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Tucano afaga militares, mas não apresenta propostas

por Maurício Thuswohl, especial para a Rede Brasil Atual publicado , última modificação 30/08/2010 10h50

Rio de Janeiro – Apesar de ter adotado uma postura claramente agradável aos militares presentes a sua palestra no Clube da Aeronáutica na sexta-feira (27) – a maioria da reserva –, o candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra, não apresentou nenhuma proposta concreta de governo em relação às Forças Armadas. O único momento em que o tucano mereceu os aplausos da audiência foi ao prometer que, se eleito, não mexerá no pagamento dos aposentados e manterá as principais políticas do governo Lula para o setor.

“Não é minha intenção mexer no sistema de aposentadoria dos militares. Eu não mexeria no sistema que foi reformulado na época do presidente Fernando Henrique (Cardoso). A função tem peculiaridades que, a meu ver, justificam que os militares tenham condições diferentes de aposentadoria”, disse Serra, antes dos aplausos.

O candidato também prometeu, sem propor alterações à política atual, fortalecer as academias militares e a indústria da defesa. “Uma coisa importante é a revitalização das academias militares, das escolas preparatórias, dos institutos de engenharia, dos colégios militares e das escolas de sargentos. A tecnologia militar acaba envolvendo e beneficiando a área privada no Brasil. Outra área correlata é a indústria da defesa, onde nós temos muitas compras. Mantidos os critérios de qualidade e de eficiência e descontados os aspectos de câmbio e de distorções da política econômica, nós devemos fortalecer bastante essa indústria”, defendeu.

Serra também prometeu “investimento em quantidade e em qualidade” nas Forças Armadas e citou como exemplo o fortalecimento da Defesa Civil. “Temos que ter uma defesa civil no âmbito do Ministério da Defesa, com tropas permanentes e equipadas do ponto de vista técnico, científico e operacional porque estamos em uma era de calamidades naturais e nenhum estado sozinho consegue enfrentar a calamidade quando ela vem”, disse. Em seguida, ele contou que o atual governador de São Paulo, Alberto Goldman (PSDB), “queria mandar bombeiros e técnicos para ajudar Alagoas, mas ficou esperando por dois dias um avião da FAB (Força Aérea Brasileira)”.

Quase militar

Alguns momentos, especialmente quanto Serra tentava agradar ao público de sua palestra, trouxeram aspectos inusitados e até divertidos. O candidato do PSDB revelou que quase virou militar. “Eu sempre fui atento às questões de política e era um grande aluno em geografia. Quando era adolescente, eu quis entrar para a academia militar. Mas, como eu era filho único, o veto dos meus pais – e, sobretudo, da minha mãe – foi definitivo. Se minha mãe não tivesse se oposto, eu certamente teria seguido a carreira militar. Era uma das coisas que eu mais desejava naquela época”, disse.

Segundo disse, ele esteve perto de se tornar militar em uma segunda oportunidade. “Eu, na época que fiz vestibular e acabei entrando para a Politécnica de Engenharia em São Paulo, também fiz exame para o ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica). Mas, o ITA marcava o segundo exame para o mesmo dia do exame da Poli para que não houvesse alunos entrando nas duas e escolhendo", lembrou. "Então, eu, francamente, não tive coragem, pois a Poli era do lado da minha casa. Mas, eu me lembro do que era o ITA e no que se transformou em matéria de desenvolvimento tecnológico para nós”, relatou.

A insuspeitada vocação militar de Serra, segundo o próprio, surgiu ainda na infância. “Eu nasci em 1942 e fui, em São Paulo, levado pela minha mãe, ver o desfile da Força Expedicionária Brasileira quando chegou da (Segunda) Guerra (Mundial). Fez parte da cultura da minha infância a Guerra e o enfrentamento do fascismo e do nazismo”, disse.

Ao defender a proposta de incorporação de recrutas das três aramas nas polícias militares estaduais, Serra chegou a citar a importância das Forças Armadas na vida de seu pai. “Eu acho que as forças tem um papel muito importante na socialização das pessoas. Meu pai era um camponês italiano, imagina, era na época do (Benito) Mussolini. Ele aprendeu a ler e a escrever no Exército. O que ele aprendeu da vida foi nas Forças Armadas. Nem italiano direito ele falava”, disse.