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Lula diz que Brasil está 'amadurecendo' Lei de Meios

Ex-presidente volta a pregar necessidade de democratização da comunicação no país e ironiza postura de Alckmin em meio a racionamento: 'Se sabe ressuscitar o volume morto, por que não fez antes?'
por Redação RBA publicado 16/05/2014 13h58
Ex-presidente volta a pregar necessidade de democratização da comunicação no país e ironiza postura de Alckmin em meio a racionamento: 'Se sabe ressuscitar o volume morto, por que não fez antes?'
Ricardo Stuckert/Instituto Lula
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O ex-presidente afirmou que regular não significa censurar e disse que o controle é sempre do público

São Paulo – O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a defender hoje (16) a necessidade de criar um marco regulatório para a comunicação audiovisual no país. Ele comparou a ausência de normas por democratização do setor com a situação das chamadas democracias avançadas, que contam com mecanismos para garantir a circulação de mais versões e vozes por meio de desconcentração das concessões de rádio e televisão.

“As coisas vão acontecendo. De tempo em tempo, o Brasil vai amadurecendo. Estamos ganhando espaço para debater a regulação dos meios de comunicação deste país”, disse, ao abrir o 4º Encontro de Blogueiros e Ativistas Digitais, realizado entre hoje e domingo em São Paulo. “Todo mundo de bom senso tem que saber que ninguém quer censurar ninguém. O que queremos apenas é liberdade, liberdade, abre as asas sobre nós.”

Ele reiterou a visão de que a situação se tornou mais evidente depois que o PT chegou ao Planalto, em 2003, com a tentativa de impor distorções dos fatos devido a mudanças sociais que passaram a incomodar setores de elite representados pelos meios de comunicação. “Hoje, tenho mais consciência da briga pela regulação do que tinha ontem. Deus queira que amanhã eu tenha mais, porque quanto mais aumenta nossa consciência, mais aumenta nossa vontade de brigar”, afirmou. “Daqui pra frente, toda vez que puder abrir a boca, a questão da regulação estará como palavra para a gente poder mudar esse país.”

No começo do discurso, Lula leu um texto feito pelo ex-ministro da Secretaria de Comunicação Social Franklin Martins. O jornalista é autor de um anteprojeto finalizado em 2010 prevendo uma regulação da comunicação, mas o tema não teve sequência durante o governo de Dilma Rousseff. Os artigos da Constituição relativos ao setor estão até hoje sem regulamentação pelo Congresso, passados 26 anos.

O ex-presidente comparou a diferença de tratamento entre ações do PT e de outras siglas. Ele citou especificamente a situação de São Paulo, onde o prefeito Fernando Haddad (PT) “apanha como ninguém” e o governador Geraldo Alckmin (PSDB), na visão de Lula, é poupado, inclusive no caso do racionamento de água na região metropolitana e em parte do interior. “Na questão da Cantareira, se fosse da tua responsabilidade, Haddad... Puta merda. O que teria acontecido com você? Se eles têm capacidade de ressuscitar o tal do volume morto, por que não fizeram antes?”, indagou.

“A natureza está implacável. Mas tenho clareza. Fui visitar o Cantareira 40 anos atrás. De lá para cá, as cidades cresceram uma barbaridade. Ninguém pensou em fazer mais um poço? Ou será que eles pensam que nordestino que vem aqui não bebe água? Poderiam ter cuidado melhor. Cadê o planejamento? Cadê o choque de gestão?”

Lula manifestou ainda considerar preocupante a tentativa de meios de comunicação de criar uma sensação de desgosto da população com a política. Voltando a citar ideias que havia evocado após as manifestações de junho do ano passado, o ex-presidente pediu que aqueles que consideram ruim a situação passem a participar da vida política do país.

“Eu começo a me preocupar porque já vivi momentos como a gente está vivendo hoje. Momentos de dispersão de vontade. Um certo momento de falta de perspectiva de um futuro melhor. As pessoas não conseguem enxergar o que vai acontecer”, disse. “Pelo que vejo, todo santo dia há uma tentativa de desmoralizar não apenas a política. Há uma tentativa de desmoralizar as instituições. Nós, que temos responsabilidade, precisamos voltar a ter orgulho de fazer as coisas.”