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RJ: candidatos ao governo consolidam estratégias em horário eleitoral

por Maurício Thuswohl, especial para a Rede Brasil Atual publicado , última modificação 03/09/2010 18h20

Cabral permanece com vantagem nas pesquisas e alvo preferencial dos adversários (Foto: Nelson Perez/Divulgação)

Rio de Janeiro – A semana de propaganda eleitoral na tevê serviu para consolidar as estratégias de campanha dos principais candidatos ao governo estadual e ao Senado no Rio de Janeiro. Na propaganda para o Governo do Rio, permanece o clima de “todos contra um” em relação ao governador Sérgio Cabral (PMDB) que, segundo as últimas pesquisas de opinião, está virtualmente reeleito. Para o Senado, onde a briga está embolada, cada candidato procura demarcar seu espaço em relação ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e à candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff

Cabral centrou sua propaganda nas realizações do governo estadual que gozam de boa aceitação junto à população, como a política de segurança pública, com suas Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), o aumento das parcerias com o governo federal e o aumento de investimentos no interior do estado. Por outro lado, o governador foi atacado pelos adversários em áreas como saúde e educação e recebeu críticas pelas alianças que fez ao longo de sua trajetória política.

 

Com o jingle de campanha cantado por Alcione e Arlindo Cruz, Cabral apresenta como trunfo a boa relação - sobretudo se comparada com as gestões que o antecederam - estabelecida com o governo federal. Enquanto aparece uma manchete de jornal de 2005, uma voz em off indaga ao eleitor: “O que passava em sua cabeça quando você lia que o estado do Rio de Janeiro era o penúltimo na lista de investimentos do governo federal?”. Em seguida, surge Lula: “No governo passado, a gente tinha muita dificuldade no Rio de Janeiro, muita, muita. Era uma relação complicada, truncada, de divergência. Hoje nós não temos nenhuma divergência.”

O governador investe na amizade com o presidente. “No meu caso com o Lula, para além do apoio no palanque no segundo turno de 2006, aconteceu uma amizade e um entendimento que não estavam programados”, diz Cabral. Lula retribui: “O Sérgio parece durão, mas é pura emoção. Eu já o vi lacrimejando várias vezes por causa do povo do Rio de Janeiro”, diz. Em seguida, aparece uma foto de Cabral com Lula e o prefeito Eduardo Paes e uma voz, novamente em off, conclui: “Antigamente, quando o prefeito, o governador e o presidente ficavam assim lado a lado, alguém logo corria para separar para que não brigassem. O governo Cabral conseguiu fazer com que todo mundo jogasse no mesmo time, o time do Rio”.

Em relação às propostas de governo propriamente ditas, Cabral afirmou que, em caso de obter um segundo mandato, “equipará todas as unidades escolares do Estado com atividades esportivas olímpicas”com vistas a formar atletas para os jogos de 2016. O governador também disse na propaganda da tevê que “o PAC 2 vem aí, atendendo a 1,3 milhão de pessoas”. Cabral falou ainda sobre o sucesso das UPPs, citando os morros Dona Marta e Borel, já ocupados pela polícia, e prometendo novas investidas nos complexos do Alemão e de Manguinhos, ainda em poder dos traficantes: “Não vamos permitir que haja controle armado de áreas e de territórios. Tenho a obrigação com a população de concluir esse trabalho”.

Medo de metralhadora

Adversário mais próximo de Cabral nas pesquisas, o deputado Fernando Gabeira (PV), que teve o apoio de Caetano Veloso cantando “Amanhã”, de Guilherme Arantes, usou a semana de propaganda na tevê para repercutir o noticiário dos jornais, como no caso em que, durante uma panfletagem em uma favela, teve de alterar seu roteiro após ordens de traficantes: “Devemos ou não entrar em lugares dominados por grupos armados de milicianos ou traficantes de drogas? Eu tenho ido a muitos deles. Seus  moradores continuam sendo cidadãos que merecem e devem ouvir seus candidatos. Às vezes, tenho de interromper uma visita para proteger a vida de cinegrafistas, fotógrafos, jornalistas e a minha própria. Mas estarei em todos os lugares do Rio de Janeiro. Se entro em todas as comunidades como candidato, imagine como governador”, disse.

Gabeira afirmou que a política de segurança precisa de mais coisas além das UPPs: “Não podemos resolver o problema da segurança prometendo uma UPP para cada comunidade do Rio de Janeiro. Vamos resolver, sim, com inteligência. Metralhadoras nunca detiveram meus passos. Já perdi uma parte do fígado, do rim e do intestino na luta contra a ditadura militar. Já fui metralhado uma vez e tenho muito medo de metralhadora, mas nós continuaremos o nosso trabalho porque o Rio merece se livrar desse domínio”.

Em nenhum momento de sua propaganda o candidato verde ao Governo do Rio cita o apoio do candidato a presidente José Serra. Pela primeira vez, no entanto, o PSDB, que finalmente doou R$ 500 mil para a campanha de Gabeira esta semana, apareceu na telinha verde, por intermédio do secretário-geral do partido, Márcio Fortes, vice na chapa encabeçada pelo PV. “Há 30 anos eu milito na vida pública e conheço todos os municípios do Estado. Recentemente, trabalhei 15 meses no governo de São Paulo e pude constatar que em pouco tempo é possível transformar radicalmente as relações dos serviços públicos com a população e dos usuários com os eventuais concessionários”, disse Fortes, escorregando no jargão das privatizações.

Amigo de Álvaro

A maior pancada recebida por Sérgio Cabral na tevê esta semana, no entanto, veio na propaganda do candidato do PSOL ao Governo do Rio, Jefferson Moura. A propaganda mostra imagens de Cabral, durante a campanha de 2006, pedindo votos para o então chefe de polícia Álvaro Lins, condenado na semana passada a 28 anos de prisão por formação de quadrilha armada, entre outros crimes: “Ter na Assembléia do Rio um deputado com a inteligência, a vibração, a energia e a capacidade de Álvaro Lins para mim é fundamental como governador do Rio de Janeiro”, disse o então candidato.

O PSOL também criticou a rede pública de educação. “O governador paga a um cabo eleitoral o dobro do que paga a um professor”, disse Moura, que exibiu uma mensagem de apoio da ex-senadora Heloísa Helena. A educação também foi criticada por Cyro Garcia, candidato do PSTU ao governo: “A educação pública no Rio de Janeiro é uma vergonha, com baixos salários, falta de funcionários e salas superlotadas”. Ao exibir imagens de uma passeata de professores reprimida pela polícia, o PSTU, mais uma vez, apresentou um slogan curioso: “Quem joga bomba em professor não pode ser governador!”.

Candidato do PR incluído na disputa pelo governo na última hora após Anthony Garotinho ter sido impedido de concorrer pela Justiça Eleitoral, Fernando Peregrino adotou o famoso discurso político do ex-governador ao anunciar serviços a preço baixo, como “diminuir o preço do bilhete único para R$ 2,50”. Peregrino também afirmou que vai retomar os programas sociais das administrações de Garotinho e de Rosinha, como o cheque-cidadão, os restaurantes populares e as farmácias populares. “Infelizmente, todos eles foram encerrados pelo atual governo. Se eu for eleito, nós vamos voltar com o cheque-cidadão a R$ 200,00, vamos criar novos restaurantes populares a R$ 1 e remédios e fraldas geriátricas também a R$ 1”, disse. Em seguida, aparece Garotinho para concluir: “Esse é o meu governador!”.