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Na TV, candidatos de SP reforçam marcas pessoais e estratégias de marketing

Haddad é 'cheio de energia'; Serra está 'no auge da experiência'; Chalita é 'capaz'; Russomano 'determinado'; e Soninha 'totalmente ecológica'
por Redação da RBA publicado 22/08/2012 15h45, última modificação 22/08/2012 16h01
Haddad é 'cheio de energia'; Serra está 'no auge da experiência'; Chalita é 'capaz'; Russomano 'determinado'; e Soninha 'totalmente ecológica'

São Paulo - Candidatos e candidatas à prefeitura de São Paulo deram início hoje (22) à maratona de programas de rádio e TV em que tentarão mostrar aos eleitores suas qualidades e propostas de governo. O horário eleitoral começou ontem em todo o país, mas somente hoje os majoritários estrearam.

Na maior cidade do país, os primeiros programas não fugiram ao roteiro do que já era esperado, com os concorrentes preocupados mais em reafirmar suas marcas pessoais, definidas em estratégias políticas e de marketing, do que em bater nos adversários.

Fernando Haddad (PT), que se apresenta na campanha como o “homem novo”, foi descrito como “jovem, trabalhador, ágil, dinâmico e cheio de energia”. Para reforçar a marca, passou quase o tempo todo andando em passo acelerado e falando ao mesmo tempo, percorrendo vários bairros centrais e periféricos à medida em que mostrava os problemas da cidade e propunha soluções.

O grande trunfo de Haddad na TV, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, apareceu pouco neste primeiro programa, mas deu o recado. Em uma tomada no Parque da Independência, com o Museu do Ipiranga ao fundo, Lula lembra que os brasileiros votaram na presidenta Dilma Roussef a partir de uma escolha sua, e não se arrependeram. “Haddad será o melhor prefeito da história de São Paulo”, concluiu.

O programa do petista foi o que mais críticas fez à administração Gilberto Kassab (PSD), aliado do adversário José Serra (PSDB). Haddad acusou a atual administração de “incompetente e insensível” e cutucou o tucano, famoso por acordar tarde e por ter abandonado a prefeitura na metade do mandato, em 2006, para disputar as eleições presidenciais. “São Paulo cansou de prefeito de meio expediente e meio mandato”, disse.

Para combater o “dinamismo” de Haddad, Serra se mostrou como homem de “vontade, vigor, garra e no auge da experiência”. Lembrando mais uma vez sua origem “humilde” numa “casinha” da Mooca, o tucano, que tem 70 anos, apareceu andando de bicicleta e empinando pipa no parque. Durante seu programa, apresentou “obras e mais obras” como credenciais de sua vida política e repetiu o mote da campanha presidencial de 2010, segundo o qual ele “faz o bem” e “melhora a vida das pessoas”.

Ao lembrar aos eleitores que disputou duas vezes a Presidência da República (2002 e 2010), Serra mostrou que ainda hoje não engoliu essas derrotas. “ Perdi em alguns estados, ganhei em outros”, limitou-se a informar.

O primeiro programa do tucano mostrou que haverá pouco espaço para a defesa da administração Kassab em seu horário. O prefeito foi citado duas vezes nos sete minutos de propaganda, de maneira elogiosa, mas muito rapidamente.

Gabriel Chalita, do PMDB, também procurou valorizar o fato de ser um “político jovem”, ressaltando que é “capaz, experiente e com muita vontade de trabalhar”.

No entanto, a principal estratégia do peemedebista está nas críticas ao PT e ao PSDB, ao mesmo tempo em que se apresenta como terceira via. Segundo ele, a disputa histórica entre petitas e tucanos atrapalha a cidade. “O PMDB é o único partido que pode unir a prefeitura, o governo do estado e o governo federal”, concluiu.

Embora com larga experiência na televisão, o deputado e apresentador Celso Russomano (PRB), líder nas pesquisas, foi o que pior aproveitou o pouco tempo que lhe cabe no horário eleitoral. Agradeceu a “intenção de voto”, falou de humildade e determinação e passou a bola para o vice Luiz Flávio d'Urso, que, ao som de violinos, narrou uma parábola envolvendo um sábio e um passarinho.

Paulino da Força (PDT) também escolheu o tom emotivo para sua primeira aparição. Quase às lágrimas, Paulinho lembrou de sua origem “humilde” de criança, quando, segundo ele, só comia macarrão e só bebia guaraná no Natal. Intitulou-se um “defensor incansável” dos mais pobres.

Já Soninha Francine (PPS) usou seu tempo andando de bicicleta em câmera lenta, com uma gaita de blues ao fundo e a narração de suas propostas. Durante o programa, uma de suas filhas dá o testemunho: “Minha mãe é totalmente ecológica. Quando anda de carro, só abastece com álcool”.

Entre os candidatos da extrema-esquerda, Ana Luiza (PSTU) criticou a aliança do PT com Paulo Maluf, "maior símbolo da corrupção"; e Anaí Caproni (PCO) falou em retirar do poder os grupos empresariais que dominam a administração pública e "levaram São Paulo ao caos".