Congresso Nacional

Senado aprova convites a Graça Foster e Edison Lobão para esclarecer caso Petrobras

Para Federação Única dos Petroleiros, companhia brasileira mais uma vez é usada por disputas políticas em ano eleitoral: 'Foi assim no governo Lula, foi assim em 2010'

Geraldo Magela/Arquivo Senado
Lobão e Foster

Presidenta da Petrobras e ministro de Minas e Energia explicarão compra de refinaria de Pasadena

São Paulo – A presidenta da Petrobras, Graça Foster, e o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, serão ouvidos em audiência pública conjunta nas Comissões de Assuntos Econômicos (CAE) e de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle (CMA) do Senado Federal. Os convites foram aprovados hoje (25). Os autores dos requerimentos são os senadores Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) e Rodrigo Rollemberg (PSB-SE). O objetivo é que Graça e Lobão prestem esclarecimentos sobre a compra pela Petrobras da refinaria de Pasadena, no Texas (Estados Unidos), em 2006. Risco de racionamento de energia também constará da pauta do depoimento de Lobão.

A presidenta da Petrobras deverá falar do negócio que, segundo a oposição, pode ter causado prejuízo de cerca de US$ 1 bilhão à companhia, que teria pago cerca de 27 vezes o valor desembolsado pela empresa belga Astra Oil pela mesma refinaria um ano antes. Os senadores também cobram explicações sobre declarações da presidenta Dilma Rousseff de que um “parecer falho” teria embasado a compra da refinaria.

Diretor financeiro da BR Distribuidora, Nelson Cerveró, que teria sido o autor do “parecer falho” que embasou a negociação, quando chefiava a área internacional da estatal, foi demitido por decisão de ontem do Conselho de Administração da Petrobras. Em 2006, Dilma era chefe da Casa Civil do governo de Luiz Inácio Lula da Silva e comandava o conselho.

O senador Rodrigo Rollemberg, autor do requerimento na CAE, afirmou que o PSB quer ouvir o que o governo tem a dizer antes de assinar um pedido de instalação de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar o negócio.

Em nota à imprensa, a Federação Única dos Petroleiros (FUP) declarou que a companhia está sendo usada pela oposição para pautar as eleições. “Mais uma vez, a Petrobras volta a ser palanque de disputas políticas em ano eleitoral. Foi assim no governo Lula, foi assim em 2010 e não seria diferente este ano, quando as pesquisas eleitorais refletem o apoio popular ao governo Dilma.”

Segundo a entidade, a oposição está “tensionada” e, “em conluio com a velha mídia, mira na Petrobras para tentar desmoralizar” a gestão da “maior empresa brasileira”. “Os mesmos PSDB e DEM, que quando governaram o país fizeram de tudo para privatizar a Petrobras, trazem de volta à cena política antigas denúncias sobre refinarias adquiridas pela empresa no exterior e tornam a atacar as que estão em fase final de construção no Brasil”, diz a FUP.  “Quando exercia o papel de governista (dos anos 90 até 2002), a oposição demo-tucana quebrou o monopólio estatal da Petrobras, escancarou a terceirização, privatizou alguns setores e unidades da empresa, reduziu drasticamente os efetivos próprios, estagnou investimentos em exploração, produção e refino e ainda tentou mudar o nome da Petrobras para Petrobrax”, lembra a FUP.

O senador Randolfe Rodrigues explicou que quer saber a versão de Lobão sobre relatório da consultoria PSR, segundo a qual o país teria risco de 17,5% de ter apagão de energia elétrica este ano.

Dois outros relatórios devem ser votados na semana que vem. Um para convidar o presidente da estatal na época do negócio com a refinaria de Pasadena, Sérgio Gabrielli, e o segundo, dirigido a Nelson Cerveró.

Valores

Segundo a FUP, a Petrobras valia R$ 30 bilhões em 2002, sua receita era de R$ 69,2 bilhões e os investimentos “não passavam” de R$ 18,9 bilhões. Dez anos depois, a companhia, segundo a federação, tem valor de mercado de R$ 260 bilhões, receita de R$ 281,3 bilhões e os investimentos chegaram a R$ 84,1 bilhões.

Com agências