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Alckmin foge de Mercadante no último debate da TV

Tucano se esquiva de críticas feitas a seu governo durante debate na Rede Globo e não direciona perguntas ao petista
por Redação da RBA publicado , última modificação 28/09/2010 21h40
Tucano se esquiva de críticas feitas a seu governo durante debate na Rede Globo e não direciona perguntas ao petista

Candidatos ao governo de São Paulo se preparam para debate da Globo (Foto: Adriano Vizoni/Folhapress)

São Paulo - O candidato do PSDB ao governo de São Paulo, Geraldo Alckmin, evitou o confronto direto com o adversário do PT, Aloizio Mercadante. Durante debate na Rede Globo, o último do primeiro turno, Alckmin seguiu a mesma linha adotada nos anteriores, de não direcionar perguntas ao petista.

No jargão do futebol, seria possível dizer que Alckmin jogou com o regulamento debaixo do braço. As regras estabelecidas pela Rede Globo em parceria com os partidos previam que cada um responderia a pelo menos uma pergunta por bloco, e aqueles que já haviam respondido não poderiam falar novamente. Com isso, Alckmin não perguntou a Mercadante, e o segundo não teve oportunidade de perguntar ao primeiro, que já havia respondido anteriormente. 

Mercadante questionou, ao longo dos três primeiros blocos, a postura do tucano. "Geraldo Alckmin teve a terceira oportunidade. Não perguntou nesse nem em nenhum outro debate. Falar mal de mim no programa é fácil. Quero ver chegar aqui e falar como são as coisas."

No último bloco, por fim, Alckmin respondeu: “O PT, que quer fazer controle sobre a imprensa, agora quer restringir meu direito de perguntar. Aqui todos nós somos iguais.” Mercadante replicou em seguida, lembrando que seu partido lutou pela retomada da democracia e não se escondeu em nenhum momento. "Queria registrar que o Alckmin teve a quarta oportunidade de perguntar para mim e fugiu. E fez ataque ao PT pelas costas. Deveria ter feito para mim, para que eu pudesse responder.” 

No geral, Mercadante enumerou problemas nos pontos considerados deficientes das gestões do PSDB. Falou de segurança, pedágios e educação. “Não consigo aceitar que no estado mais rico da federação só tenha acesso a escola quem pode pagar. Quero saber se alguma escola boa do nosso estado tem aprovação automática. Não tem”, afirmou.

Propostas

Um dos poucos momentos de acirramento direto se deu entre Alckmin e Celso Russomano. O candidato do PP, ao comentar o que Alckmin havia dito sobre o interior paulista, afirmou que o ex-governador vivia em "Alice no País das Maravilhas". "O senhor não anda pelas cidades pequenas. Só anda pelas cidades grandes. Os pais do interior sabem o que é deixar que seus filhos mudem para outras cidades porque lá não se gera emprego. O senhor conhece número pra chuchu", acrescentou.

A lembrança indireta ao apelido pejorativo de Alckmin irritou o candidato, que rebateu: "Respeito é bom. E depois falar a verdade. Tem gente que gosta de falar mal de São Paulo, é impressionante, mas não é possível haver inverdades."

O candidato do PP apontou, como havia feito em outras ocasiões, as lacunas dos sucessivos governos do PSDB. Segurança, educação e saúde foram alguns dos temas enumerados. Ele defendeu a valorização da carreira dos policiais e a integração entre as polícias. “Não quero ver mais uma polícia enfrentando a outra por causa de salário. Isso é o fim do mundo. É um estado que não consegue gerir sua segurança pública. Morreram 170  mil pessoas no estado de São Paulo”, afirmou, em referência ao episódio de 2009, quando as polícias Civil e Militar se enfrentaram em frente ao Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista.

Paulo Skaf, do PSB, manteve a linha de criticar erros de Alckmin sem deixar de apontar pontos que considera frágeis por parte de administrações do PT. Além de prometer fortalecer a agricultura, Skaf destinou observações ao grande volume de publicidade aplicada  pelos governos do PSDB. O último exemplo foi o da Sabesp. “Pra que fazer publicidade com empresa que tem monopólio? Deveria ter investido em saneamento básico e em tratamento de esgoto.”

Paulo Bufalo, do PSOL, indicou ser a única real alternativa entre os seis participantes do debate. “Como vocês puderam perceber, os projetos dos meus adversários convergem para os mesmos interesses. Passadas as eleições, compartilharão governos e apoios.” Bufalo fez observações sobre a necessidade de combater as monoculturas que se espalham pelo interior paulista, uma preocupação para a produção de alimentos e para a desigualdade no setor rural.

Fábio Feldmann, do PV, apostou em mostrar-se como o caminho para uma economia que contemple a questão da sustentabilidade. Como ocorreu em outros debates, Feldmann formou uma espécie de parceria com Alckmin na troca de perguntas. Apesar de se dizer orgulhoso de ter feito parte do PSDB, Feldmann tentou se colocar como um candidato alternativo. "Achamos que chegou a hora de criar uma terceira força política no Brasil, uma força inovadora".