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Em Salvador, ACM Neto ganha apoio do PMDB, mas não leva

Terceiro colocado no primeiro turno, o radialista Mário Kertész contrariou o partido e decidiu declarar voto em Nelson Pelegrino, o que deixa em aberto o deslocamento dos eleitores
por Lucas Esteves, especial para a Rede Brasil Atual publicado , última modificação 15/10/2012 11h48
Terceiro colocado no primeiro turno, o radialista Mário Kertész contrariou o partido e decidiu declarar voto em Nelson Pelegrino, o que deixa em aberto o deslocamento dos eleitores

Pelegrino lamentou que o PMDB baiano não tenha seguido o caminho de Kertész (foto), contrariando também a direção nacional da sigla (Foto: Bahia Notícias)

Salvador – Após a decisão dos dois nomes que passaram à disputa do segundo turno das eleições em Salvador, Nelson Pelegrino (PT) e ACM Neto (DEM) passaram a primeira semana da nova etapa na busca por apoios para a reta final. Os candidatos à prefeitura da capital baiana se reuniram com os ex-adversários e tentaram ao máximo reunir o capital político excedente nas urnas soteropolitanas em busca dos votos que podem definir o resultado final da corrida eleitoral na cidade.

De todos os cinco concorrentes derrotados, o mais importante a ser “seduzido” era o peemedebista Mário Kertész, que terminou o pleito na 3ª colocação com 9,43% dos votos, somando cerca de 121 mil eleitores. Entretanto, a decisão relativa a este apoio acabou dividida, uma vez que partido e ex-candidato não seguiram o mesmo caminho. Enquanto o PMDB escolheu apoiar ACM Neto, o radialista Kertész decidiu ceder apoio a Pelegrino, o que deixa a transferência de votos destes eleitores ainda indefinida.

De acordo com os irmãos Lúcio e Geddel Vieira Lima – as maiores lideranças do PMDB estadual –, a candidatura de ACM Neto era a melhor em termos de planos para a cidade. Ambos garantiram também que em momento nenhum haviam negociado cargos caso o candidato do DEM viesse a vencer o pleito e que esta decisão específica não atrapalharia a ocupação atual de Geddel, que é vice-presidente de pessoa jurídica da Caixa Econômica Federal.

"Não tenho razão para deixar o meu cargo porque a situação política que vivíamos quando o assumi continua a mesma: somos oposição no plano estadual e base do governo no plano federal. O que estamos discutindo aqui é uma questão municipal. Eu só deixaria o meu cargo caso o PMDB, após as reuniões de discussão, resolvesse orientar seu apoio ao candidato do PT. Eu faria isso inclusive para não alimentar as especulações de que meu cargo teria surgido com base em uma troca", explicou Geddel em entrevista coletiva na sede do PMDB baiano.

Por outro lado, Mário Kertész decidiu ficar ao lado de Nelson Pelegrino e apoiar a chapa petista no 2º turno. Segundo ele, também em entrevista coletiva, não seria de seu feitio adotar uma postura “em cima do muro” e, ao mesmo tempo, apoiar o candidato do DEM não era uma opção, uma vez que durante debates e campanha no 1º turno houve muita troca de farpas entre ambos. Para viabilizar esta divergência de opiniões de uma maneira prática, Kertész pediu para deixar o PMDB e, de acordo com os irmãos Vieira Lima, o processo ocorreu de maneira amigável.

Para Pelegrino, há um descompasso entre o PMDB local e a base de sustentação da presidenta Dilma na decisão em apoiar ACM Neto em Salvador. Ele julga que a legenda na Bahia desobedece a orientação da bancada federal e que o correto seria acompanhar a decisão de Kértesz. Sobre terceiro colocado, o candidato petista avaliou que traz à coligação um grande componente de experiência – o radialista já foi prefeito da cidade por duas vezes – e que este “know-how” seria plenamente incorporado a seu plano de governo. O ex-candidato, porém, já decidiu que voltará às transmissões e em caso de uma vitória de Pelegrino, não deverá participar do governo.

Entre os candidatos de menor votação, o Bispo Márcio Marinho (PRB) decidiu dedicar seu apoio a Pelegrino por uma orientação da bancada federal. Segundo ele, os 84 mil eleitores que o seguiram no 1º turno deverão votar no candidato do PT por conta do alinhamento com os governos Estadual e Federal em busca de atrair melhores projetos e recursos para Salvador. De acordo com seu raciocínio, a cidade “não pode andar com as próprias pernas” e, por conta da falta de verbas próprias, precisa do máximo de apoio possível para viabilizar a administração.

Por sua vez, Hamilton Assis (PSOL) decidiu que não apoiará ninguém na segunda etapa do pleito. O partido declarou, por meio de nota oficial, que sua coerência não estava à venda e que nenhuma das candidaturas representava mudanças na política da cidade. “Para nós, todos os dois são ruins. Faremos oposição aos dois", esclareceu o ex-candidato, reiterando que considera ambas as candidaturas, cada um por seu motivo, a manutenção do atual jogo de poder e submissão a empresários ou modelos de poder e opressão históricos.