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Paulinho monta grande palco contra Dilma, mas só Aécio comparece

Eduardo Campos e Marina Silva não aderem a festa com críticas ao governo, e senador do PSDB, sozinho, aproveita para testar discurso com ataques à inflação e a supostas tentativas de ameaçar democracia
por Tadeu Breda, da RBA publicado , última modificação 01/05/2013 17h24
Eduardo Campos e Marina Silva não aderem a festa com críticas ao governo, e senador do PSDB, sozinho, aproveita para testar discurso com ataques à inflação e a supostas tentativas de ameaçar democracia

Paulinho, que estuda fundar uma nova sigla para se opor a Dilma em 2014, conseguiu atrair Aécio para a festa (Foto: Nelson Antoine/Fotoarena/Folhapress)

São Paulo – Se não foi a festa anti-Dilma planejada pelo presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, o evento do 1º de Maio na Praça Campo de Bagatelle, na zona norte de São Paulo, serviu para o senador tucano Aécio Neves testar o discurso que aplicará contra o governo federal na tentativa do próximo ano de chegar ao Palácio do Planalto.

Nem Marina Silva, nem Eduardo Campos: a promessa do deputado federal Paulinho da Força (PDT-SP) de transformar a festa do Dia do Trabalho em um ato contra a presidenta da República, a quem vem fazendo oposição nos últimos meses, não se concretizou. Apenas o parlamentar do PSDB mineiro atendeu ao convite, que resultou em um evento-teste pré-eleitoral.

Sem companhias, o provável candidato tucano contra Dilma Rousseff teve três minutos para colocar em prática o que vem treinando nos últimos meses, e que será fundamental caso queira ameaçar a reeleição da presidenta, até aqui uma tarefa fácil, de acordo com as pesquisas. "O controle da inflação foi uma conquista do governo do PSDB, apesar do PT ter votado contra o Plano Real", defendeu, fazendo referência à administração de Fernando Henrique Cardoso à frente do Palácio do Planalto e ao pacote econômico contra a inflação vivida pelo país nos anos 1990. 

Nas últimas semanas, a alta de preços se transformou no mote eleitoral de Aécio, que acusa a equipe econômica de leniência com uma taxa de inflação de 6,5% ao ano – frente a 7,67% e 12,53% nos dois últimos anos de FHC. "Aliás, todas as vezes que o PT precisou escolher entre o Brasil e o PT, o PT jamais faltou ao PT. Seja no Plano Real, seja na Lei de Responsabilidade Fiscal e em tantos outros. Devemos lembrar dessas conquistas para saber que o Brasil tem forças, quando estamos unidos, para avançar mais."

Dizendo-se sempre alerta, o tucano afirmou que também está atento para um suposto ataque à democracia por parte de alguns setores do PT, fazendo referência à Proposta de Emenda à Constituição 33, de 2011, que submete algumas decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) ao crivo do Congresso. O texto foi aprovado na última semana pela Comissão de Constituição e Justiça, o que provocou reação dos ministros da Corte. "Limitar a ação do Supremo Tribunal Federal (STF) criando uma instância revisora [das decisões judiciais] no Congresso e impedir o Ministério Público (MP) de fazer ações investigatórias, essas coisas me parecem muito mais uma retaliação ao judiciário em razão das denúncias que foram feitas e das condenações propostas pelo Supremo”, disse o parlamentar do PSDB. 

O tucano pontuou ainda que o governo está colocando amarras à democracia quando age para, segundo ele, impedir a formação de siglas partidárias que não lhe dão apoio no Congresso. "Isso mostra pouca capacidade de conviver com a democracia e das liberdades", avalia, dizendo-se muito feliz pela recepção calorosa dos sindicalistas. "Tenho certeza de que o PSDB terá capacidade de apresentar ao Brasil, no momento certo, uma alternativa ao modelo de gestão que está aí: mais eficiente, mais ético e que efetivamente cuide daquilo que é essencial aos trabalhadores. Isso passa pela inflação."