Resistência

Wagner pede que Dilma não ceda a pressões contra médicos estrangeiros

Em Salvador, governador da Bahia afirma que vai dialogar com a classe média e que PT não teme a voz das ruas porque nasceu dela

Roberto Stuckert Filho/Planalto

Wagner (direita) afirmou que a União deve bancar os investimentos com a contratação de médicos

São Paulo – O governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), pediu hoje (4) que a presidenta Dilma Rousseff não ceda às pressões que tentam fazê-la recuar da decisão de contratar médicos estrangeiros. “Não podemos abrir mão de dar um passo adiante na saúde pública brasileira”, afirmou em Salvador, ao lado da presidenta, durante cerimônia sobre o Plano Safra da Agricultura Familiar.

“Se os médicos brasileiros não forem suficientes para fazer o atendimento no interior de cada estado do norte, do nordeste e de outras regiões, em cada UBS, em cada hospital, temos de trazer sim médicos de outros países, bancados pelo governo federal, para que os prefeitos tenham condições de garantir saúde pública para sua população em todos os municípios do país”, acrescentou.

A vinda de médicos estrangeiros, que vinha sendo analisada pelo governo federal desde o começo do ano, foi uma das medidas anunciadas pela presidenta Dilma Rousseff como reação às manifestações populares de junho. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, anunciou que será aberto um edital para contratação de profissionais brasileiros e, para os locais nos quais não haja interesse, serão convocados médicos de outros países.
Associações de classe têm resistido à proposta, dizendo que os usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) serão prejudicados pelo atendimento de profissionais com déficit de formação. Especialistas e o ministro entendem que se trata de uma posição corporativista que visa a evitar que, com maior oferta de mão-de-obra, os salários caiam.

Durante o discurso, Wagner comentou também as manifestações como um todo, informando que vai “conversar com a classe média” e enfatizando que o governo do PT, que completou dez anos, tem como marca os programas sociais. “Nós não tememos a voz das ruas porque nascemos nas ruas e este é um governo governo que ouve a voz das ruas”, disse.

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