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Ladislau Dowbor: eleição moderniza o Brasil

Professor destaca recuo das oligarquias, diz que vitória de Dilma "dignifica o país" e defende "Bolsa Família mundial". Para ele, imprensa estimulou o ódio, e não o debate político
por Vitor Nuzzi, da RBA publicado 31/10/2010 21h11, última modificação 31/10/2010 22h15
Professor destaca recuo das oligarquias, diz que vitória de Dilma "dignifica o país" e defende "Bolsa Família mundial". Para ele, imprensa estimulou o ódio, e não o debate político

São Paulo – A eleição de Dilma Rousseff (PT) à Presidência da República neste domingo (31) foi mais um passo na modernização do Brasil, segundo o economista Ladislau Dowbor. Para o professor da Pontíficia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), o país vai, aos poucos, deixando a "pré-história". A escolha de uma mulher para o cargo "dignifica muito o país", na visão de Dowbor.

Ele ressaltou ainda o fato de a nova presidente ser alguém que estava "no coração do poder", o que representará a continuação de alguns eixos fundamentais do governo, como o social e o das relações exteriores, além do fortalecimento da questão ambiental. "Acho que estamos assistindo a um certo recuo das oligarquias, com o avanço da modernização do país", avalia, em entrevista à Rede Brasil Atual.

Lula, por sua vez, continuará sendo um articulador e uma referência internacional. "Temos a necessidade de um Bolsa Família mundial", afirmou. "Dilma ocupava um papel-chave neste governo há cinco anos (como ministra-chefe da Casa Civil). "Ela tem participação política intensa há décadas e sua trajetória é conhecida", observou, creditando as críticas de "inexperiência" a uma certa histeria política patrocinada pelo PSDB.

Eleger uma pessoa que estava "no núcleo do governo Lula", observa o professor, significa manter prioridades como a redução da desigualdade e a manutenção da soberania brasileira em termos de integração com os países latino-americanos e a intensificação das relações com nações da África, Ásia e Oriente Médio.

Para Ladislau Dowbor, a violência no debate verificada durante o segundo turno foi resultado, em certa medida, da perda de importância das chamadas oligarquias. "Lula não só foi reeleito, como elegeu sua candidata. Isso explica essa atitude histérica." Ele criticou também a "oligarquia da imprensa", que teria ajudado a promover uma campanha de ódio e não de informação.

"A gente sente agora até que ponto a população não segue essas visões", afirmou. Ele lembrou, em tom de ironia, que já em 2006 se dizia que "o povo não acompanhou os formadores de opinião". Os ataques, na visão do professor, atingiram um tom de fundamentalismo, com atitudes de ódio. "Temos de sair dessa pré-história."

Consultor para o projeto de 200 anos da independência brasileira, em 2022, Dowbor afirmou que nos próximos anos o governo será responsável por eventos internacionais de grande visibilidade, como o encontro ambiental do Rio de Janeiro em 2012, além da Copa de 2014 e das Olimpíadas de 2016. "Nesse plano, o Lula é um articulador imensamente respeitado no planeta. Acho que o Serra sai de cena, mas o Lula vai continuar a ser uma referência em termos mundiais."