Segurança Alimentar

Ceagesp foi alvo de ‘ato criminoso’ contra monitoramento, diz presidente

De acordo com Maurici de Lima Morais, infiltrados em movimento de trabalhadores tentaram impedir trabalho da estatal; licitação para permissionários, exigência do MP, pode provocar novos protestos

Daniel Guimarães/Folhapress
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Durante a manifestação, no entanto, grupos infiltrados no movimento teriam iniciado a violência e as depredações

São Paulo – O presidente da Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp), Maurici de Lima Morais, publicou na página de internet da estatal uma declaração sobre os tumultos que terminaram em tiroteio e incêndio de prédios administrativos na última sexta-feira (14). O posto de abastecimento, que centraliza a distribuição de alimentos que são comercializados em feiras e mercados na região metropolitana de São Paulo, passava por protestos de caminhoneiros por conta do início da cobrança de estacionamento no valor de R$ 4. Durante a manifestação, no entanto, grupos infiltrados no movimento teriam iniciado a violência e as depredações.

“Não temos condições de responsabilizar ninguém neste momento. O que posso dizer é que não foram caminhoneiros ou tampouco carregadores. Claro que se tivéssemos a Polícia Militar aqui dentro diariamente, isso não teria acontecido. Mas esse não é o papel dela, correto?”, questiona Maurici. “O que aconteceu foi a chegada de uns três ou quatro grupos de vândalos que, orquestradamente, vieram aqui e começaram a depredar equipamentos, principalmente os do novo sistema, e depois partiram para queimar veículos e prédios administrativos”, completa.

Atualmente, a Ceagesp age ao lado do Ministério Público para regularizar problemas de gestão, como o fato de que os boxes de permissionários não são licitados há cerca de 40 anos, e de segurança do espaço público, caso da prática de prostituição infantil nos arredores do entreposto. Embora não aponte responsáveis, Maurici dá a entender que a ação de criminosos está ligada à instalação de sistema eletrônico de monitoramento e dos esforços da administração para controlar o acesso nas instalações da Ceagesp. “O que existe aqui é um espaço público, mas que, nestes 47 anos de existência, foi ocupado indevidamente de modo privado”, admite Maurici.

“O que quero dizer é que o que está em jogo aqui é a definição deste espaço público. Ou é um espaço público voltado para a sociedade, para prestar serviços de qualidade a ela, ou é um que não é de ninguém e onde todo mundo faz o que quer”, conclui.

Maurici prevê que pode haver novos protestos no entreposto ainda este ano com o início das concorrências públicas para a ocupação dos boxes de vendas, que vai desalojar comerciantes cujos títulos são válidos há décadas. “Nunca foram feitas licitações para o amplo conjunto de contratos que temos. Isso há quarenta anos. A legislação diz que tem que licitar, o que nós queremos é cumprir a lei. Apenas isso. E, obviamente, isso vai gerar uma nova crise junto aos permissionários”, explica.

Após o quebra-quebra, cujos prejuízos ainda não foram contabilizados pela estatal, a Ceagesp voltou a funcionar na noite de domingo (16) sem cobrança de estacionamento e sem controles de entrada e saída das mais de 50 mil pessoas que frequentam o local diariamente. De acordo com Maurici, apenas em 2013, foram registrados 380 crimes nas dependências da companhia. “Hoje é preciso reconhecer que o entreposto não tem o melhor ambiente para os negócios aos quais se destina, de exercer sua missão. Estamos atuando na conscientização do mercado sobre essa situação”, lamenta o presidente.