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Deputado do PMDB chama de 'esdrúxulo' voto proporcional misto, proposto pelo PT

Almeida Lima diz que PMDB ainda não tem uma proposta fechada para reforma política, mas “distritão” é o preferido pela maioria
por raoniscan publicado 04/08/2011 17h59, última modificação 04/08/2011 18h41
Almeida Lima diz que PMDB ainda não tem uma proposta fechada para reforma política, mas “distritão” é o preferido pela maioria

Almeida Lima (PMDB-SE) diz que proposta de relatoria de Henrique Fontana (PT-RS, ao fundo) não traz nada definido (Foto: Leonardo Prado/Ag. Câmara)

São Paulo – Nem bem o semestre legislativo começou e as primeiras diferenças entre integrantes da base aliada do governo já começaram a surgir. Um novo episódio sobre a delicada relação entre PT e PMDB no Congresso aconteceu nesta quinta-feira (4), quando o presidente da Comissão de Reforma Política, deputado Almeida Lima (PMDB-SE), disse considerar a proposta de implementação do voto proporcional misto para cargos legislativos, defendida pelo PT, como “esquisita e esdrúxula”.

O parlamentar insistiu que a posição do PT “não traz nada definido”, e significa uma “ausência de proposta”. Ele ainda colocou a reforma política como um tema apartidário. “Essa é uma questão que não está no programa do partido (referindo-se ao PMDB), não há uma obrigatoriedade de posição. Cada um votaria de acordo com sua consciência e conveniência”, observou.

Mesmo sem falar em nome da legenda, o deputado afirmou que a maioria no PMDB mantém a preferência pelo sistema de eleição conhecido como “distritão”, onde as eleições proporcionais transformam-se em disputas majoritárias, se elegendo os candidatos com maiores votações, independentemente do partido.

Dinheiro

Almeida Lima também se mostrou contra o sistema de financiamento público de campanha, um dos principais pontos de debate na reforma. “O financiamento público vem apenas para tirar dinheiro oficial, da União. Não vejo essa proposta como uma solução para o problema de corrupção e caixa dois nas campanhas. Eu não tenho condições de chegar para o eleitor e dizer: 'Vamos tirar uma fatia dos impostos, que podem ser destinados para a saúde, para gastarmos em campanha eleitoral.'”

No próximo dia 10, o relator da Comissão de Reforma Política, Henrique Fontana (PT-RS), irá protocolar um projeto, apoiado pela bancada petista, propondo mudanças no sistema político. Entre as propostas, estão o financiamento público de campanha e o voto proporcional misto. Os deputados da comissão poderão fazer emendas ao projeto.

Almeida Lima afirmou ainda que não enxerga as discussões em torno da reforma política como uma disputa entre as forças no Congresso. "O debate tem nada a ver com governo e oposição”, resumiu.