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A empresários, Miriam Belchior lembra que corrupção possui dois lados

Ministra do Planejamento critica participação de empresas em escândalos de desvios e fraudes. Embora holofotes recaiam sobre servidores públicos, corruptores também são responsáveis
por raoniscan publicado , última modificação 19/09/2011 18h46
Ministra do Planejamento critica participação de empresas em escândalos de desvios e fraudes. Embora holofotes recaiam sobre servidores públicos, corruptores também são responsáveis

Para a ministra, a corrupção parte do empresário, que oferece a oportunidade de práticas corruptivas (Foto: Wilson Dias / Agência Brasil)

São Paulo - A ministra do Planejamento, Miriam Belchior, afirmou a empresários nesta segunda-feira (19) que os meios de fiscalização para combater a corrupção são suficientes no Brasil. Para ela, a corrupção parte do empresário, que oferece a oportunidade de práticas corruptivas ao membro do poder público. O segundo lado necessário para que o desvio ocorra é o do servidor, que aceita propina para permitir o funcionamento fraudulento. “A corrupção é uma responsabilidade do governo e da sociedade também. Tem sempre quem oferece e quem recebe”, reforçou a ministra.

A ministra participou de encontro com o Lide – grupo de líderes empresários – sob a coordenação de João Doria Junior, presidente do grupo Doria. Miriam Belchior mencionou os escândalos denunciados no governo Dilma Rousseff. Para ela, os mecanismos de controle estão mais eficientes, o que leva o país à condição de referência mundial em transparência administrativa.

A análise da ministra arrancou elogios do empresário João Doria, que incentivou a continuidade da chamada “faxina” no governo, em alusão às demissões de ministros e secretários envolvidos em escândalos – dos cinco titulares do primeiro escalão a deixar o governo até agora, quatro caíram após acusações. Dilma e os membros do Executivo rechaçam a adoção do termo faxina, alegando que se tratam de medidas pontuais.

Ao classificar os meios fiscalizadores como suficientes para o combate a corrupção, Miriam Belchior defendeu o Regime Diferenciado de Contratações (RDC), que flexibiliza e desburocratiza editais para obras públicas para a Copa de 2014. Para ela, o modelo simplificado de contratação pelo setor público é o futuro do processo de licitação no país.

“A sociedade está cada vez mais atenta, o Ministério Público, o Tribunal de Contas, a Corregedoria Geral da União, o Congresso, a mídia, são suficientes para fazer a fiscalização. Precisamos aperfeiçoar o cerco à impunidade”, explicou.

Obras de 2014

Sobre a polêmica criada em torno dos atrasos nas obras para a Copa, Miriam Belchior mostrou-se otimista, afirmando que dos 12 estádios que receberão jogos da competição, dez estão em dia – apenas as arenas de São Paulo e Natal encontram-se atrasadas no cronograma. “O país foi anunciado como sede da Copa em 2007, mas as cidades sedes só foram escolhidas em maio de 2009, portanto, há pouco mais de dois anos”, justificou.

A ministra alegou que dificulta o processo a falta de profissionais para a construção civil, em todas as fases, do projeto à execução. “Precisamos de gente mais qualificada, de engenheiros a peões", analisou.

Miriam Belchior também destacou o interesse do governo nas parcerias com as empresas privadas. “Temos a convicção que a participação público-privada é a melhor forma de garantir os investimentos. A concessão de rodovias, ferrovias e recentemente os aeroportos são exemplo dessas parcerias”, disse.