de que a situação clínica dele inspira cuidados, conforme os familiares têm alertado desde novembro. Mas ainda representa pouco para a situação do parlamentar, que apresentou, após seu retorno ao complexo penitenciário da Papuda, em 1º de maio, uma piora nos níveis de coagulação sanguínea.

“Meu pai continua com o índice de coagulação muito baixo, o que é preocupante, pois aumenta o risco de AVC. Esperamos de verdade que a partir dessa decisão da PGR seja julgado o agravo regimental. Queremos que isso se decida logo, pois cada minuto conta. A cada semana a saúde do meu pai vai piorando”, afirmou Miruna.

Miruna também alertou, em conversa com a reportagem da RBA, que o pai precisa de uma série de cuidados que o presídio não tem como oferecer. Em maio, o médico do ex-deputado, Geniberto Paiva Campos, declarou que em razão de ter tido um pequeno derrame (acidente vascular hemorrágico), o ex-parlamentar precisa tomar um anticoagulante que afina o sangue e evita a formação de trombos (coágulos que podem chegar a obstruir a passagem do sangue para áreas nobres do organismo).

Para que esse anticoagulante tenha o efeito desejado, é preciso que se atinja o nível ideal no sangue do paciente. O índice de regularização normatizada internacional (RNI) necessário precisa ficar entre os níveis 2 e 3. O de Genoino, segundo o médico, estaria pouco abaixo de 2, dias antes de ele retornar ao presídio da Papuda. No último dia 21, o índice apresentou redução para 1,06.  “Foi um resultado grave e preocupante. Meu pai tem novo risco de sofrer um AVC”, afirmou Miruna.

Em seu parecer, Janot enfatizou que há dúvidas sobre as garantias de que Genoino terá atendimento médico adequado no presídio da Papuda. O procurador enfatizou que o Estado tem o dever de garantir a integridade física do preso e, por isso, é favorável a que seja acatado o novo recurso da defesa para revisão do regime.

O advogado do ex-parlamentar, Luiz Fernando Pacheco, defende que José Genoino cumpra prisão domiciliar definitiva por apresentar cardiopatia grave e não ter condições de cumprir pena em um presídio, por ser “paciente idoso, vítima de dissecção da aorta”. Segundo Pacheco, o sistema penitenciário não tem condições de oferecer tratamento médico adequado ao ex-parlamentar.

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