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Gráfica que imprimiu folhetos falsos contra Dilma pertence a militante do PSDB

por Fabio M Michel, da RBA publicado , última modificação 18/10/2010 11h30

E-mail com o pedido de impressão de folhetos falsos à gráfica Pana, de Arlety Kobayashi (Foto: Marcelo Zelic)

São Paulo – A gráfica Pana, localizada no bairro do Cambuci, zona central da capital paulista – onde a PF apreendeu cerca de 1 milhão de panfletos ofensivos contra a candidatura Dilma Rousseff – pertence à empresária Arlety Satiko Kobayashi, que é filiada ao PSDB desde 1991.

Ela é dona de 50% da empresa, conforme contrato social revelado pelo jornalista Rodrigo Vianna, em seu blog O Escrevinhador.

No domingo (17) a Polícia Federal apreendeu, por determinação do TSE, o material que teria sido impressos em nome da CNBB (Confederação Nacional dos Bispos do Brasil), encomendado pelo bispo da Diocese de Guarulhos, Dom Luiz Gonzaga Bergonzin.

Arlety é irmã de um dos coordenadores da campanha de José Serra, Sergio Kobayashi, além de ter o sobrenome de um dos fundadores históricos da legenda, Paulo Kobayashi.

Ela também é funcionária pública e tem cargo na Assembleia Legislativa paulista. Foi doadora da campanha de Vitor Kobayashi a vereador em São Paulo, em 2008.

Em nota, a assessoria de imprensa do PSDB negou vínculo entre a campanha de Serra e o panfleto falso – em que o PT e Dilma Rousseff são associados à legalização do aborto, terrorismo etc. “A campanha de José Serra não aceita a insinuação de conluio de qualquer tipo entre a atividade eleitoral e a Igreja Católica. É um desrespeito à Diocese de Guarulhos e à própria Igreja imaginar que possam ser correia de transmissão de qualquer candidatura. A Igreja Católica não é a CUT", diz a nota.

Porém, cópia da encomenda feita por dom Luiz desmentem a afirmação dos tucanos. O pedido de impressão recebido por e-mail pela gráfica instrui que a cobrança pelos serviços deveriam ser encaminhadas à Mitra Diocesana de Guarulhos.

Segundo a Folha de S.Paulo, o emissor do e-mail,  Kelmon Luís de Souza, disse que a previsão era de que fossem impressos 20 milhões de exemplares do falso panfleto - a gráfica alegou que só poderia rodar cerca de 1 milhão. Kelmon teria afirmado ainda que o dinheiro para pagar o serviço teria vindo de “doações pesadas (sic) de quatro ou cinco fiéis.”

Também em nota, a CNBB declarou que "não patrocina a impressão e a difusão de folhetos" de nenhum candidato. Leia a íntegra do comunicado da CNBB.

Cerca de 50 militantes da campanha de Dilma Rousseff à presidência passaram a noite de sábado e a madrugada do domingo em vigília na porta da gráfica, para evitar que o material fosse retirado do local.