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Violência

Alckmin aposta na provocação e no 'quanto pior, melhor', diz deputado petista

Para Adriano Diogo, truculência da PM paulista contra manifestantes faz parte de "orquestração para dizer que o país está mergulhado no caos"
por Eduardo Maretti, da RBA publicado 14/06/2013 15h26, última modificação 14/06/2013 18h58
Para Adriano Diogo, truculência da PM paulista contra manifestantes faz parte de "orquestração para dizer que o país está mergulhado no caos"
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O deputado estadual Adriano Diogo critica intransigência de Alckmin para tratar dos movimentos sociais

São Paulo – O deputado estadual Adriano Diogo (PT), que coordena a Comissão da Verdade da Assembleia Legislativa de São Paulo, considera “criminosa” a ação da Polícia Militar na repressão ao ato pela redução das tarifas do transporte público em São Paulo, ontem (13), que deixou mais de 100 pessoas feridas.

“A linha da PM é da provocação, do quanto pior melhor. Mas essa é a linha do governador do estado.”

Além dos fatos e das imagens chocantes de agressões de soldados contra civis relacionados ou não ao movimento, o deputado petista vê uma estratégia política “orquestrada” por parte do governo de Geraldo Alckmin (PSDB).

“Eu já vi isso em 1964. É uma orquestração para dizer que o país está mergulhado no caos, numa profunda baderna, que a Dilma não governa, que Haddad aumentou a passagem de ônibus”, acredita Diogo.

“É um movimento articulado que já começou, para criar uma atmosfera de caos no país, para impedir que a Dilma ganhe a Presidência da República”. A presidenta deve concorrer à reeleição em 2014.

“As pessoas sabem que a PM é do governo do estado, mas não sabem que o governador está falando em aumento da passagem do ônibus de São Paulo. Fica a impressão que o Haddad está reprimindo. Eles falam que o movimento dos jovens é pelo aumento das passagens de ônibus, o que é uma mentira, porque o aumento é do metrô, de ônibus, do transporte em geral.”

Sobre as críticas de omissão por parte do prefeito de São Paulo, que, segundo inúmeras pessoas nas redes sociais, deveria usar sua autoridade para mediar uma negociação, Diogo diz concordar.

“Acho que tinha que ter e tem que ter uma mediação do Haddad. Mas isso não tem nada a ver com a repressão, a repressão vem da cabeça do governador. Ele mandou baixar o cacete para voltar o ódio contra o Haddad. É caso pensado. É uma estratégia do PSDB”, acredita.

Alckmin disse hoje que está "sempre aberto ao diálogo, mas não é possível permitir atos de vandalismo". "Temos que garantir tranquilidade às famílias que querem trabalhar”, afirmou.

Liberdade de expressão

O deputado Olímpio Gomes (PDT), o Major Olímpio, acompanhou a movimentação das 16h até a meia-noite de ontem, segundo ele. “A manifestação era pacífica contra os preços extorsivos do transporte público, com o que todo mundo concorda. Temos que dar garantias pelo dispositivo constitucional de liberdade de expressão, do direito legítimo do cidadão de reclamar. Ninguém é capaz de rebater que a causa é mais do que justa”, diz.

O parlamentar, porém, faz uma ponderação. “A gente sabe que entre 5 mil pessoas talvez haja 200 ou 300 vândalos infiltrados para descaracterizar o próprio espírito da manifestação.” Por isso, o deputado, que exerceu função de oficial da Polícia Militar por 29 anos, diz que o fato de haver “pessoas com múltiplos objetivos” em manifestações grandes como essa justificariam uma estratégia “dissuasiva” do governo que, bem executada, segundo o deputado, poderia ter evitado o confronto.

De acordo com ele, a estratégia seria colocar uma força policial da tropa de choque visível, “para desestimular e dissuadir” os que estiverem pensando em violência. “O erro estratégico foi governamental. O governo não fez isso para não manchar sua imagem política e acabamos tendo essas imagens horríveis de confrontação para o mundo”, diz Olímpio.

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