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Após saída do PSB, PDT, rachado, discute deixar base de Dilma

Líderes dizem que debate foi sobre conveniência de ficar ou não no comando do Ministério do Trabalho, e não sobre apoio a Eduardo Campos. Deputado próximo a Lupi rejeita as duas versões
por Eduardo Maretti, da RBA publicado 18/09/2013 19h21
Líderes dizem que debate foi sobre conveniência de ficar ou não no comando do Ministério do Trabalho, e não sobre apoio a Eduardo Campos. Deputado próximo a Lupi rejeita as duas versões
Nilson Bastian/Câmara dos Deputado
André Figueiredo

Líder do PDT na Câmara dos Deputados, André Figueiredo nega que legenda vá abandonar barco governista

São Paulo – Uma reunião de deputados e senadores do PDT nesta quarta-feira (18) pela manhã discutiu a possibilidade de o partido deixar o Ministério do Trabalho e Emprego e a base do governo Dilma Rousseff, mas a iniciativa não foi aprovada. "O PSB está saindo porque tem um candidato à Presidência da República. O PDT está saindo porque o nome do partido está indo para a lama”, disse o ex-ministro do Trabalho, Brizola Neto (PDT), no início da tarde, em conversa com a RBA.

O senador Cristóvam Buarque (PDT-DF) confirma que houve a reunião. Mas diz que “lamentavelmente não houve isso [a deliberação pela saída da base de Dilma]”. “Eu e muitos defenderam a saída, mas no fim não se apoiou”, afirma o parlamentar, que há muitos anos torce por essa solução, especialmente se ela envolver a devolução de cargos.

Atualmente o PDT tem a titularidade apenas do Ministério do Trabalho, comandado por Manoel Dias. A pasta tem constantemente sido envolvida em denúncias de irregularidades que já levaram a duas trocas só no governo Dilma. O primeiro a sair foi o presidente nacional da sigla, Carlos Lupi, que caiu em dezembro de 2011. Ele foi sucedido por Brizola Neto, que, por não contar com o apoio de Lupi, acabou demitido.

O líder do PDT na Câmara, deputado André Figueiredo (CE), próximo ao presidente da sigla, afirma que a pauta da reunião do partido “não foi a saída da base, foi a conjuntura”. “Os parlamentares, como um todo, reiteraram a confiança no ministro [do Trabalho] Manoel Dias, mas não apenas na pessoa, o que é indubitável, mas quanto ao trabalho que ele está tentando fazer para resgatar o trabalho da instituição.” Segundo Figueiredo, o partido não cogita abandonar o governo. “Deixar a base, de forma alguma. Se eventualmente sairmos do Ministério do Trabalho, isso não significa que vamos sair da base: 2014 nós vamos discutir em 2014”, garante o líder.

Mas Cristóvam Buarque é enfático ao dizer que a ampla maioria do partido defende sair do governo já. “A reunião não foi convocada para discutir a saída, mas conjuntura. Mas quase todos que falaram acham que é hora de sair do governo. Ponha entre aspas: todos defenderam a saída. A diferença é que alguns já, outros preferem esperar mais uns dois, três meses”.  Segundo o relato do senador, “a maioria, eu diria que quase a totalidade, talvez com a única exceção do Lupi e um ou dois mais, queria sair do governo agora”.

“Se o senador tem esse posicionamento é um posicionamento pessoal dele, posso garantir que não é do partido”, responde Figueiredo.

Cristóvam, que era do PT e foi ministro da Educação no início do governo Lula, afirma que há muitos anos se opõe à permanência na base. “Fiz discurso. E fui contra, quando saiu Lupi, voltar outro [do PDT]. Fui contra a entrada do Manoel Dias [atual ministro do Trabalho]. Sou a favor de sair já, mas não se deliberou isso”, conta.

O senador nega que uma eventual saída do PDT da base de Dilma possa redundar na aliança do partido ao PSB do possível candidato socialista à Presidência da República, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos. Com a decisão oficial do PSB de sair da base de Dilma, deixarão a Esplanada dos Ministérios Fernando Bezerra (Integração Nacional) e o ministro da Secretaria de Portos, Leônidas Cristino. “Isso [aliança com o PSB] ninguém está nem falando. Isso é para depois”, diz Buarque.

André Figueiredo reconhece que o posicionamento do PDT nas eleições de 2014 está longe de ser consensual. “Uns advogam candidatura própria, outros apoio a candidatura do governador Eduardo Campos, outros manter a base de apoio à presidenta Dilma”, afirma o líder.

O deputado Paulo Pereira da Silva afirma que não teve tempo de participar da reunião. “Eu estou saindo do PDT, não vou mais ficar no PDT”, admite. Paulinho está fundando o Partido Solidariedade, que aguarda a concessão do registro pelo Tribunal Superior Eleitoral.

Histórico de denúncias

No último dia 9, a Polícia Federal deflagrou a Operação Esopo, para desmantelar suposto esquema de fraude em licitações e outras operações que teriam provocado prejuízos de R$ 400 milhões ao Ministério do Trabalho. A reunião de hoje tinha o pretexto de “blindar”, como definiu um jornal paulista, a figura do ministro Manoel Dias de mais um escândalo na pasta.

O catarinense Dias, de 74 anos, substituiu Brizola Neto em março de 2013. O PDT comanda o Ministério do Trabalho desde março de 2007, no segundo mandato de Lula, quando Carlos Lupi substituiu o então ministro Luiz Marinho, do PT.

Lupi caiu em dezembro de 2011 após denúncias de fraudes e cobrança de  propina de ONGs prestadoras de serviços ao ministério, desvios de verbas para o caixa do partido e outras. À época, a Comissão de Ética da Presidência da República recomendou a demissão do ministro, demitido em dezembro daquele ano.

Após período de interinidade de Paulo Roberto dos Santos Pinto, secretário-executivo de Lupi, Brizola Neto assumiu em maio do ano seguinte. Dez meses depois, por influência do próprio Lupi, Brizola foi demitido e substituído pelo atual ministro Manoel Dias, secretário-geral da legenda.