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corrupção no metrô

Alstom nega pagamento de propina a tucanos e fala em 'erros pontuais de conduta'

Presidente da multinacional no Brasil nega à CPI dos Transportes da Câmara de São Paulo que empresa tenha participado de cartel
por Rodrigo Gomes, RBA publicado 28/11/2013 12h30, última modificação 28/11/2013 12h48
Presidente da multinacional no Brasil nega à CPI dos Transportes da Câmara de São Paulo que empresa tenha participado de cartel
Luiz França/Câmara de SP
marcos cardoso costa alston

Costa, da Alstom: 'Desconheço qualquer contrato com a MCA'

São Paulo – O Presidente da multinacional Alstom no Brasil, Marcos Cardoso Costa, negou hoje (28) que a empresa tenha usado consultorias de fachada para distribuir propina a integrantes de governos do PSDB em São Paulo desde 1995 (Mário Covas, José Serra e Geraldo Alckmin).

Em depoimento na CPI dos Transportes da Câmara de Vereadores de São Paulo, Costa disse que “não é prática política” da Alstom corromper agentes públicos para ganhar contrato .

Investigações do Ministério Público e da Polícia Federal, com base em denúncias surgidas originalmente na Suíça, mostram que a Alstom e outras empresas corrompiam funcionários públicos para ganhar contratos em vários países. No Brasil, o esquema envolveu principalmente o metrô de São Paulo e a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM).

Segundo a PF, a distribuição da propina era feita por supostas empresas de consultoria, como MCA do empresário Romeu Pinto Júnior, que teria repassado R$ 47,5 milhões aos participantes do esquema. Ele disse ainda que a Alstom não possui tem contratos com a MCA.

“Eu desconheço qualquer contrato com a MCA. Nós podemos contratar consultoria, mas não temos contratos com a MCA”, disse. “A Alstom não paga propina. Todos os nosso contratos de consultoria são legais e foram pagos pelo serviço prestado. Não reconhecemos nenhum pagamento que não seja pela prestação de serviços de consultores reconhecidos pelo mercado. Não acredito que tenha havido esse procedimento, porque não é prática política da empresa”, defendeu.

O vereador Milton Leite (DEM) questionou Costa sobre a idoneidade da empresa e casos de propina em outros países. E também sobre sua inclusão na lista suja do Banco Mundial por atuações ilícitas.

“A Alstom teve de pagar por desvio de conduta pontuais na Malásia, Lituânia e Tunísia. O processo na Suíça foi encerrado, por que nós realizamos adequações de conduta que levou à extinção do processo em 2011”, respondeu.

Sobre o questionamento em relação ao Banco Mundial, o presidente alegou que foi um caso específico, que pesou sobre duas empresas do grupo.

“A inclusão se deu pela atuação de um funcionário na Zâmbia. Foi uma suposição, que não ficou provada, mas que levou à suspensão de duas empresas em nível mundial da Alstom, de realizar contratos com o Banco Mundial. Nós aceitamos a condição e estamos contribuindo com o Banco Mundial”, disse Costa.

“Mas se a empresa não era culpada por que aceitou as sanções impostas pelo Banco Mundial?”, questionou Leite. O executivo não respondeu.

Costa também não admitiu a formação de cartel denunciada por outra empresa, a Siemens, ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

“A Alstom está colaborando com todas as investigações para as quais é intimada ou consultada. A Siemens fez um acordo de leniência para denunciar o que considera ser um cartel. Nós não vemos essa situação”.

O depoimento, que começou às 10h, continua.