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Apesar de indefinição do STF, Roriz desiste do governo do DF

Esposa do ex-candidato, Weslian Roriz, o substituirá na chapa; Jofran Frejat continua como vice
por Thalita Pires, da RBA publicado , última modificação 24/09/2010 13h52
Esposa do ex-candidato, Weslian Roriz, o substituirá na chapa; Jofran Frejat continua como vice

Rio de Janeiro - A nove dias das eleições, o candidato ao governo do Distrito Federal pelo PSC Joaquim Roriz desistiu da disputa. O ex-governador decidiu lançar a esposa, Weslian Roriz, como candidata na chapa do partido. O candidato a vice-governador continua sendo Jofran Frejat. Roriz corria o risco de ter a candidatura impugnada pelo Supremo Tribunal Federal por conta da Lei Ficha Limpa. O anúncio foi feito no site da campanha da filha de Roriz, Liliane, candidata a deputada distrital.

A decisão de Roriz foi tomada horas depois do fim da sessão do STF que julgava o recurso do ex-candidato contra a aplicação da Ficha Limpa nas eleições deste ano. O julgamento está empatado e ainda não há certeza de quando terminará. Ao término da sessão, Roriz se disse surpreso com o andamento do julgamento, mas que manteria a candidatura. Se vencesse o pleito, o ex-governador poderia não ser diplomado pela Justiça Eleitoral.

Julgamento

No julgamento do recurso, cinco ministros votaram a favor da Ficha Limpa — Carlos Ayres Britto, Cármen Lúcia, Joaquim Barbosa, Ricardo Lewandowski e Ellen Gracie — e cinco contra: José Antonio Dias Toffoli, Gilmar Mendes, Marco Aurélio Mello, Celso de Mello e o presidente do STF, Cezar Peluso.

Configurado o empate, os ministros tentaram chegar a um consenso sobre como decidir a votação.
O ministro Toffoli sugeriu que o tribunal aguardasse a nomeação do 11º integrante da corte – em substituição a Eros Grau, aposentado. Outra sugestão foi seguir o artigo 146 do regulamento interno da casa e proclamar a solução contrária à pretendida pelo autor do recurso.

Metade dos ministros defendeu essa solução, enquanto a outra metade entendeu que esse dispositivo não se aplica a casos em que não é discutida a constitucionalidade de uma norma. A terceira alternativa era que o presidente do STF, Cezar Peluso, desempatasse a questão dando um voto de qualidade. Peluso rechaçou a ideia.

Sem chegar a um acordo, os ministros decidiram terminar a sessão. Uma sessão extraordinária foi marcada para a próxima segunda-feira (27). A sessão não é destinada à discussão da Ficha Limpa, mas qualquer ministro pode pedir espaço para tratar deste processo.

Manifesto

Roriz leu, na tarde desta sexta-feira um manifesto para explicar os motivos da troca. Confira o texto:

"Me julgaram apegados às luzes dos holofotes, rasgaram a Constituição. Não sofri condenação.


Minha ficha é limpa e minha consciência mais limpa do que a consciência dos que me acusam sem provas; e até mesmo do que a de alguns juízes que me julgaram apenas com base em sofismas, muito mais apegados às luzes dos holofotes do que ao espírito das leis.

Para isso valeu tudo: rasgaram a Constituição; jogou-se no lixo os princípios gerais do Direito; construíram interpretações, e, no meu caso particular, ignoraram que nunca foi aberto contra mim qualquer processo com base “quebra de decoro parlamentar” e jamais sofri condenação transitada em julgado em qualquer esfera do judiciário.

Do que me acusam? Nunca avancei sobre o patrimônio público, nunca sujei minha mão na lama onde chafurdam os corruptos que infelicitam Brasília e o Brasil. Meu patrimônio, graças a Deus, tem a marca da honradez de uma família que há mais de século nesta região fez do trabalho honesto seu meio de vida.

Os antigos “ermos e gerais” que hoje hospedam o centro dos três poderes eram fazendas de meus pais e avós, onde, menino ainda, com os mais velhos, saía para o campeio, dormindo ao relento, comendo frugalmente, como todos os sertanejos de então, enfrentando as intempéries da natureza hostil, demorando às vezes mais que semana para a volta ao lar.

Talvez, venham dessas raízes, esse apego e amor intenso por Brasília e nosso povo que me enche a alma e os sentidos, me tornando escravo do desejo de resgatá-la do caos em que se encontra, preparando-a para o futuro dos próximos 50 anos, com melhora radical na qualidade de vida de nossa gente, principalmente dos mais humildes, que sempre se constituíram na razão maior da minha vida pública.

Os elitistas chegam ao absurdo de dizerem que enchi Brasília de favelas, quando, na verdade, fiz aqui reforma urbana, erradicando favelas e dando dignidade, endereço e cidadania a centenas de milhares de famílias. De toda a imensidão de obra que construí, algumas gigantescas como a Ponte JK, o metrô e a Usina Hidrelétrica de Corumbá, a reforma urbana é a que mais me gratifica e envaidece.

Não posso mais ser candidato. Mas a eleição correrá em meu nome e o povo de Brasília me honrará, elegendo Governadora minha amada esposa, companheira de meio século, Dona Weslian Roriz, competente, honrada, humana e digna. Estarei com ela a cada minuto, da mesma forma que ela sempre esteve comigo, e foi a grande responsável pela alta dose de humanismo dos quatro períodos de governo que chefiei.

Peço ao povo que nos dê também maioria nas Câmaras Distrital e Federal, além de consagrar a eleição dos dois Senadores: Maria Abadia e Fraga. A vitória contra meus adversários me lavará a alma das injustiças que sofri, e fará com que eu não tenha que repetir o grito de revolta do grande humanista Camus: “O pior dos tormentos humanos é ser julgado sem lei.”

Joaqum Roriz