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Atos

Ministro diz que ato da Força é antidemocrático e estímulo a conservadores

Manoel Dias lembrou momentos históricos, citando personagens do trabalhismo que foram alvos de ataques conservadores
por Vitor Nuzzi, da RBA publicado 01/05/2014 17h18, última modificação 02/05/2014 15h29
Manoel Dias lembrou momentos históricos, citando personagens do trabalhismo que foram alvos de ataques conservadores
Danilo Ramos / RBA
Ministro Manoel Dias

Manoel Dias criticou teor do discurso de Paulinho, que preferiu ataques pessoais a Dilma

São Paulo – O ministro do Trabalho e Emprego, Manoel Dias, considerou "antidemocrático" o ato político de hoje (1º) da Força Sindical, que satirizou a presidenta Dilma Rousseff. "Temos de consolidar a democracia com respeito. Ela é uma autoridade eleita pelo povo. A divergência tem de ser no campo das ideias, das propostas. Ideologicamente pode divertir, nunca no desrespeito", afirmou ao chegar, nesta tarde, ao evento promovido pela CUT, CSB e CTB no Vale do Anhangabaú, em São Paulo. Para ele, esse tipo de manifestação "dá guarida àqueles que querem desmoralizar as instituições democráticas".

"Já fizeram a criminalização da política", acrescentou o ministro, fazendo retrospectos históricos e citando personagens do trabalhismo, do qual ele também se originou, alvos de ataques conservadores, como os ex-presidentes Getúlio Vargas e João Goulart. "Getúlio era um mar de lama. Jango ia fazer a república sindicalista. Eles ficam fragilizando a democracia... Isso não ajuda a democracia." Dias acredita que manifestações dessa natureza, exageradas, criam um "caldo de cultura" que estimula discursos como o de que o "período da ditadura era melhor".

O ministro também defendeu a legislação trabalhista, criticando quem propõe a chamada flexibilização que, para ele, é sinônimo de subtração de direitos. "Estamos abertos a discutir, mas não venham com flexibilização, que nós não concordamos. Não precisa. A CLT tem 70 anos. Não há no mundo uma lei que durou tanto tempo e que é humanizadora das relações de trabalho. Claro que temos de atualizá-la, adaptá-la à modernidade. Temos de discutir o emprego do futuro, o ministério tem de ser o grande protagonista da discussão do trabalho decente. Tem de ter alguma coisa para ter segurança jurídica." Segundo ele, "ninguém quebrou no Brasil por pagar salário e benefício para o trabalhador".

Ele avalia que a pauta trabalhista, defendida pelas centrais, está parada no Congresso, devido, principalmente, à falta de representação dos trabalhadores. "É justo que tenha lá representantes dos empresários, dos agricultores, mas o povo também tem de ter." Para Dias, ainda falta ao movimento sindical participar da formulação das políticas econômicas e sociais. No campo profissional, o grande desafio, avalia o ministro, é dar mais chances de qualificação profissional.

O ministro destacou o pronunciamento de Dilma, feito na noite de ontem (30), reafirmando que o governo não pactua com a corrupção e que nunca houve tantas punições como agora. Afirmou, ainda, que a oposição (referindo-se particularmente ao PSDB) não tem "autoridade" para falar da Petrobras. "Nós construímos aquilo que é o símbolo da cidadania nacional, que tem tecnologia que nenhum país tem." Ele também rebateu o argumento de que o governo implementa medidas populistas. "Essa política (Bolsa Família) é a mais discutida no mundo hoje. E não é um fim, é um meio. E é uma obrigação nossa. Estamos há 500 anos fazendo políticas de exclusão, com uma elite egoísta, que só pensou nela."