Semiárido

Programas no Nordeste combatem efeitos da seca e do clientelismo, diz Dilma

Em cerimônia realizada no Palácio do Planalto, presidenta diz que parcerias com prefeitos apontam para uma 'mudança de mentalidade'

Roberto Stuckert Filho/Planalto
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Para a presidenta, é importante que o uso de carros-pipa seja supervisionado pelo Exército

São Paulo – A presidenta Dilma Rousseff disse nesta terça-feira (10), em cerimônia realizada no Palácio do Planalto, que os programas de combate aos efeitos da seca e de desenvolvimento no Nordeste são um “dever do Estado”. Segundo ela, é preciso “olhar” para a região do Brasil “que foi uma das que sofreu as maiores consequências da desigualdade no país”. “É questão de honra encontrar uma solução para semiárido que não seja a indústria da seca”, afirmou.

Ela ressaltou que a parceria com os prefeitos da região faz parte de uma política que aponta para uma transformação “que também é de mentalidade”. Com programas e apoio, o governo pretende “transformar a economia do semiárido em uma economia sustentável”, explicou.

Dilma esclareceu que as medidas para minimizar os efeitos da maior seca no Nordeste nos últimos 60 anos contemplam ações “específicas, além das estruturantes”. “Montamos uma operação de carro-pipa, tradicional, mas desta vez os carros-pipa tiveram o Exército coordenando a operação para evitar o uso clientelista dessas operações, em parceria com os estados.”

Segundo ela, o uso dos carros-pipa é importante porque eles permitem que haja uma armazenagem mais racional da água a ser levada à população.

Dilma anunciou investimento de R$ 135,4 milhões do programa Água para Todos para implementação de sistemas simplificados de abastecimento de água. Os recursos irão beneficiar 41 mil famílias de comunidades rurais de baixa renda em 336 cidades do semiárido.

Os estados beneficiados com 1.042 sistemas simplificados de abastecimento de água são Alagoas, Bahia, Ceará, Minas Gerais, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe.

A presidenta comentou também o Plano Safra do Semiárido 2013/2014, lançado há dois meses, para atender agricultores familiares e produtores rurais do semiárido nordestino e do norte de Minas Gerais. O programa é uma extensão do Plano Safra da Agricultura Familiar.

Segundo Dilma, estratégias de armazenagem são fundamentais para o desenvolvimento do Nordeste. “O semiárido, para conviver com a seca, tem de ter um Plano Safra. É possível construir uma segurança hídrica produtiva. Temos de cercar o semiárido de condições como as que cercam os países de inverno rigoroso.”

Ela aproveitou também para falar do programa Mais Médicos. “Que tenhamos muito sucesso com o Mais Médicos. Até porque uma parte dos 701 municípios onde não mora nenhum médico também são municípios do semiárido.”