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Em resposta a deputados, Senado prepara apoio a governo ético

Senadores afirmam que Dilma tem oportunidade histórica de romper com troca de favores entre Executivo e Legislativo, montando uma base aliada ancorada em ideias e projetos
por João Peres, da RBA publicado , última modificação 12/08/2011 15h58
Senadores afirmam que Dilma tem oportunidade histórica de romper com troca de favores entre Executivo e Legislativo, montando uma base aliada ancorada em ideias e projetos

São Paulo – O senador Pedro Simon (PMDB-RS) informou nesta sexta-feira (12) que se prepara para a próxima segunda-feira (15) em plenário uma série de discursos em apoio a "um governo de integridade moral e ética".

A última sessão da semana, sem caráter deliberativo, foi marcada por discursos de respaldo à ideia de um Poder Executivo livre da troca de favores com o Legislativo. As afirmações foram feitas um dia após deputados entrarem em “obstrução branca”, ou seja, se recusarem a votar projetos. Tratou-se de uma forma de pressionar a presidenta Dilma Rousseff em meio a insatisfações provocadas pela demora na liberação de recursos de emendas parlamentares e pela operação da Polícia Federal que levantou irregularidades no Ministério do Turismo durante gestões do PT e do PMDB. 

Para Simon, há uma percepção de que a sociedade está cada mais preocupada com a seriedade e a responsabilidade do trabalho dos políticos. “Eu acho isso maravilhoso. Que venha o povo, que ele nos pressione, que nos coloque contra a parede.”

Ameaças surgiram dentro da base aliada contra Dilma desde que a presidenta deu início a demissões de ministros e subordinados sob suspeita de envolvimento em corrupção. A primeira situação foi criada pelo PR após a demissão do ex-titular dos Transportes, Alfredo Nascimento. O partido anunciou de imediato que passaria a fazer um “apoio crítico” ao governo, e nesta sexta-feira passou a ameaçar deixar a coalizão governista.

Depois disso, houve denúncias contra o ministro da Agricultura, Wagner Rossi, o que forçou o Planalto a trabalhar com rapidez para evitar um desgaste na relação com o PMDB. No entanto, o partido se irritou com as prisões realizadas no Ministério do Turismo e com as tentativas de envolver o ministro Pedro Novais, afilhado de José Sarney, no suposto esquema. 

Para o senador Cristovam Buarque (PDT-DF), Dilma deve transformar as ameaças em uma oportunidade de montar uma base política sólida, "assentada em ideias e projetos para o país", deixando de lado a noção de "interesses negados ou concedidos". Durante a votação do Código Florestal na Câmara, a orientação do Executivo foi desrespeitada pela base aliada, e na prática a divisão dos deputados se deu entre ruralistas e não ruralistas, o que implicou em uma dupla derrota Planalto. “O governo não trouxe [ao Congresso] uma proposta para revolucionar a educação, a saúde, as cidades e o modelo de desenvolvimento. A falta dessas bandeiras impede a composição de uma base capaz de dar sustentação sólida”, alertou o parlamentar, que foi ministro da Educação do governo Lula.

Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR) também identificou no momento político "uma oportunidade de ouro" para o país. Ele conclamou os partidos a trocar as conveniências individuais pelos interesses da Nação, a fim de dar à presidenta a tranqüilidade para fazer "um trabalho sério, honesto e competente, que é o desejo de todos".

Com informações da Agência Senado