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Crescem rumores sobre a saída de Jobim ainda nesta quinta

Estopim foi divulgação de entrevista com novas declarações ácidas contra o governo
por anselmomassad publicado , última modificação 04/08/2011 15h10
Estopim foi divulgação de entrevista com novas declarações ácidas contra o governo

Nelson Jobim está no Ministério da Defesa desde 2007 (Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil)

São Paulo - Os rumores de que Nelson Jobim deixará o Ministério da Defesa crescem em Brasília. O estopim foi a divulgação de trechos da entrevista concedida há um mês à revista Piauí e divulgada nesta quinta-feira (4), com críticas a ministros e à própria presidenta Dilma Rousseff. A decisão teria sido tomada em reunião do núcleo político do governo.

Além de Dilma, participaram da reunião a ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Ideli Salvatti, e a chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann – ambas foram alvo de comentários de Jobim. Gilberto Carvalho, ministro da Secretaria-geral da Presidência, é apontado pelo jornalista Tales Faria como responsável por entregar uma cópia da íntega da entrevista. A ministra de Comunicação Social, Helena Chagas, também participou do encontro.

O ministro não foi comunicado ainda por estar em viagem oficial em Tabatinga (AM), a 1,1 mil quilômetros a oeste de Manaus. Ele está acompanhado de Michel Temer, vice-presidente, e do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. A missão envolve a assinatura de um acordo para criar da Comissão Binacional Fronteiriça (Combifron) e a adoção do Plano Binacional de Segurança Fronteiriça. A notificação ocorreria tão logo Jobim se encontrasse com a presidenta.

Segundo O Globo, a presidenta estaria disposta a ler a íntegra apenas mais tarde, mas já teria tomado a decisão de promover a troca na pasta da Defesa. Ela teria ficado especialmente incomodada por afirmações relacionadas à indicação de José Genoíno (PT-SP), suplente de deputado federal, para ocupar um cargo de assessor de Jobim. Na entrevista, o ministro da Defesa deu sua versão do episódio. Dilma teria questionado se Genoíno poderia ser útil à pasta, ao que Jobim alega ter respondido: "Quem sabe se ele pode ou não ser útil sou eu".

Nos últimos meses, o ministro acumula um saldo de desgastes e declarações embaraçosas a respeito do governo. Mas desde que assumiu, em 2007, ainda durante o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, possui um histórico de polêmicas. No mês passado, anunciou ter votado em José Serra (PSDB) na eleição presidencial de 2010 – quando o tucano disputava o cargo com a hoje presidenta Dilma. Antes, fez críticas à terceira edição do Plano Nacional de Direitos Humanos (PNDH-3), insinuou que estaria cercado por "idiotas", foi apontado como nome "confiável" dentro do governo pela estrutura diplomática dos Estados Unidos, entre outros episódios.

Acúmulo

Na entrevista cujos trechos foram divulgados nesta quinta, ele ainda distribuiu críticas ao governo em temas como a condução da discussão da Lei Geral de Acesso à Informação. "É muita trapalhada", qualificou. Jobim e o Itamaraty são apontados como os polos favoráveis, dentro do governo federal, à manutenção do sigilo eterno para documentos ultrassecretos do Estado brasileiro que dizem respeito à formação de fronteiras e a episódios como a Guerra do Paraguai (1864-1870).

Outros alvos são duas colegas de Esplanada dos Ministérios. Ideli é taxada de "fraquinha", enquanto Gleisi "nem sequer conhece Brasília". A presidenta e suas duas ministras formam um trio central no Executivo, coordenando politicamente as ações do governo. A divulgação do conteúdo acontece um dia depois de uma reunião entre Jobim e Dilma. A avaliação da cúpula do governo continua a ser a de que as manifestações são "desnecessárias", conforme disseram Carvalho, na semana passada, e Ideli, nesta quinta.

A nomeação de Genoíno é citada como um episódio de desgaste na relação entre Jobim e Dilma. Na segunda-feira (1º), Jobim disse ao programa Roda Viva, da TV Cultural, que tem "prazer" em exercer o cargo e que pretende seguir no posto. Entre militares, é dada como certa sua saída, já que teria havido um acordo entre o ministro e o ex-presidente Lula no sentido de garantir sua permanência apenas por alguns meses. A opção de manter polêmicas frequentes com declarações à mídia reforça as especulações a respeito de sua substituição.

Michel Temer é um dos nomes cotados para substituir Jobim na defesa, em uma saída semelhante à adotada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2004. Na ocasião, José Alencar, então vice, acumulou o cargo no lugar de José Viega Filho, como forma de garantir uma boa relação com setores militares.