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Política externa

'Temos de sair das amarras do Mercosul', diz Aécio Neves

Senador do PSDB, provável candidato ao Palácio do Planalto em 2014, repete discurso de José Serra em 2010 e defende acordos bilaterais, política que interessa aos Estados Unidos
por Eduardo Maretti, da RBA publicado 29/11/2013 19h06, última modificação 29/11/2013 19h29
Senador do PSDB, provável candidato ao Palácio do Planalto em 2014, repete discurso de José Serra em 2010 e defende acordos bilaterais, política que interessa aos Estados Unidos
George Gianni/PSDB
Aécio Neves no Secovi

Ex-governador mineiro disse ser a favor de “alinhamentos pragmáticos, e não ideológicos”

São Paulo – O senador e presidenciável Aécio Neves (PSDB-MG) disse hoje (29) a jornalistas, após palestra no Sindicato da Habitação de São Paulo, na capital paulista, ser a favor de rever a participação do Brasil no Mercosul. “Ficamos amarrados, estamos nos isolando. O Brasil é a sétima economia do mundo e o 25° país exportador. Isso não é minimamente equilibrado”, explicou. “Temos de sair das amarras de uma região aduaneira que é hoje o que estabelece o Mercosul para uma área de livre comércio, onde possamos fazer acordos bilaterais.”

Aécio repete o que dizia o então candidato à presidência em 2010, o também tucano José Serra, que, na mesma linha, criticava o bloco justificando que ele é um entrave ao comércio exterior brasileiro. No início de outubro deste ano, Serra voltou a criticar o Mercosul chamando-o de “bobagem”. “Eu me opus ao Mercosul quando estávamos no governo Collor, quando se anunciou. Escrevi um artigo de umas dez páginas falando contra, era uma bobagem”. Segundo Serra, a união dos países sul-americanos “significou renunciar à soberania”.

Em sua fala desta sexta-feira, Aécio afirmou ser a favor de “alinhamentos pragmáticos, e não ideológicos como hoje”. Segundo ele, o bloco econômico prejudica o desenvolvimento do país. “O Mercosul pode fazer acordos desde que haja interesse comum. A prioridade é através do Mercosul. Mas quando, por exemplo, houver restrições na Argentina ou Venezuela, não pode amarrar o desenvolvimento do Brasil.”

O senador, porém, negou que, se eleito, pretenda trabalhar pelo fim do bloco. “Eu não acabaria com o Mercosul, mas daria um passo para que ele se transformasse numa área de livre comércio, porque poderíamos realizar acordos bilaterais que hoje não podemos”, garantiu.

As relações bilaterais e o enfraquecimento do Mercosul são pontos de extremo interesse do governo dos Estados Unidos. Em setembro, por exemplo, a embaixadora e vice-secretária de Comércio americana, Miriam Sapiro, defendeu justamente as relações bilaterais entre o Brasil e os EUA. “Podemos estreitar ainda mais os laços entre Brasil e Estados Unidos, se o governo brasileiro quiser“, disse. “Somos duas democracias e duas das sete maiores economias deste planeta. Podemos alcançar mais do que fazemos atualmente.”