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Caixa 2 de Serra, Alckmin e Kassab era 'conversa de bêbado', diz Pagot em CPI

Na comissão parlamentar, ex-diretor do Dnit diz não poder provar que tucanos desviaram verba do Rodoanel para campanhas eleitorais
por Redação da RBA publicado 28/08/2012 15h33, última modificação 28/08/2012 16h15
Na comissão parlamentar, ex-diretor do Dnit diz não poder provar que tucanos desviaram verba do Rodoanel para campanhas eleitorais

Luiz Antônio Pagot afirmou que repórter da revista 'IstoÉ' usou as palavras que quis e não as que disse (Foto:Agência Câmara/Alexandre Martins)

Brasília – O ex-diretor-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), Luiz Antônio Pagot, afirmou hoje (28), em depoimento à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Cachoeira, que as acusações que fez sobre desvio de recursos públicos das obras do Rodoanel, em São Paulo, para campanhas eleitorais de José Serra (PSDB), Geraldo Alckmin (PSDB) e Guilberto Kassab (PSD), não passavam de “conversa de bêbado em botequim”.

A entrevista em que Pagot denunciou o esquema foi publicada pela revista IstoÉ em junho deste ano. Nela, o ex-diretor teria afirmado, segundo o procurador de uma empreiteira, haveria formação de caixa 2 com os recursos da obra e que, na divisão do dinheiro, seriam “60% para o Serra, 20% para o Kassab e 20% para o Alckmin”.

Hoje, na CPI, Pagot afirmou: “Depois que eu tinha negado o aditivo [para uma obra do rodoanel], no final de 2010, estava almoçando no restaurante Francisco e um conhecido meu que trabalha em uma empresa me advertiu de que o aditivo tinha finalidade de contribuir com as campanhas de Serra, Alckmin e Kassab. Ao dizer isso para o repórter [da revista IstoÉ], eu ressaltei que era uma conversa de bêbado em botequim, que não dava para provar. Posteriormente, o repórter usou as palavras que quis e não as que eu disse”, afirmou.

Pagot afirmou que conheceu em 2008 o ex-diretor da Dersa (empresa paulista responsável pelas estradas) Paulo Vieira de Souza, conhecido por Paulo Preto, durante uma reunião sobre o eixo sul do Rodoanel, em São Paulo. Paulo Preto é ligado a José Serra e teve o nome envolvido com o suposto sumiço de R$ 4 milhões durante a campanha do tucano à Presidência da República em 2010. Ele era responsável pelas obras do Rodoanel e irá depor na CPI amanhã (29).

Ainda na CPI, Pagot confirmou o que havia dito em outra entrevista, esta à revista Época, de que indicou empreiteiras para contribuir com a campanha da presidente Dilma Rousseff. Ele repetiu que as doações foram feitas dentro da lei. Segundo Pagot, algumas empreiteiras mostraram para ele, depois, comprovantes de doações à campanha presidencial.

Cachoeira e Veja

O ex-diretor disse ter ficado estarrecido ao saber que sua saída do órgão teria sido provocada por um complô entre o contraventor Carlinhos Cachoeira e o representante da empresa Delta para o Centro-Oeste, Cláudio Abreu, envolvendo fabricação de reportagens contra ele na revista Veja.

As ligações de Veja com o esquema criminoso vieram à tona com as operações Vegas e Monte Carlo, da Polícia Federal. Nelas, dezenas de escutas telefônicas autorizadas mostram que o bicheiro e a revista atuavam em parceria, seja para favorecer os negócios de Cachoeira, seja para municiar a revista com material que pudesse atingir os governos Lula e Dilma, seus ministros e aliados.

Devido à evidência do conluio, alguns parlamentares já tentaram algumas vezes convocar o diretor da sucursal de Brasília de Veja, Policarpo Jr., para depor na CPI. Mas integrantes da oposição e de partidos da própria base tem barrado os pedidos.

Pagot teria sido vítima da armação de Veja/Cachoeira proque, segundo ele, contrariou interesses da empreiteira Delta. “Eu exigia a correta execução das obras e a manutenção dos cronogramas. E, especialmente desde 2010, vínhamos tendo problemas com a Delta em relação à execução de obras”, ressaltou ele.

Pagot também afirmou que o Tribunal de Contas da União (TCU) e uma rede de controle formada por este tribunal, pela Controladoria Geral da União, pelo Ministério Público e pela Polícia Federal apontaram diversos problemas na atuação da Delta.

Entre as dificuldades com a Delta, Pagot citou subcontratações sem autorização do Dnit, reivindicações de aditivos para aumento de preços e instalações de placas de concreto que não respeitavam as especificações do projeto.

O relator da CPI, deputado Odair Cunha (PT-MG), lembrou que interceptações telefônicas mostram Carlinhos Cachoeira e Cláudio Abreu, da Delta, comemorando a saída de Pagot do Dnit.