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Padilha diz não ter 'medo de cara feia' e repudia ligações de seu nome a irregularidades

Ex-ministro da Saúde diz que ele e seu partido sempre enfrentam 'agressões e raiva' quando apresentam soluções para os problemas do estado de São Paulo, como falta d'água e fraudes no metrô e trens
por Cida de Oliveira, da RBA publicado 25/04/2014 18h48, última modificação 25/04/2014 20h44
Ex-ministro da Saúde diz que ele e seu partido sempre enfrentam 'agressões e raiva' quando apresentam soluções para os problemas do estado de São Paulo, como falta d'água e fraudes no metrô e trens
William Volcov/Brazil Photo Press/Folhapress
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Ex-ministro diz que vai processar quem o conecte ao doleiro investigado pela PF

São Paulo O ex-ministro da Saúde e pré-candidato do PT ao governo do estado de São Paulo, Alexandre Padilha, convocou hoje (25) entrevista coletiva para rebater as reportagens publicadas na véspera, associando-o a irregularidades investigadas pela Polícia Federal. Na conversa com jornalistas em São Paulo, Padilha disse com veemência que "não tem medo de cara feia e que, se tivesse, não teria criado o programa Mais Médicos".

Ele negou que tenha indicado Marcus Cezar Ferreira de Moura para um cargo executivo no laboratório Labogen, de propriedade do doleiro Alberto Yousseff, e que o mesmo laboratório tenha tido algum contrato assinado com o Ministério da Saúde durante a sua gestão como ministro.

Padilha, que cancelou sua agenda de compromissos na região de Marília, pela Caravana Horizonte Paulista, para realizar a coletiva, foi enfático: "Mente quem afirma que indiquei o nome e que havia contrato do laboratório com o Ministério durante a minha gestão. Desafio a procurarem e encontrarem no site da Transparência algum contrato em minha gestão. E mente quem estabelece ligação minha com o doleiro".

O ex-ministro voltou a falar sobre a suspensão de acordo com o Laboratório Farmacêutico da Marinha, que tinha o Labogen entre seus parceiros, explicando a seriedade da gestão das parcerias para o desenvolvimento produtivo (PDP), que já somam mais de 100, envolvendo laboratórios públicos privados para a transferência de tecnologia para a produção de medicamentos e insumos para o Sistema Único de Saúde. Entre os setores beneficiados por essas parcerias estão o Programa Saúde não tem Preço, que distribui gratuitamente medicamentos contra diabetes e pressão alta.

Afirmando estar indignado, repudiou o envolvimento do seu nome no noticiário. "Toda vez que aponto soluções para os graves problemas enfrentados pelos paulistas, como a falta de água, o cartel no metrô e nos trens, eu e meu partido enfrentamos ataques de grosserias, agressões e raiva", disse Padilha, referindo-se ao noticiário segundo o qual um relatório da Polícia Federal ligaria seu nome ao Labogen.

Ele admitiu ter sido procurado informalmente por André Vargas, e não em audiência formal, para a apresentação de projetos do laboratório. Mas como de praxe, pelo fluxo normal no ministério, todos os projetos são encaminhados para análise nas secretarias competentes. Segundo Padilha, entre suas obrigações como ministro estava receber e encaminhar para análise de setores competentes projetos, mas que a grande maioria dos foi rejeitada. "Se passou pela cabeça de alguém que fazendo lobby ultrapassaria os filtros do ministério, bateu na porta errada".

O ex-ministro afirmou que já constituiu advogados para entrar com medidas para a obtenção do relatório da Polícia Federal sobre a Operação Lava Jato e para interpelar judicialmente qualquer pessoa que fizer ligações de seu nome ao caso.

As reportagens divulgadas ontem se baseiam em uma chamada, supostamente entre o deputado federal André Vargas (PT-PR) e Youssef. Na conversa, o parlamentar apresenta um número de telefone que seria de Marcus Cezar e afirma que "Padilha indicou".

Sobre uma eventual convocação de Padilha de parlamentares do DEM, que pretenderiam colaborar com a apuração dos fatos, segundo uma repórter, Padilha foi firme. "Não vou comparecer a nenhum espaço contaminado por qualquer debate eleitoral. E estranho que logo o DEM, que tem gente envolvida no escândalo do Metrô, ainda não tenha convocado ninguém".

Questionado por um jornalista, o presidente estadual do PT, Emídio de Souza, que acompanhou a entrevista coletiva, negou que a legenda tenha escolhido outro nome para substituir o de Padilha, que, segundo o repórter, estaria sendo "queimado" pelas denúncias.