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corrupção no metrô

Justiça quebra sigilo de ex-presidente da Siemens no Brasil

Polícia Federal solicita investigação de 'movimentações atípicas' do executivo Adilson Primo, dentro do inquérito que apura formação de cartel durante governos do PSDB
por Redação da RBA publicado 01/12/2013 12h54, última modificação 01/12/2013 13h57
Polícia Federal solicita investigação de 'movimentações atípicas' do executivo Adilson Primo, dentro do inquérito que apura formação de cartel durante governos do PSDB
CC/Gabriel Sobreira/wikimedia
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Novas denúncias envolvendo a Siemens podem clarear caminhos da corrupção na formação de cartel em São Paulo

São Paulo – Movimentação bancária incomum e suspeitas envolvendo uma conta bancária em um paraíso fiscal levaram a Justiça Federal em São Paulo a decretar a quebra do sigilo bancário e fiscal do ex-presidente da Siemens do Brasil Adilson Antonio Primo, por suspeita de "indícios de delitos" financeiros. A PF Serão abertos os dados bancários do executivo de um intervalo de 10 anos, entre 2001 e 2011, período em que ele dirigiu a empresa. A Receita Federal vai levantar as declarações de imposto de renda de Primo dos últimos 5 anos.

Segundo reportagem do jornal O Estado de S.Paulo deste domingo (1), o juiz Fabio Rubem David Müzel, da 6.ª Vara Criminal Federal, determinou ao Banco Central que encaminhe em planilha e dados tabulados "todas as informações sobre remessas e recebimentos de recursos internacionais e de operações de câmbio, além de outros recursos no exterior e declarações de bens e capitais relacionados ao sr. Adilson Primo."

Ele foi demitido em outubro de 2011 após a Siemens descobrir que € 6 milhões (cerca de 18 milhões de reais) da empresa foram enviados para a conta de um banco no paraíso fiscal de Luxemburgo que tinha Primo entre seus titulares. A descoberta ocorreu em meio a uma auditoria interna da Siemens que apurou suposto esquema de corrupção em diversos países.

A quebra do sigilo bancário do executivo foi autorizada nos autos do inquérito da Polícia Federal que investiga a corrupção em licitações milionárias envolvendo estatais paulistas, como o metrô e a CPTM durantet governos do PSDB, à frente do estado desde 1998. A PF e a Procuradoria investigam pagamento de propinas a agentes públicos e políticos.

© Brasil 247 / Reprodução primo247.jpg
Adilson Primo, ex-presidente da Siemens Brasil
Ainda segundo o jornal, a autorização da Justiça para a quebra do sigilo acolhe pedido da PF e manifestação da Procuradoria da República baseados no relatório de inteligência 6789 do Coaf.

O documento mostra que Primo solicitou, na semana seguinte à sua demissão, a transferência, para a mulher, Thalita Cravieri Vicente, das cotas de fundo de investimento exclusivo mantido com a Siemens no valor de R$ 1 milhão. "É de se ressaltar que as movimentações financeiras tidas como atípicas ocorreram logo após a demissão de Adilson da presidência do Grupo Siemens do Brasil, em virtude das supostas irregularidades", assinala o juiz.

Müzel pondera que "direitos fundamentais não podem servir de escudo protetor para empreitadas criminosas e, existindo indícios concretos de ocorrência de atividades ilícitas, é razoável que se autorize o sacrifício do direito/garantia individual em prol do legítimo interesse da repressão estatal".

A reportagem de O Estado relata ainda que a conta bancária, sediada no Banco Itaú Europa Luxemburgo, tinha como titular a offshore Singel Canal Services CV, com 99,99% das suas cotas em mãos da fundação privada Suparolo Private Foundation - formada por Primo e três sócios.

Em agosto, Primo afirmou que a conta de Luxemburgo era uma "conta de compensação" criada e operacionalizada pelo diretor financeiro da Siemens Brasil com aval da matriz alemã, o que, segundo ele, era praxe na empresa em todo o mundo até 2007.

Os advogados da empresa declaram que a conta não pertencia a ela e nem a nenhuma de suas afiliadas e indicam que o repasse de dinheiro para o paraíso fiscal não era autorizado.