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'Nada nem ninguém' vai destruir a Petrobras, diz Dilma em Pernambuco

No mesmo dia em que Eduardo Campos lança candidatura ao Planalto em Brasília, presidenta recorda em Pernambuco de tentativa do PSDB de privatizar a estatal e critica tentativas de 'confundir'
por Diego Sartorato, da RBA publicado 14/04/2014 15h55
No mesmo dia em que Eduardo Campos lança candidatura ao Planalto em Brasília, presidenta recorda em Pernambuco de tentativa do PSDB de privatizar a estatal e critica tentativas de 'confundir'
Roberto Stuckert Filho/Planalto
dilma

A presidenta Dilma Rousseff cumprimenta operários durante a inspeção do Dragão do Mar, novo cargueiro da Petrobras

São Paulo – A presidenta Dilma Rousseff esteve hoje (14) em Ipojuca, no interior de Pernambuco, para a viagem inaugural do Dragão do Mar, cargueiro de mais de 270 metros de comprimento e capacidade para transportar um milhão de barris de petróleo, o equivalente a 45% da produção nacional diária do combustível. A embarcação é a sétima a ser produzida para atender ao Programa de Modernização e Expansão da Frota da Petrobras (Promef), cuja prioridade é comprar da indústria nacional.

Durante o evento, diversos discursos de tom patriótico reafirmaram o papel da Petrobras na recuperação da indústria naval brasileira e a competência dos operários nordestinos. Dilma, por sua vez, dedicou mais de 20 minutos de sua fala à defesa da estatal, que está na mira de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) a ser aberta nos próximos dias para investigar a compra de uma refinaria em Pasadena, nos Estados Unidos. O PT, partido da presidenta, acusa a oposição de usar a investigação para criar um fato político negativo para o governo federal em período que invadirá o calendário eleitoral, e busca incluir no universo de apuração as fraudes em compras para o metrô de São Paulo, onde o governo estadual é do PSDB, e obras no Porto de Suape, em Pernambuco, realizadas durante o governo de Eduardo Campos (PSB), que lança hoje sua candidatura a presidente, em Brasília.

"Eu quero, de forma muito especial, dirigir-me aos trabalhadores e às trabalhadoras da Petrobras. Eu queria chamar cada um de vocês de vencedor. Vocês são vencedores porque fazem parte de uma empresa vencedora, que nada nem ninguém vai conseguir destruir no nosso país", afirmou Dilma, ao iniciar sua defesa à Petrobras. Bastante aplaudida pelos operários do estaleiro, a presidenta foi recebida com gritos de "olê, olê, olê, olá! Dilma, Dilma". "Não podemos permitir, como brasileiros que amam e defendem este país, que se utilizem ações individuais e pontuais, mesmo que graves, para tentar destruir a imagem de nossa maior empresa, nossa empresa-mãe, ou para tentar confundir quem de fato trabalha a favor e quem trabalha contra a Petrobras", afirmou Dilma, que relembrou a preparação para a privatização da empresa que teve início no governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB, 1994-2002).

"Deram início a um processo que, se não fosse interrompido, levaria a empresa a mãos privadas. De tão requintado esse processo, chegou-se até a mudar o nome para Petrobrax, retirando a sílaba que reforça nossa identidade e nacionalidade. O 'bras' de Brasil. Com apoio de todas as pessoas, a Petrobras resistiu bravamente às tentativas de desvirtuá-la, reduzi-la e privatizá-la. O sucateamento deixou marcas profundas, mas temporárias", disse, antes de expor os números da Petrobras após 12 anos de governos petistas: valor de mercado de R$ 98 bilhões (contra R$ 15 bilhões em 2003), investimento de US$ 360 bilhões entre 2006 e 2013, dos quais R$ 48 bilhões apenas no ano passado (contra US$ 6,6 bilhões em 2002) e 100 mil empregos gerados na cadeia produtiva do petróleo.

Dilma lembrou ainda do comprometimento do governo em garantir que a Petrobras operasse todos os poços do pré-sal com participação mínima de 30% da estatal, modelo criticado pelo PSDB e outros partidos que impulsionaram a criação da CPI da Petrobras.

A presidenta não defendeu apenas a própria gestão do discurso da oposição, que acusa o PT de gerir mal a estatal e causar prejuízo ao país, mas buscou também elogiar os trabalhadores nordestinos. "Quero dizer a vocês que, lá em 2003, diziam pra mim e pra Graça Foster que não iríamos conseguir fazer no Brasil os cascos de navio. Não é nem que não faríamos navio, é que não conseguiríamos fazer o casco. Como somos incrédulas quando se trata de desmerecer o trabalhador brasileiro e a indústria nacional, nós insistimos e nós teimamos", disse, antes de destacar que "são milhares e milhares de brasileiros colocando a sua capacidade, o seu profissionalismo, em cada um desses estaleiros. Há escolhas que um presidente faz que mudam a história, que fazem com que surjam novas realidades. E aqui vemos um desses casos", afirmou.

A presidenta da Petrobras, Graça Foster, também centrou seus elogios nos trabalhadores nordestinos, e garantiu que as encomendas aos novos estaleiros na região irão continuar. "Hoje, temos orgulho de olhar para vocês e dizer que de 2013 a 2020 serão US$ 100 bilhões já comprometidos com a indústria naval off-shore, e 60% ou 70% disso é para a nossa indústria nacional. Nada é por acaso. Tenho 30 anos de Petrobras, e o conteúdo local sempre foi uma discussão, uma vontade, que só a partir de 2003 se tornou realidade. Em 2018, produziremos 3,2 milhões de barris de petróleo por dia, e isso já está contratado", ressaltou.