Seca em SP

Cenário negativo se confirma e volume útil do Cantareira seca em julho, diz ANA

Com apenas 10,7% da capacidade total, reservatório sofre com reposição de água deficitária em 10 mil litros por segundo. Grupo de Acompanhamento quer evitar secamento também do volume morto

Márcia Minillo/RBA
jacarei

Reservatório Jacareí, em Piracaia, está com apenas 3% de seu volume útil; Sistema Cantareira tem apenas 10,7%

São Paulo – O Grupo Técnico de Assessoramento da Gestão do Sistema Cantareira (GTAG), integrado pela Agência Nacional de Águas (ANA), o Departamento de Água e Energia Elétrica do Estado de São Paulo (DAEE) e pelas entidades municipais e regionais das regiões abastecidas pelo Cantareira, divulgou hoje (30) o sexto comunicado sobre a situação do Sistema Cantareira, responsável pelo abastecimento de água de 8 milhões de pessoas na região metropolitana de São Paulo e outras 3 milhões no interior, que encontra-se com apenas 10,7% de sua capacidade. De acordo com o texto, o cenário mais negativo projetado pelas agências se confirmou e o volume útil do reservatório deve secar até o final de julho deste ano.

A partir daí, o estado passará a coletar o chamado volume morto, reserva de água situada abaixo da altura da captação das bombas do Sistema Cantareira, que conta com água para aproximadamente mais quatro meses no ritmo atual de consumo. A queda constante do nível do reservatório está acontecendo porque, entre dias 1º e 25 deste mês, entraram apenas 14,8 mil litros de água por segundo nos reservatórios por meios dos rios que o abastecem, enquanto o consumo foi de 23 mil litros por segundo.

Em comunicado conjunto, ANA e DAEE reduziram o máximo a ser retirado do sistema entre 1º e 15 de maio para 25 mil litros por segundo, 22 mil para a região metropolitana e 3 mil para o interior. Antes, a Sabesp podia bombear até 30 mil litros por segundo do sistema, 27 mil para a capital e os mesmos 3 mil para o interior. Novas revisões desses valores passarão agora a ocorrer de forma quinzenal.

O comunicado do Grupo de Acompanhamento obriga ainda a Sabesp a criar uma meta de quanta água consegue preservar no Cantareira até 30 de novembro deste ano, prazo no qual o Sistema Cantareira pode chegar a estar 100% esvaziado. O objetivo dessa exigência é evitar que toda a água do volume morto seja utilizada até a próxima época de chuvas, quando a estiagem que prejudicou o abastecimento no estado pode ou não continuar.

O Grupo de Atuação Especial para o Meio Ambiente (Gaema) do Ministério Público questiona os órgãos federais e estaduais justamente pela falta de informações técnicas nesse sentido, e, em inquérito, investiga a falta de investimento e de ações preventivas por parte do governo do Estado e da Sabesp, como a instituição do racionamento de água e a redução das perdas.