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Candidatos a prefeito do Rio apelam a padrinhos na reta final da campanha

A menos de um mês das eleições, propaganda eleitoral tem participação de nomes como Dilma, Lula, FHC, Marina e Heloísa Helena, entre outros
por Maurício Thuswohl, da RBA publicado , última modificação 12/09/2012 13h17
A menos de um mês das eleições, propaganda eleitoral tem participação de nomes como Dilma, Lula, FHC, Marina e Heloísa Helena, entre outros

Eduardo Paes ressalta o sucesso da aliança entre a prefeitura e o governo federal (Foto: João Paulo Engelbrecht/PCRJ)

Rio de Janeiro – A menos de um mês das eleições, a propaganda eleitoral dos candidatos à prefeitura do Rio de Janeiro no rádio e na tevê trouxe definitivamente para a arena municipal a presença de lideranças políticas nacionais. Cada qual com seu padrinho, ou madrinha, os candidatos buscam tirar proveito da popularidade desfrutada entre os cariocas por figuras como a presidenta Dilma Rousseff e os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Fernando Henrique Cardoso, além de outros nomes como Marina Silva, Heloísa Helena, o ex-prefeito Cesar Maia e o governador Sérgio Cabral.

Candidato à reeleição e dono de um horário eleitoral com 16 minutos de duração, o prefeito Eduardo Paes (PMDB) aposta suas fichas em Lula. Além de aproveitar a grande aprovação ao ex-presidente no Rio, o objetivo é ressaltar o sucesso da aliança entre a Prefeitura e o governo federal: “É só as pessoas fazerem uma comparação entre os outros prefeitos e o Eduardo. Saber o que aconteceu no Rio nos últimos 30 anos e o que aconteceu nos últimos quatro anos. É só fazer essa comparação para a gente perceber a necessidade de continuar com o Eduardo, pela melhora que ele proporcionou ao Rio de Janeiro, pela melhora da autoestima do Rio de Janeiro”, diz o ex-presidente em uma das várias inserções no rádio e na tevê.

Uma análise feita pelo Instituto de Estudos Sociais e Políticos (Iesp) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) sobre a propaganda eleitoral veiculada entre os dias 21 de agosto e 3 de setembro revela que Paes destinou a Lula 29 inserções de um minuto na tevê. A partir desta semana, o candidato do PMDB espera contar também com a veiculação de mensagens de apoio gravadas por Dilma. A presidenta, segundo informações do Palácio do Planalto, concordou em aumentar sua participação na campanha da Região Sudeste e gravará depoimentos para Paes e Patrus Ananias (Belo Horizonte). Na segunda-feira (10) foi ao ar a participação dela no programa de Fernando Haddad (PT) em São Paulo.

Principal fiador político de Paes, o governador Sérgio Cabral, desgastado junto à população desde o início das investigações sobre a empreiteira Delta na CPI que investiga o contraventor Carlinhos Cachoeira, não vem sendo muito utilizado na propaganda do candidato peemedebista. Em suas inserções, Cabral fala de segurança pública e elogia Paes “pelo auxílio na instalação das UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora)”.

Segundo o Iesp/Uerj, a candidata Aspásia Camargo (PV) apresentou durante o período estudado 28 inserções nas quais aparece acompanhada da ex-ministra Marina Silva: “O Rio confiou em uma mulher para tornar o Brasil mais sustentável. Agora é a vez da mulher no Rio”, diz a voz em off da candidata sobre a imagem de uma foto onde aparece abraçada a Marina. No entanto, a ex-ministra, atualmente sem partido, ainda não se declarou oficialmente sobre as eleições cariocas, onde também é cortejada pelo candidato do PSOL, Marcelo Freixo.

Em terceiro lugar nas inserções aparece FHC que, segundo o estudo feito pelo Iesp/Uerj foi mostrado em 15 inserções de um minuto pelo candidato Otávio Leite (PSDB) nas duas semanas. Em suas participações, o ex-presidente saúda a decisão tomada pelo partido de ter candidato próprio pela primeira vez em doze anos na cidade: “Desta vez, o PSDB do Rio fez a coisa certa, que é ter um candidato como o Otávio Leite. Ele conhece o Rio, tem amor pelo Rio, sabe o que fazer pelo Rio”, diz.

Em nome do pai

Curiosamente, um padrinho cuja presença era considerada certa é o mais ausente, segundo o estudo do Iesp/Uerj. Durante o período analisado, o candidato Rodrigo Maia (DEM) não exibiu nenhuma inserção de seu pai, Cesar Maia, que teve 11% dos votos na eleição para senador em 2010.

No entanto, a ausência de Cesar, que é candidato a vereador, no programa do filho foi revertida nos dias seguintes à realização do estudo: “Aonde eu vou, ouço: vocês têm que voltar. E vamos voltar agora com o Rodrigo Maia. O Rio precisa do Rodrigo Maia”, diz o ex-prefeito, depois de afirmar que o candidato do DEM retomará programas sociais de sua gestão, como o Favela-Bairro, o Rio Cidade e o Remédio em Casa.

Madrinha substituta

O candidato Marcelo Freixo (PSOL) também pretendia apostar suas fichas na madrinha Marina Silva, que recebeu 31% dos votos dados pelos cariocas em 2010, nas últimas eleições presidenciais. Mas, ao menos por enquanto, esse é um nó político difícil de desatar, uma vez que, mesmo fora do PV, a ex-ministra tem nos verdes Fernando Gabeira e Alfredo Sirkis seus principais aliados na cidade. Sem Marina, Freixo conta com o apoio de importantes aliados no setor cultural, como os cantores Caetano Veloso e Chico Buarque e o ator Wagner Moura, entre outros.

A ex-senadora Heloísa Helena, que teve 17% dos votos dos cariocas nas eleições presidenciais de 2006, ainda aparece de forma tímida no programa de Freixo. Segundo fontes do partido, pode ser convocada como “madrinha substituta” no lugar de Marina, embora a provável saída dela da sigla coloque em dúvida a participação. Por enquanto, as aparições de Heloísa estão concentradas na propaganda de alguns candidatos a vereador, como, por exemplo, o ex-deputado federal Babá, que fundou o PSOL ao seu lado.